Vai arrancar amanhã o 70º Grande Prémio de Macau (GPM), com “competições abundantes”, a concorrência “mais forte de sempre” e “ricas” actividades de extensão, indicou Pun Weng Kun. Em entrevista ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, o presidente do Instituto do Desporto (ID) e coordenador da comissão organizadora do evento, mostrou-se convicto de que a reacção dos espectadores na plateia será “melhor” do que no ano passado, prevendo receitas superiores às expectativas. Acreditando que parte dos pilotos locais conseguirá subir ao pódio, Pun Weng Kun destacou que o ID e a Associação Geral de Automóvel de Macau têm ajudado a formar uma nova geração de jovens pilotos locais, com os mais novos a terem sete ou oito anos de idade. Pun observou ainda que, desde o final de 1999, a função do turismo desportivo tornou-se “cada vez mais acentuada”
-De modo geral, quais são os maiores destaques do 70º Grande Prémio de Macau (GPM)?
-Este ano, o GPM vai completar 70 anos. De acordo com a experiência do passado, no 50º e no 60º aniversário, realizámos sempre duas semanas de competições. Isso é muito bom. Normalmente, o evento tem a duração de uma semana. Acabámos de passar três anos da pandemia, agora tudo já voltou à normalidade. Muitos pilotos de outros países sabem que o GPM vai chegar este ano ao seu 70º aniversário. Por isso, depois de anunciarmos a realização do evento, recebemos inscrições de muitos pilotos e equipas de carros europeus, americanos e de outras origens, para competirem em Macau. Além disso, a Federação Internacional do Automóvel (FIA) tem sempre apoiado e valorizado muito Macau, pelo que decidiu o regresso das corridas de F3 e GT ao território no 70º aniversário do GPM. A par disso, outra competição de classe internacional, o TCR World Tour, terá a sua última paragem em Macau. Por outro lado, através das duas semanas de competições, vamos realizar algumas provas regionais conforme a experiência do passado, como o TCR Asia Challenge e a Taça GT – Corrida da Grande Baía.
Além da abundância das competições, esperamos reforçar um pouco mais as actividades de extensão. Por exemplo, no princípio deste mês, organizámos a corrida “Fun Run”, que foi muito bem recebida, e o “Festival em Família” na Praça do Tap Seac. Promovemos muitas iniciativas fora das corridas porque queremos que o GPM não seja apenas uma competição desportiva. Queremos estender a plataforma do GPM, para que mais residentes e turistas que tenham tido pouca adesão ao evento no passado participem nas actividades. Por exemplo, na “Fun Run”, muitos participantes não costumam assistir às corridas de carros ou podem estar pouco interessados. Através da realização da corrida no circuito, o público pode ter mais oportunidades para conhecer os preparativos do GPM, vendo ainda as diferenças evidentes entre as estradas nos dias normais e durante a realização do GPM, que ganham assim muito mais velocidade. A “Fun Run” é organizada de cinco em cinco anos e o público ficou sempre muito entusiasmado com a actividade, porque acha que correr na pista é como conduzir nela.
Ademais, esperamos que o “Festival em Família” permita às crianças e aos jovens conhecerem o célebre GPM e cultive, entre eles, um sentimento de ‘competições conhecidas no mundo serem organizadas por residentes de Macau’. Espera-se que comecem a gostar das actividades do GPM desde a infância. Em conclusão, para nós, o 70º GPM tem destaques em todos os aspectos. As duas semanas de competições vão trazer para Macau muitos dos melhores pilotos do mundo, ao mesmo tempo que há muitas actividades de extensão.
-Quais são as suas expectativas em relação aos resultados do 70º GPM? Quantos espectadores e receitas o evento poderá trazer? Em termos do “turismo+”, qual será o efeito alcançado? Será que esses resultados ultrapassarão os de 2019?
-Quando começámos a preparar o 70º GPM neste ano, conseguimos um início muito bom. Isto porque as seis operadoras de jogo prestam muito apoio, com cada uma a ter patrocinado 20 milhões de patacas. Além disso, logo no início deste ano, fãs das corridas de carros de muitos países enviaram-nos emails, pedindo marcação de bilhetes, incluindo da Europa, Ásia e de outras origens. Por isso, estamos muito confiantes na reacção muito boa, e melhor, dos espectadores na plateia este ano, em comparação com o passado. Por outro lado, sendo uma marca de Macau, o GPM é também muito conhecido noutros países, pelo que permitimos a algumas empresas e amigos das indústrias culturais e criativas usarem a imagem do nosso Grande Prémio e o logótipo para criar produtos culturais, criativos e lembranças. Vi que vendem na Internet esses produtos, que têm sido muito bem recebidos.
