
O britânico Luke Browning foi o mais brilhante dos muitos jovens que estiveram na grelha da Fórmula 3 do Grande Prémio de Macau e fica na história por ter vencido duas corridas no mesmo fim-de-semana. Browning deixou nas posições imediatas o norueguês Dennis Hauger e o italiano Gabriele Minì. Sophia Florsch alcançou um lugar modesto
A corrida de monolugares da categoria de Fórmula 3, que contribuiu ao longo dos anos para dar cada vez maior prestígio ao Grande Prémio de Macau, fez o seu regresso à pista da Guia e trouxe mais uma vez jovens pilotos ávidos de se mostrar e sonhar com a Fórmula 1. Um deles, o britânico Luke Browning, 19 anos, dominou as duas corridas do fim-de-semana, a classificativa e a principal, proeza pouco vulgar na competição de Macau.
O jovem da escuderia Hitech Pulse-Eight já tinha dado nas vistas na prova de sábado e voltou a mostrar as suas “unhas” na corrida de ontem, saindo da “pole position” e aguentando todos os ataques dos adversários. E havia outros jovens que também vieram a Macau para mostrar o seu valor, como o italiano Gabriele Minì, muito rápido nas sessões de qualificação, o irlandês Alex Dunne, da mesma escuderia de Browning, o sueco Dino Beganovic e o norueguês Dennis Hauger.
Na corrida de ontem à tarde, com muita gente nas bancadas, foi na icónica Curva do Hotel Lisboa que ocorreu o primeiro acidente, logo na largada. Alex Dunne quis mostrar a sua condução agressiva mas embateu nos pneus de protecção, terminando assim bem cedo a sua prestação.
Logo a seguir à saída do “safety car”, tripulado pelo português Pedro Couceiro, antigo piloto, Luke Browning não se incomodou com a pressão imposta pelo reagrupamento dos carros e começou a abrir alguma diferença sobre os mais directos opositores. Um deles, Dino Beganovic, ficou pelo caminho no mesmo local de Dunne, a curva do Lisboa, mas houve novo “safety car” em pista a oito voltas do fim, na sequência de um acidente do estónio Paul Aron, que viu o seu Dallara partir-se em dois e incendiar-se. O piloto saiu ileso e abandonou a pista pelo próprio pé.
A cinco voltas do final da Taça do Mundo de Fórmula 3, verificou-se mais um reagrupamento dos carros, voltando a expectativa quanto à possibilidade dos principais adversários de Browning atacarem a primeira posição. Só que o britânico foi resistindo e continuava na dianteira quando sucedeu mais um incidente, com o búlgaro Nikola Tsolov, a apenas três voltas do fim.
Os muitos destroços no asfalto demoraram a ser retirados, pelo que o carro de segurança, que regressara ao circuito na sequência da interrupção da corrida, já só saiu antes da recta da meta na derradeira volta, para permitir que os pilotos vissem a bandeira de xadrez.
Luke Browning confirmava assim o título em Macau atrás do “safety car”, fazendo recordar o que aconteceu em 2000, quando André Couto também ganhou nesta situação, na única vez em que um piloto de Macau alcançou o lugar mais alto do pódio nesta corrida de Fórmula 3.
O jovem de 19 anos, natural da cidade inglesa de Kingsley e que durante a temporada de 2023 participou no campeonato de F2 promovido pela Federação Internacional do Automóvel (FIA), sai de Macau pela “porta grande”, a dos campeões, ficando à espera que o chamem para outros voos na sua ainda curta carreira. “Isto é um verdadeiro sonho. Não é possível descrever em palavras o que sinto agora, mas vencer a este nível contra esta grelha de partida é um verdadeiro orgulho”, confessou no final.
A segunda posição pertenceu a Dennis Hauger, da MP Motorsport, e a terceira a Gabriele Minì, da SJM Theodore Prema Racing, considerada a “rainha” das competições de Fórmula 3. Logo a seguir, posicionaram-se dois espanhóis, Mari Boya e Josep María Martí. Todos os cinco primeiros estrearam-se no Circuito da Guia, confirmando uma grande característica desta competição no território, uma vez que são poucos os pilotos que regressam à Guia.
Entre os repetentes, o neerlandês Richard Verschoor, vencedor em Macau na edição de 2019, terminou em sexto, enquanto a alemã Sophia Florsch, também com 22 anos, nomeada embaixadora do Grande Prémio, não fez melhor do que o 11º posto.
Recorde-se que a Fórmula 3 esteve ausente de Macau nos últimos três anos, por causa das restrições impostas pela pandemia, tendo sido substituída pela Fórmula 4. A organização acabou por colocar ambas as corridas no programa desta edição especial, ficando a aguardar-se se essa opção será mantida no futuro.
Esta edição do GPM contou com 145 mil espectadores nos seis dias de prova, repartidos por dois fins de semana consecutivos (11 e 12 e 16 a 19 deste mês), indicou a comissão organizadora do evento.



