Confirmando o seu favoritismo, o britânico Peter Hickman subiu pela quarta vez ao lugar mais alto do pódio do Grande Prémio de Motos de Macau. Michael Rutter, colega de equipa de Hickman que já venceu nove vezes no Circuito da Guia, não terminou a corrida devido a problemas mecânicos
O piloto britânico Peter Hickman, da “FHO Racing Team”, arrancou da “pole-position” e liderou sempre a corrida decisiva do 55º Grande Prémio de Motos de Macau, evidenciando uma clara superioridade, apesar do compatriota Davey Todd, da “Burrows Engineering/RK Racing”, ainda ter procurado discutir a vitória nas primeiras quatro voltas. Hickman, que já tinha sido o mais rápido nos treinos e nas qualificações, acabou por cumprir as 12 voltas em 29:16.090 minutos, cerca de 29 segundos antes de Todd (29:45.059), e garantiu o quarto triunfo em Macau. No terceiro lugar ficou o alemão David Datzer (29:46.899), da “MTP Racing by Zero UP Penz 13”.
“Tudo correu de acordo com o planeado”, afirmou Hickman, no final da corrida. “Os pneus estiveram fantásticos, tudo funcionou na perfeição. O Davey (Todd) estava a pressionar-me no início, o que foi bom, dado que assim que ganhei uma vantagem, comecei a cometer erros. Tive uma pequena conversa comigo mesmo e, pela décima volta, estava novamente focado. Estou satisfeito pela Faye Ho e por toda a equipa, que trabalhou sem descanso para conquistar esta vitória”, acrescentou o piloto de 36 anos, citado pela Comissão Organizadora do Grande Prémio de Macau (COGPM).
A corrida sofreu uma interrupção devido a um acidente logo na primeira volta, quando o irlandês Brian McCormack caiu e sofreu uma lesão no tornozelo. Ao tentar desviar-se da moto de McCormack, a neerlandesa Nadieh Schoots também acabou por cair. Os dois pilotos foram transportados para o hospital, onde receberam tratamento por “lesões menores”, segundo a organização da prova.
O acidente acabou por beneficiar Todd, que tinha abandonado a grelha de partida com problemas técnicos. Com a exibição das bandeiras vermelhas, pôde participar na segunda partida e seria recompensado com a subida ao pódio, a sua primeira em Macau.
“Foi o Peter Hickman que me disse que poderia ter um problema. Ele viu algum fumo a sair da moto na volta de aquecimento e acabou por ser um tubo de óleo partido. Senti que o meu mundo tinha acabado, quando caminhava no ‘pit-lane’. No entanto, a equipa foi fantástica, continuando a trabalhar para o caso de aparecer uma bandeira vermelha, que acabou por acontecer, portanto, pude tomar parte no segundo arranque. Um grande obrigado a Phil Crowe, ele cedeu-nos o tubo de substituição, dado que não tínhamos nenhum, e sem ele não teríamos voltado à corrida”, contou Davey Todd.
Por sua vez, David Datzer largou da frente da segunda grelha da partida, mas teve um mau arranque, perdendo inúmeras posições. Todavia, o alemão encetou uma recuperação que culminou com a ultrapassagem ao australiano Josh Brookes, da “FHO Racing Team”, que teve de se contentar com o quarto lugar na estreia em Macau. Note-se que os quatro primeiros classificados conduziram BMW M1000RR.
“Fiquei desapontado com o meu arranque”, confessou Datzer, reconhecendo, por outro lado, ter sido “abençoado com uma grande moto, que foi preparada por uma grande equipa”. “Conseguir recuperar e chegar outra vez ao pódio de Macau é uma excelente conclusão do evento”, realçou.
Apesar de ter falhado o pódio, Brookes mostrou-se “satisfeito” com o seu desempenho. “Depois do problema de caixa de velocidades na qualificação, tudo na moto ficou perfeito. Tive um excelente arranque desde a quinta linha, mas é a minha função partir bem. Assim que o David [Datzer] me passou para o terceiro lugar, não havia forma de eu estar preparado para atacar e voltar a recuperá-lo. Macau é uma nova experiência para mim. É um ambiente diferente de tudo o resto que eu conheço nas corridas. Gostei muito deste fim-de-semana e quem sabe se não voltarei. Nunca digas nunca”, disse, de acordo com o site da COGPM.
A quinta posição foi ocupada pelo britânico Rob Hodson, numa Honda da “SMT Racing”. “O meu plano era ir mais rápido e foi exactamente isso que fizemos. Terminar em quinto foi um ganho, dado que fui o melhor piloto não-BMW”, salientou Hodson.
Bem menos satisfeito ficou o britânico Michael Rutter, com nove vitórias no circuito da Guia, que se viu obrigado a abandonar na segunda volta em virtude de dificuldades técnicas. “Foi pena, dado que a moto tinha vindo a melhorar ao longo de todo o fim-de-semana”, lamentou o piloto de 51 anos, acrescentando: “Já aqui ando há suficiente tempo para perceber que são coisas que acontecem”.
O finlandês Erno Kostamo, vencedor do Grande Prémio de Motos em 2022, esteve em terceiro lugar na primeira metade da corrida, contudo, abandonou devido a problemas eléctricos. O australiano David Johnson também desistiu, após sentir problemas de travões na sua Kawasaki. Fora da tabela classificativa ficou ainda o checo Kamil Holan, que caiu na última volta e foi levado para o hospital, com “lesões menores”.



