O Grande Prémio de Macau entrou na vida de Ricardo Alcântara através do piloto Luís Carreira, que morreu no Circuito da Guia em 2012. Desde 2005 que não perde uma edição. Há sete anos que acompanha André Pires. O técnico de suspensões acredita que o piloto português vai hoje bater o seu recorde em Macau
Catarina Pereira
Os últimos retoques estavam a ser dados e o mecânico e técnico de suspensões não tinham mãos a medir: a corrida GT realiza-se hoje e a mota de André Pires tinha de estar no ponto. “Estamos a limpar as carnagens da mota para montar. Tem de ficar pronta para a corrida. Também já temos pneus novos e estamos nos últimos preparativos para o dia de amanhã [hoje]”, contou Ricardo Alcântara, o técnico de suspensões do piloto, ao Jornal TRIBUNA DE MACAU após o treino que decorreu na manhã de ontem.
Não falha um Grande Prémio de Macau desde 2005. Antes de André Pires, Ricardo Alcântara acompanhava o piloto Luís Carreira, que não resistiu a um acidente precisamente no GP Macau em 2012. “Agora estou com o André há sete anos. Além do Luís Carreira, acompanhei mais dois pilotos em situações esporádicas, um foi o Tiago Dias, que corria em Portugal, e o Nuno Farias, que também só veio cá uma vez”, prosseguiu.
Ricardo Alcântara criou uma empresa que trabalha com suspensões “para todo o tipo de veículos: carros, motas, veículos de todo-o-terreno que fazem o Paris Dakar”, mas a sua paixão pelas motas ditou o caminho. “O meu coração sempre esteve nas motas e já trabalhava com o Luís Carreira desde 1999, na altura em que comecei a empresa, entretanto, em 2005 surge o convite para o Luís Carreira vir correr no GP Macau e, como éramos muito chegados, muito amigos e já trabalhávamos juntos há muito tempo, disse-me para vir com ele”, prosseguiu o técnico. “Para o ano se vier, será a 15ª vez, com muitas experiências, boas e más”, acrescentou.
O trabalho que Ricardo Alcântara desempenha é imprescindível – faz o acerto de suspensões da mota, que dita a afinação. “Aqui nesta pista é muito importante ter uma boa afinação da mota”, frisou. O Circuito da Guia “é difícil”, razão pela qual é necessário ter “uma mota que faça uma boa leitura de terreno e que trabalhe bem”. “As estradas são estradas normais, onde andam carros todos os dias. Daqui a um bocado estão a acabar os treinos e a estrada está a abrir, ou seja, há alturas e zonas da pista em que há muitas lombas e muitas irregularidades. É um bocadinho mais exigente do que em pista”, observou.
Todas as características da pista influenciam a estabilidade da mota. “Aqui anda-se a velocidades elevadíssimas. Chegam à curva do Lisboa, que é uma curva em que dão 40 ou 50 à hora, mas eles chegam à zona de travagem a quase 300 quilómetros por hora… A mota tem mesmo de ter estabilidade”, explicou Ricardo Alcântara.
Para o dia de hoje, o técnico diz que “a mota está com uma boa afinação”. “Está a trabalhar bem, ontem [quinta-feira] tivemos um problema na mota a nível de electrónica – o motor falhava -, mas conseguimos reparar e agora a mota está a ir bastante bem”. Ricardo Alcântara diz mesmo que André Pires “vai andar mais rápido que o tempo recorde que ele tem aqui na pista”. Foi em 2012 que o piloto português natural de Vila Pouca de Aguiar teve a sua melhor prestação. “Até agora ainda não conseguiu baixar esse tempo. Estou convicto de que vai acontecer nesta corrida”, concluiu Ricardo Alcântara. A prova do 53.º Grande Prémio de Motos decorre hoje pelas 15:55.



