O britânico Peter Hickman não desperdiçou a primeira oportunidade para se mostrar no Grande Prémio de Motos, apesar de se tratar de uma sessão de treinos livres, a única nas duas rodas realizada ontem do Grande Prémio de Macau. A BMW dominou por completo, ocupando os cinco primeiros lugares. O campeoníssimo Michael Rutter registou apenas a sétima marca, reservando para a qualificação de hoje uma prestação ao seu nível habitual. Davey Todd e Erno Kostamo, campeão em 2022, foram os que deram mais luta a Peter Hickman
A competição de motos foi a primeira a ir para a pista no segundo fim-de-semana do Grande Prémio de Macau, no regresso dos pilotos de maior prestígio e já com provas dadas no território. O dia de ontem foi preenchido apenas por treinos livres, numa única sessão, que funciona como um reconhecimento da própria pista, em especial para os que se deslocam pela primeira vez à RAEM.
Os tempos obtidos são, por isso, ainda pouco elucidativos, muito embora tivessem confirmado as ambições de pilotos como o britânico Peter Hickman, que surge pela primeira vez na mesma equipa do compatriota Michael Rutter, nove vezes vencedor no Grande Prémio de Motos em Macau.
Hickman, que tripula uma BMW M1000RR da escuderia FHO Racing, estabeleceu o melhor tempo nos treinos que se realizaram bem cedo na manhã de ontem, tendo dado 13 voltas ao circuito, mais uma do que Rutter, também numa BMW. Hickman fez 2.28.389 na sua melhor volta, sendo cerca de quatro segundos mais rápido do que Rutter (2.32.589) que terminou em sétimo.
Esta diferença não é seguramente aquela que espelha a verdadeira qualidade dos dois credenciados motociclistas e Rutter terá optado por não forçar muito nesta primeira sessão livre. Amanhã, também cedo pela manhã, às 08:00, deverá ser completamente diferente, uma vez que se tratará da primeira de duas qualificações a realizar no mesmo dia (a segunda acontecerá às 16:10), tendo em vista as posições na grelha para a corrida de sábado, marcada para as 08:40.
Mesmo sem ser muito a sério, Hickman começou já a dar indicações de que quer chegar à quarta vitória em Macau, embora saiba que há concorrência forte, não só de Rutter, mas também de outros adversários, como o também inglês Davey Todd, em BMW, que faz a sua terceira visita ao território. Todd estabeleceu o segundo melhor registo, com 2.29.653, ficando, portanto, a quase um segundo de Hickman. Logo a seguir posicionou-se o finlandês Erno Kostamo, em BMW, vencedor da corrida no ano passado, numa edição em que a maioria dos famosos não marcou presença.
Kostamo pode ser um dos “outsiders” na questão do título, porém, importa ressalvar novamente que estes tempos da sessão livre servem apenas de referência e estarão ainda longe do verdadeiro andamento dos pilotos. De qualquer modo, o nórdico deu boas indicações, terminando com a marca de 2.29.939, muito perto de Davey Todd.
O alemão David Datzer, outro piloto que esteve na RAEM em 2022 e chegou ao segundo lugar, obteve o quarto tempo, 2.30.500, menos um segundo do que Phillip Crowe, mais um elemento do contingente britânico, em BMW. A marca alemã confirma as suas credenciais nesta corrida, tendo para já colocado as suas motos nos cinco primeiros lugares do treino. O primeiro não BMW foi Robert Hodson, em Honda, também piloto da Grã-Bretanha.
São 23 as motos presentes este ano no Grande Prémio, que atinge a 55ª edição da categoria, num pelotão onde os britânicos estão em maioria (11), na maior parte habituais participantes nas corridas mais famosas de Inglaterra e Irlanda, como são os casos da Ilha de Man TT, North West 200 e Ulster. Estes especialistas das provas em circuitos urbanos são por isso os que melhor se adaptam à pista de Macau e melhor performances e resultados conseguem.
Há também uma mulher na grelha desta competição de duas rodas, a neerlandesa Nadieh Jonee Schoots, em Yamaha, que já esteve no território em 2022, tendo realizado para já um tempo algo modesto, 2.44.380, ocupando o 21º lugar na sessão de ontem.
Este ano, o Grande Prémio de Motos não conta com qualquer piloto de Portugal, ao contrário do que aconteceu durante muito tempo. Na edição passada, dois marcaram presença, o luso-africano Sheridan Wesley Morais, em Honda, que deu nas vistas com um terceiro lugar, logo atrás de Datzer, e ainda André Pires, também em Honda, no sétimo posto. Desta feita a organização não endereçou convites aos motociclistas portugueses.