As receitas de todo o evento do GPM superarão definitivamente as nossas expectativas e estamos também bastante confiantes numa taxa de admissão do público muito boa. Por outro lado, a realização do GPM conseguirá levar as indústrias culturais e criativas de Macau para um novo patamar, permitindo a mais turistas e fãs de corridas de carros de todo o mundo saberem que Macau dispõe de empresas culturais e criativas tão boas, e verem produtos muito bons. Também acabámos de saber que, por causa do GPM, a taxa de ocupação hoteleira de Macau ao longo da realização do evento será muito alta. Ouvi dizer que alguns hotéis já não têm quartos disponíveis para esses dias. Com a vinda de tantos turistas, para além da hotelaria, a realização do GPM produzirá certamente efeitos positivos na restauração, no sector de lembranças e em todas as indústrias.
-O reforço da cooperação com as seis operadoras de jogo trará uma mais-valia ao evento?
-Sem dúvida alguma, porque a ideia é gerar uma sinergia. De facto, quando discutimos o assunto, ficaram muito entusiasmadas. As operadoras de jogo também fizeram mais acções de divulgação sobre o GPM através das suas redes, por exemplo, nos seus resorts e hotéis. Por isso, o GPM não é uma mera competição desportiva, mas sim uma plataforma que pode estimular diversos sectores. Não somos os únicos que realizam o GPM, o evento conta com a participação de residentes e de empresas. Por exemplo, este ano algumas escolas participaram também na criação de lembranças, o que levou alunos a conhecerem mais sobre o assunto. Além disso, autorizámos escolas a aproveitar o logótipo e a imagem do GPM para lançarem alguns produtos. Por isso, o GPM foi criado por toda a Macau e por várias gerações da população que permitem ao evento ter chegado ao seu 70º aniversário.
-A concorrência das corridas nesta edição do GPM vai ser a mais renhida de sempre?
-Acredito absolutamente nisso porque, mesmo nos últimos três anos, pilotos de outros países e algumas competições da taça do mundo manifestaram a vontade de voltar a Macau, uma vez que [os pilotos] consideram que uma vitória em Macau representará uma grande honra, durante toda a vida, na sua carreira.
-Como antevê os resultados que os 40 pilotos de Macau poderão obter nas competições? Quais são as vantagens desses pilotos?
-Em primeiro lugar, os pilotos de Macau estão muito familiarizados com o circuito de Macau. Espero que tentem lutar no processo das competições. Acredito que parte dos pilotos locais conseguirá subir ao pódio. Espero que os pilotos jovens possam alcançar um nível mais alto passo a passo. Participaram nas corridas da F4 nos últimos anos e assim também poderão derrotar outros rivais. Acredito que os pilotos jovens de Macau terão um futuro muito promissor. No passado, o Instituto do Desporto (ID) formou uma nova geração de jovens pilotos, juntamente com a Associação Geral de Automóvel de Macau. Começámos a formá-los no campo de Kart. Também vimos que muitos pilotos adolescentes têm participado e treinado passo a passo. Acredito que daqui a alguns anos muitos deles conseguirão participar em competições no Circuito da Guia.
-Pretende reforçar os apoios para os pilotos locais no futuro?
-Tem havido sempre [esses apoios]. Ainda assim, reforçaremos no futuro. Na realidade, os pilotos mais novos que estamos a formar têm sete ou oito anos de idade. Queremos que possam conduzir alguns carros de Kart de tamanho relativamente pequeno, de modo a ganharem alguma sensibilidade. Além disso, temos formado um grupo de adolescentes com idades não superiores a 14 anos, porque esperamos que possam suceder no futuro. Eis um futuro que o ID e a Associação Geral de Automóvel se vão esforçar sempre em conjunto por criar.
-Hoje em dia, o GPM continua a funcionar como uma “rampa de lançamento” para muitos pilotos?
-Ainda desempenha bastante este papel. O GPM consegue atrair, todos os anos, muitas equipas e fãs europeus, americanos e asiáticos para assistirem às competições, uma vez que as pistas de Macau são muito desafiadoras. Toda a gente sabe que, se os pilotos tiverem um desempenho muito bom em Macau, serão certamente valorizados por equipas de carros da F1 de alta classe. Além disso, a FIA atribui importância todos os anos à realização do Grande Prémio em Macau. A federação tem grande confiança em nós sobre todas as etapas do evento. Por isso, a realização das competições em Macau é reconhecida. E as equipas de carros de outros países esperam todos que possam escolher alguns pilotos jovens e bons em Macau, para as representarem nas competições da F1 no futuro. Há muitos exemplos do passado.
-Que ideias tem relativamente ao plano de organizar mais actividades de extensão no futuro?
