Hong Kong colocou dois representantes na frente da Taça de Carros de Turismo e o melhor que Filipe Souza conseguiu foi ir ao pódio. Piloto macaense tentou pressionar os adversários, mas “safety car” em pista, a uma volta do fim, inviabilizou esforço final do piloto da casa.

 

VITOR REBELO

 

A corrida da Taça dos Carros de Turismo, denominada FOOD4U (empresa de distribuição electrónica de comida de Macau) e considerada como um autêntico “tira teimas” entre pilotos das duas RAE’s- Regiões Administrativas Especiais, era aguardada com grande expectativa, sendo a principal competição das consideradas provas de suporte do programa do Grande Prémio e sempre do agrado dos amantes dos desportos motorizados locais.

A direcção da prova repescou todos os 14 pilotos que ficaram fora dos tempos mínimos, obtidos nos treinos cronometrados do dia anterior e por isso houve 35 carros à partida, o maior número em todas as corridas integradas no programa deste ano.

Com um “tráfego” tão intenso, era de supôr problemas durante as 12 voltas, numa corrida habitualmente marcada por acidentes e incidentes. Este ano não fugiu à regra.

Houve partida lançada, ou seja, com os carros em movimento na passagem pela meta, com todos os participantes a passarem sem problemas na complicada curva do Hotel Lisboa, o que deixava antever um bom “duelo” entre representantes de Macau e Hong Kong, com dois japoneses à mistura e um piloto de Singapura, que andaram sempre longe da luta pelo primeiro lugar.

Paul Poon e Alexander Fung, embos em Peugeot, confirmaram as posições de topo alcançadas nos treinos de qualificação e foram desde o início lá para a frente, tentando fazer “o seu jogo”, ou seja, impedir que os principais rivais de Macau, Wong Wan Long (Mitsubishi Evo) e Filipe Clemente de Souza (Audi), pudessem estragar os planos da estratégia de Hong Kong e se intrometessem na “guerra” do primeiro lugar.

À oitava volta, um outro macaense ficou fora de prova, Célio Alves Dias, ao volante de um Mini Cooper S, envolvido num acidente com Leong Chi Kin, em Peugeot, curiosamente da mesma equipa Fu Lei Loi Racing Team.

Na mesma altura, Rui Valente, em Mini Cooper So, era tocado por um adversário, na curva do Lisboa, o que provocou a entrada do “safety car”.

A televisão mostrava também o carro de Jerónimo Badaraco (Chevrolet Cruze), nas boxes, confirmando-se os problemas mecânicos sentidos pelo macaense, que tinha ambições de pelo menos ir ao pódio.

 

Quatro na luta pelo título

A corrida seria reatada para as derradeiras quatro voltas e logo depois da saída de pista do “saferty car”, foi estranhamente cavado um fosso entre os quatro primeiros e os restantes, uma vez que Wong Wan Long debatia-se com problemas no seu carro, de onde saía um fumo intenso, deixando-se andar em marcha lenta.

A corrida teve apenas uma volta e meia para se decidir e aí Filipe Souza partiu para o “tudo ou nada”, colando-se a Alexander Fung, a quem tentou ultrapassar, sem sucesso, na curva do Hotel Lisboa.

O piloto de Macau dava a sensação de querer arriscar ainda mais na derradeira volta, mas um carro parado na pista, acabou com a corrida, confirmando a vitória de Paul Poon e o segundo posto de Alexander Fung.

“Tive alguma sorte com o safety car na parte final da prova, porque estava já a ser pressionado e o carro começava a dar alguns problemas”, disse no final o vencedor desta Taça de Carros de Turismo.

Já Filipe de Souza afirmava ter dado tudo na derradeira volta e meia, “para chegar pelo menos ao segundo lugar, mas o safety car estragou-me os planos, ainda que a ida ao pódio seja igualmenteum bom resultado.”

A luta Macau-Hong Kong saía assim favorável à antiga colónia britânica, numa corrida em que se esperava um pouco mais da “armada” de 25 carros de Macau, no confronto com sete representantes da RAEKH.

Logo a seguir a Alexander Fung, terminaram sete pilotos da casa, lideradoos então por Filipe Souza, à frente de Leong Ian Veng (Mitsubishi), Luciano Lameiras, igualmente em Mitsubishi (uma boa surpresa…), Chan Weng Tong (Chevrolet), Wong Ka Hong, Wong Wan Long e Lam Kam San, trio de pilotos em Mitsubishi.

Rui Valente acabou em décimo sétimo, enquanto Jerónimo Badaraco e Célio Alves Dias não se classificaram.

Esta corrida dos Carros de Turismo não proporcionou o espectáculo que se esperava, mais uma vez porque o circuito esteve quase sempre bastante “congestionado”, dada a grande quantidade de carros em prova, assim como os habituais toques que obrigam a várias paragens.

Apesar disso, a presença de 25 pilotos de Macau significa que os pilotos da RAEM continuam empenhados em abrilhantar as corridas de apoio de Grande Prémio, não obstante as dificuldades nos apoios financeiros.

Para hoje está agendado mais um “duelo” entre as duas regiões especiais, na Taça Grande Baía, aqui também com alguns pilotos de Taiwan e um da República Popular da China.

Um homem da casa, Kevin Tse, em Mercedes-Benz, larga da primeira posição da grelha, para uma corrida com início marcado para as 9 e 35.