Há poucos pilotos de Fórmula 3 repetentes no Circuito da Guia para a competição de maior cartaz no 70º Grande Prémio de Macau. Sophia Floersch, Dan Ticktum e Richard Verschoor, este detentor do título, estão de volta ao território. Por outro lado, a Taça do Mundo FIA F3 apresenta, como habitualmente, uma grelha com muitos jovens estreantes que querem catapultar-se para voos mais altos, em especial na Fórmula 1. Entre eles, destacam-se o checo Roman Stanek e o norte-americano Ugo Ugochukwu, de apenas 16 anos
É grande a expectativa para a corrida de Fórmula 3, que regressa ao Grande Prémio de Macau (GPM) depois de três anos de ausência por causa da pandemia, período em que foi substituída pela categoria de F4, mas sem o mesmo sucesso. A competição de monolugares, supervisionada pela Federação Internacional do Automóvel (FIA), daí a designação de Taça do Mundo, inclui duas corridas, uma classificativa, a realizar no sábado, e a outra a decisiva para atribuição do título, agendada para a tarde de domingo.
Como habitualmente, os pilotos da grelha são maioritariamente desconhecidos do público de Macau e surgem no Circuito da Guia depois de uma temporada de várias rondas integradas no Campeonato FIA da especialidade, que teve em 2023 a sua segunda edição.
Em Macau, os pilotos terão de se destacar fundamentalmente pela sua habilidade em conduzir um monolugar, pela agressividade em pista e adaptação a um circuito urbano, uma vez que todos os carros têm um chassis Dallara e um motor Mecachrome de seis cilindros e 3,4 litros, naturalmente aspirado, com 380 cavalos. Assim, quem tiver “mais unhas” será campeão e poderá aspirar a outros voos na carreira, como aconteceu no passado com o sonho da Fórmula 1 tornado realidade para muitos dos que passaram por Macau, casos de Ayrton Senna, Michael Schumacher, Lewis Hamilton, Sebastian Vettel ou Max Verstappen, entre outros.
É nessa perspectiva que os jovens pilotos que estarão na RAEM, quase todos com carreiras iniciadas nas provas de karting, encaram o Grande Prémio de Macau, sendo na sua esmagadora maioria estreantes na corrida que tem já hoje as primeiras sessões de treino livre e de qualificação, com o objectivo de afinar as máquinas e conhecer o circuito.
Entre os nomes que compõem a lista de corredores para este ano, e começando pelos “repetentes” no circuito, consta a alemã Sophia Floersch, que protagonizou um acidente aparatoso na Curva do Lisboa em 2018, que quase lhe custou a vida. A piloto de 22 anos regressou a Macau no ano seguinte, mas não acabou a corrida. Nesta terceira deslocação ao território, será certamente alvo de muita curiosidade, podendo até envolver-se entre os candidatos aos primeiros lugares. Sophia Floersch corre pela equipa Van Amersfoort Racing.
A edição deste ano do GPM reúne nove escuderias do Campeonato de Fórmula 3 da FIA, tendo cada uma delas inscrito três carros. Nesta grelha estará também, na lista dos regressados, o campeão de 2017 e 2018, o britânico Dan Ticktum, de 24 anos, da equipa Rodin Carlin, para a sua quinta visita ao Circuito da Guia.
Destaque também para Richard Verschoor, vencedor no ano da sua estreia na RAEM, em 2019. O neerlandês de 22 anos representará a equipa Trident Motorsport.
Este trio formado por Verschoor, Ticktum, Floersch, a que se pode juntar o neozelandês Marcus Armstrong – em Macau pela terceira vez -, apresenta credenciais para a luta pelos primeiros postos, principalmente pela experiência acumulada neste circuito citadino de 6,2 quilómetros de extensão, ainda que se saiba que, pela história do Grande Prémio de F3, os pilotos “desconhecidos” e habitualmente “rookies” em Macau têm alcançado os títulos.