-Queremos atrair um público do Grande Prémio entre as gerações jovens. Mas vi que, durante algum tempo, se calhar, o público entusiasta pelo Grande Prémio já está relativamente mais maduro. Esperamos fazer campanha desde as gerações mais jovens, através de mais festivais em família e da criação de produtos juntamente com empresas culturais e criativas. Esperamos que haja também mais produtos relacionados com o Grande Prémio mesmo nos dias normais. Por exemplo, quando viajamos para outros países, podemos encontrar produtos alusivos a alguns eventos que, embora se realizem apenas durante um certo espaço de tempo por ano, permitem às lembranças serem compradas pelos turistas durante o ano inteiro. Isso é uma orientação que devemos seguir no futuro, por forma a que os turistas que vêm a Macau possam sentir o encanto do Grande Prémio a qualquer momento.
-Haverá introdução de novas competições no GPM e alterações às pistas?
-Em termos das pistas, acredito que seria impossível haver grandes mudanças, porque, de facto, o Circuito da Guia já deixa uma impressão muito profunda no público de todo o mundo, por ser desafiador. Se efectuássemos mudanças, poderia deixar de ser o circuito de que o público gosta. Por isso, no futuro, é mais provável serem acrescentadas mais algumas coisas ao redor das pistas, mas estas, em geral, não sofrerão alterações. A título de exemplo, queremos sempre, se houver condições, adicionar mais lugares na plateia para mais espectadores poderem assistir às corridas. Quanto às competições, precisamos de contemplar diferentes âmbitos. Como o evento acontece numa semana, seria impossível acolher demasiadas competições no espaço de vários dias. Agora, há normalmente seis competições que incluem também muitas corridas classificativas e de contra-relógio. De facto, as seis competições já preenchem totalmente o evento, sendo que cerca de metade é de classe mundial, enquanto as outras, uma ou duas, são competições de nível asiático ou regional. Muitas competições esperam vir a Macau. Mas francamente, apesar de muitas taças do mundo quererem vir, se as seis provas fossem todas de classe mundial e de nível mais elevado, os pilotos de Macau poderiam não ter tanta facilidade em participar. Por isso, também precisamos de ter em consideração os pilotos locais e as situações de corridas circundantes, deixando espaço e oportunidades para a participação no GPM.
-Após a passagem de uma pandemia, organizar uma edição do GPM com duração de seis dias provocou pressão ou dificuldades?
-Acho que não houve pressão. A comissão organizadora, o ID, e toda a gente sentem-se muito entusiasmados pela realização do 70º GPM. Todos estão dispostos a fazer um esforço extra para organizarmos com sucesso o 70º aniversário do evento. Mas olhando para os últimos três anos, a organização foi mais desafiadora.
-A organização do GPM no passado inspirou os trabalhos do ID em alguns aspectos?
-Há e muitas [inspirações]. Nos últimos três anos da pandemia, não parámos o Grande Prémio. Todavia, no processo de preparação, focávamo-nos mais na realização das competições antes da pandemia. No entanto, adicionámos os trabalhos de prevenção e combate epidémicos ao evento nos últimos anos. Por isso, apesar da passagem da pandemia, na organização das competições e actividades no futuro, poderemos considerar mais aspectos como a segurança, a prevenção epidémica, entre outros elementos.
-Prevê que a vinda a Macau especificamente para assistir ao GPM ou outros eventos desportivos será uma tendência cada vez mais em voga no futuro? Para isso, quais são os esforços que o ID pretende envidar?
-Isto é um propósito muito importante da organização do Grande Prémio. Podemos ver que, primeiro, o turismo desportivo foi e será sempre uma orientação muito importante para nós, já que pode trazer mais turistas para Macau. Pode-se dizer que já estávamos a promover o turismo desportivo no início da transferência de soberania. Desde aquela altura até agora, a função do turismo desportivo tornou-se cada vez mais acentuada. Macau conseguiu sempre atrair a vinda de muitos fãs de desporto. Além do Grande Prémio, por exemplo, há a Maratona. Embora a Maratona disponibilize somente 12 mil vagas, metade, ou seja, cerca de 6.000 participantes, não são de Macau e aproveitaram para viajar no território através da competição. Alguns até vieram com familiares e amigos. Durante vários dias, a Maratona consegue impulsionar o desenvolvimento da hotelaria, da restauração, do sector das lembranças e de diferentes indústrias. Segundo os dados, tem subido passo a passo.
Por isso, seguindo este caminho, iremos organizar no futuro mais competições bem recebidas por residentes e atractivas para turistas. Além da Maratona, temos também este ano o Torneiro dos Campões WTT que conseguiu igualmente cativar muitos adeptos a vir a Macau, pois muitos atletas de ténis de mesa possuem um grande número de fãs. E muitos adeptos vieram ver os jogos, ficando uma semana nos hotéis onde também tomaram refeições. Assim, iremos escolher, no futuro, algumas competições atractivas que possam ajudar Macau no desenvolvimento do desporto, da economia e de diferentes sectores.



