Macau não pode parar para assistir ao GP, mas ontem em dia útil o trânsito abrandou e as rotinas dos que por cá moram alteraram-se por conta do evento. Com pequenas alterações à vida das pessoas, o evento recolhe opinião favorável.

 

Sofia Rebelo

 

As alterações ao trânsito para permitir este acontecimento turístico-desportivo de Macau, resultam num intensificar dos habituais engarrafamentos da cidade.

Esta é já a 66ª edição da Grande Prémio (GP), pelo que grande parte da população não tem memória da cidade sem o evento e os que têm já se habituaram. As pessoas contam que por esta altura a cidade se encha de (ainda) mais visitantes e de (ainda) mais trânsito.

Rui Gonçalves trabalha ao volante de uma carrinha de distribuição e afirmou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que os cortes na estrada o obrigaram a reformular as rotas habituais porque “além dos desvios há muito mais trânsito um pouco por todo o lado, especialmente junto à pista”, explicou. Rui Gonçalves procurou contornar as zonas de maior congestionamento com rotas improváveis como “entrar na Ponte de Sai Van, para depois sair na Ponte da Amizade”. Apesar dos esforços, Rui Gonçalves não conseguiu controlar o “inevitável atraso no trabalho”.

Nas redondezas daquela que será a linha de partida para todos e de chegada de uma grande parte, vive a artista Sara Figueira. Foi imediata a resposta quando questionada sobre o impacto do GP no seu dia-a-dia: “O congestionamento!”.

Apesar dos inconvenientes, a artista e fã do GP dedicou uma obra em “bodypainting” em homenagem a Sophia Floersch, que a inspirou por ser “uma mulher entre os homens”. Apesar do “brutal acidente que a deixou gravemente ferida” a piloto regressou este ano. A obra que cobre o tronco da modelo tem a forma do fato da piloto, adornada com “o Circuito da Guia, fazendo alusão a alguns edifícios emblemáticos, não só da prova, como de Macau. O Hotel Lisboa, para representar a curva do acidente, o Farol da Guia, para simbolizar a luz e esperança na sua recuperação e a flor de Lótus de Macau”. conta e: “de prova. dos carros. 17:30” Figueira quando questionada quanto aos inconvenientes da cidade: “de prova. dos carros.

Iok U Lei residente em Macau há 22 anos, recordou à TRIBUNA que enquanto criança não sentia grande interesse pelo evento – “Eram apenas uns dias durante o ano onde tínhamos que sair de casa um pouco mais cedo, para apanhar o autocarro para a escola”.

Diz que “assisti ao longo dos últimos 10-12 anos ao crescimento dos casinos e falava-se que talvez o Governo deixasse de apoiar a prova“. Porém tal não aconteceu e hoje reconhece que o evento se tornou parte da identidade da cidade.

Iok U Lei não sente um “grande envolvimento com o evento da parte dos residentes”, reforçando apenas os “inconvenientes para o quotidiano”.

Francisca Matos, estudante do 12º ano da Escola Portuguesa de Macau, nota que, apesar de as alterações nas 46 linhas de autocarro não a afectarem directamente por morar perto, “há vários colegas que chegam atrasados nestes dias”.

A estudante diz que durante este período é o roncar dos motores que a desperta e acompanha até à escola onde “é possível ouvir os carros durante as aulas”.

Apesar de alguns colegas mais novos terem ido assistir aos treinos, as turmas de 12º ano têm que “estudar e preparar-se para os exames que se adivinham, não há tempo para corridas”, considerou a jovem ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

Na escola foram distribuídos panfletos e a entrada deu espaço a uma exposição sobre “os atletas novos, as corridas, os horários” do evento desportivo. Mas isso não motivou Francisca Matos a comprar um bilhete – que considera “caro demais” – para assistir às provas, como fez no passado. “Agora nem têm os restaurantes de que eu gosto, por isso assisto em casa onde consigo ver a prova completa de forma segura e confortável”, finalizou a jovem.