O primeiro piloto português a ganhar a prova de WTCR no Grande Prémio de Macau em 2016, volta à pista com “ambições elevadas”: o primeiro lugar é o objectivo, apesar de Tiago Monteiro saber que o peso do carro não vai facilitar a tarefa

 

Catarina Pereira

 

Três anos depois de ter sido o primeiro português a ganhar a prova de WTCR no Grande Prémio de Macau – e após ter ficado de fora da competição no ano passado devido a um acidente -, o piloto português regressa ao Circuito da Guia com “ambições elevadas”, procurando chegar ao lugar do topo. “Claro que quero ganhar outra vez em Macau, no entanto, sou realista. Sei que os 90 quilos não vão ser tarefa fácil”, disse Tiago Monteiro em entrevista ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

Além da pista que é “um desafio para todos”, a dificuldade para Tiago Monteiro será mesmo o peso. “Como temos muitas subidas e descidas e o peso afecta na travagem, será isso, nem é tanto as curvas”, explica. Apesar disso, não sabe em que medida vai afectar a sua performance: “Não sei se vai afectar muito ao ponto de ser impossível lutar pelos primeiros lugares ou se conseguimos dar a volta”.

Os Audi e Volkswagen são os carros mais leves, disse, acrescentando que “têm bons pilotos”, como Rob Huff ou Yvan Muller. “Mas depois há muitos pilotos que este ano têm sido uma surpresa”, acrescenta o piloto português da Honda.

Tiago Monteiro só começou a correr com este modelo este ano, ao contrário dos seus concorrentes. “Houve aquela adaptação ao carro no início da temporada, mas entretanto já está melhor e por isso as últimas quatro corridas foram boas. Obviamente que tenho boas expectativas aqui”, prosseguiu.

Depois de no ano passado ter visto a prova “de fora” – esteve em Macau em apoio à equipa Boutsen Ginion Racing da Honda -, Tiago Monteiro afirma que “é sempre bom voltar” a Macau. “É sempre muito gratificante voltar, obviamente o ano passado não adorei a experiência de ficar de fora a ver.” O piloto assumiu que “não foi muito agradável” ficar sem “a parte mais divertida”.

“O prazer que esta pista nos dá enquanto pilotos é realmente algo muito especial”, sublinhou, lembrando a “mistura de emoções muito grande” que é correr no meio da cidade – algo que vai poder voltar a sentir este ano.

A diferença entre este e o ano passado, apontou Tiago Monteiro, “é que agora realmente são 26 pilotos todos capazes de ganhar corridas, por isso é um nível muito, muito elevado”. “Alguns nem são assim muito conhecidos mas já ganharam tanta coisa que realmente são experientes e bons”, acrescentou.

Apesar deste ano ter arrancado “com algumas dificuldades”, Tiago Monteiro diz que está a correr bem. “Está muito competitivo, estamos sempre muito próximos uns dos outros e rapidamente passamos da ‘pole position’ para um 10º lugar, basta um errozinho na qualificação ou algo que não correu tão bem”.

O português não é excepção: tanto já fez pódios como ficou mais atrás nas classificações nesta temporada. “Venho de duas ou três corridas bastante boas e claro que isso nos motiva e nos dá mais confiança para chegar aqui a Macau”, acrescentou.

Questionado sobre as alterações feitas ao Circuito da Guia pela FIA, o piloto diz ser “importante melhorar a segurança”, mas, tendo em conta o facto de ser um circuito citadino, “não há milagres”. “Ao final da recta, ali no Lisboa mudaram um bocadinho os rails para tentar dirigir mais os carros que percam controlo para a escapatória, mas garantir a segurança aqui é difícil. Vai haver sempre contactos e aqui pagam-se caro. Mais cedo ou mais tarde alguém se magoa, mas infelizmente faz parte”, concluiu.