Checo e americano no lote
de possíveis surpresas
Desses pouco conhecidos há nomes que, no entanto, surgem com boas referências e que se destacaram na época em curso. Desde logo o promissor checo Roman Stanek, colega de equipa de Verschoor, que saiu vencedor de uma corrida de F3 antes de subir à F2 em 2023. Também uma promessa nas andanças internacionais dos monolugares é Ugo Ugochukwu, jovem norte-americano, de 16 anos, filho de pai italiano e mãe nigeriana, mas nascido em Nova Iorque. Ugochukwu é um dos dois pilotos mais novos da grelha, a par do búlgaro Nikola Tsolov, mas venceu 11 corridas esta época em campeonatos de F4 e conquistou o título no Campeonato Euro 4. O piloto dos EUA é um “protegido” da equipa McLaren de Fórmula 1.
A outra formação italiana na lista de inscritos é a Prema, que não vence em Macau desde que Rosenqvist triunfou em 2015, mas regressa sob o nome SJM Theodore Prema Racing e apresenta um trio muito forte, composto por Paul Aron, Dino Beganovic e Gabriele Minì, estrelas do Campeonato de F3 FIA deste ano. O estónio Aron é um piloto júnior da equipa de F1 da Mercedes e terminou em terceiro lugar no Campeonato de F3 em 2023. O sueco Beganovic pertence à Ferrari Driver Academy e superou Minì e Aron no Campeonato Europeu de Formula Regional by Alpine do ano passado. O italiano Minì representa a Alpine Academy e transferiu-se para a Prema para participar no GPM.
De resto, Zane Maloney, da Red Bull Junior, será o primeiro piloto dos Barbados na prova, integrado na Rodin Carlin, equipa com a qual tem corrido esta época na F2. Há também outros jovens preparados para tentar brilhar, como o francês Isack Hadjar, da Hitech Pulse-Eight, que terá a companhia do talento britânico Luke Browning, apoiado pela Williams F1, que mostrou uma velocidade impressionante com a Hitech na F3 esta época, depois de ter conquistado o título da GB3 em 2022.
A ART Grand Prix, escuderia francesa de monolugares fundada pelo actual responsável da Ferrari F1, Frédéric Vasseur, traz um trio de pilotos regulares do Campeonato de F3 da FIA: o suíço Grégoire Saucy, o búlgaro Nikola Tsolov e o australiano Christian Mansell.
A equipa espanhola Campos Racing será provavelmente liderada por Pepe Martí. O jovem espanhol conquistou três vitórias com a equipa na F3 esta época e foi recompensado com a entrada para a Red Bull Junior Academy. O mesmo acontece com Sebastián Montoya, que faz a sua primeira visita a um local onde o seu pai, o lendário colombiano vencedor de corridas de Fórmula 1 e da Indy 500, Juan Pablo, causou grande impressão em 1996. O outro piloto da Campos Racing, o dinamarquês-alemão Oliver Goethe, vencedor de corridas de F3 nesta temporada, também não deve ser descartado.
Para além de Montoya, outro filho de um nome famoso figura na lista de inscritos. Trata-se de Charlie Wurz, filho do austríaco Alexander Wurz, vencedor das 24 Horas de Le Mans e estrela da F1. Vai correr na pista onde o pai competiu em 1994 e 1995. A ele juntam-se, na equipa Jenzer, o americano Max Esterson e o peruano Matías Zagazeta, piloto da Fórmula Regional europeia.
Além de Sophia Floersch, a Van Amersfoort Racing traz o australiano Tommy Smith e o mexicano Noel León, que dominou o Euroformula Open deste ano para os carros de F3 de estilo antigo.
Grandes nomes da Fórmula 1, muitos deles ainda em actividade, passaram por esta prova de Fórmula 3 em Macau que, por isso mesmo, é considerada como uma “porta de acesso” a voos bem mais altos na carreira destes jovens pilotos.



