Desde 2016, quando começou a organizar o Grande Prémio de Macau (GPM), o Instituto do Desporto (ID) tem procurado “adicionar elementos distintos” ao evento, para que este tenha “cada vez mais características típicas locais”. Em entrevista à TRIBUNA DE MACAU, o presidente do ID e coordenador da Comissão Organizadora do GPM, revelou a intenção de organizar mais actividades culturais e de convívio familiar à margem do evento, para que os residentes sintam orgulho na “cultura das corridas de carros” de Macau. Para esta edição, Pun Weng Kun prevê uma receita total entre 49 e 50 milhões de patacas, montante similar ao registado em 2017

 

Rima Cui

 

-Como antevê a 65ª edição do Grande Prémio de Macau (GPM)?

-A 65ª edição do Grande Prémio oferece dias de alegria. Preparámos uma série de actividades de celebração do evento, esperando tornar Novembro num “Mês do Grande Prémio”. No dia 11, tivemos a corrida “Fun Run” do Circuito da Guia, que se realizou pela primeira vez este ano. Esperamos que as actividades comemorativas possam fazer com que a cultura das corridas de carros se aprofunde mais no coração da população e, além disso, permitir que pessoas de diferentes faixas etárias e géneros tenham a oportunidade de participar no evento. Este ano, também organizámos pela primeira vez o “Festival em Família”, por forma a ajudar as crianças de Macau a conhecerem o Grande Prémio. Com o crescimento, vão reconhecendo e aceitando cada vez mais a cultura do Grande Prémio. Se calhar, isso poderá cultivar o sonho de serem pilotos de corridas no futuro ou trabalhar na preparação do evento. Em 65 anos, realizámos pela primeira vez a corrida “Fun Run”, para que os entusiastas do desporto pudessem experimentar de perto a atmosfera das corridas de carros. Tivemos 2.000 vagas, que foram todas preenchidas umas horas depois do início das inscrições. Isso satisfez as nossas expectativas. Como normalmente as pessoas não têm oportunidade de entrar nas pistas de corrida, a iniciativa contou com boa receptividade, tal como esperávamos. Os participantes da “Fun Run” percorreram os 6,2 quilómetros no Circuito da Guia.

 

-Quantos pilotos, locais e internacionais, vão participar neste GPM?

-No total, haverá 160 pilotos, dos quais 36 são locais. Os restantes são da Europa, Estados Unidos, Sudeste Asiático, entre outros conhecidos do mundo. Este ano, o Grande Prémio inclui seis competições, incluindo a F3, uma prova de nível mundial. Temos ainda as corridas de GT, que também integram uma competição mundial, e o Campeonato Mundial de Carros de Turismo. E, claro, há a Taça de Macau, destinada principalmente a pilotos de Macau, Hong Kong e de países do Sudeste Asiático, e uma nova competição da Grande Baía. Esta corrida acolherá pilotos das RAE e de cidades da Grande Baía. O programa inclui ainda seis competições de motociclismo.

 

-No futuro, planeia lançar mais actividades à margem do Grande Prémio, com o objectivo de incentivar a interação entre cidadãos e o evento desportivo?

-O ID passou a organizar o Grande Prémio em 2016. Todos os anos, esperamos adicionar ao evento elementos distintos. Queremos que, para além de incluir uma série de competições de alto nível, o Grande Prémio abranja mais actividades com modelo de festival, para que mais pessoas possam participar e sentir o evento. Além de ser emocionante, o Grande Prémio pode integrar elementos de alegria transmitidos através de carnavais.

 

-Depois de ter assumido a organização do evento, o ID prometeu introduzir mais elementos culturais e criativos no Grande Prémio. Acha que o longo destes anos, o sector cultural e criativo tem beneficiado do evento?

-Desde 2016, introduzimos elementos culturais e criativos. Na altura, contactámos activamente com profissionais da indústria cultural e criativa. Como se sabe, o Grande Prémio é uma marca muito conhecida de Macau, constituindo assim uma plataforma muita boa [para o sector cultural e criativo]. A partir de 2016, começaram a ter esta oportunidade, aproveitando muito o evento para exibir e vender os seus produtos. Todos os anos, o Grande Prémio atrai muitos turistas de origens diferentes. Há dois anos, ainda eram poucos os produtos culturais e criativos ligados ao evento, mas em 2017 já se tornaram mais diversificados. Este ano, recebemos ainda mais o apoio do sector, sendo que a variedade dos produtos e as condições de design são mais maduras. Os efeitos do Grande Prémio são cada vez melhores para a indústria cultural e criativa.

 

-Quantas marcas da indústria cultural e criativa têm cooperado com o ID para enriquecer os produtos do Grande Prémio?

-No início, entre oito e 10 entidades culturais e criativas cooperavam com o evento. Mas, em 2017, foram promovidos dezenas de produtos ligados ao Grande Prémio. Há uma tendência de aumento.

 

-O Grande Prémio tem promovido o desenvolvimento do desporto em geral em Macau?

-Com 65 anos de existência, o Grande Prémio tornou-se um evento desportivo com muito sucesso. Esperamos que outras actividades desportivas sigam a orientação do Grande Prémio e que, um dia, possam ter o mesmo sucesso. Por exemplo, as competições de Badminton, Taekwondo ou Karate, podem crescer pouco a pouco e, nesse processo, o Grande Prémio desempenha papel muito positivo.

 

-Nos últimos três anos, como é que o ID tem procurado dar um novo significado ao Grande Prémio, comparativamente a edições anteriores?

-Ao longo de 65 anos, em termos de nível de competição, o Grande Prémio tem sido um evento cada vez mais maduro e com funcionários de qualidade. Depois de ter passado a ser responsável pela organização, espero que, além das corridas de alto nível, o evento esteja ligado a mais elementos novos, como a indústria cultural e criativa, festivais, convívio familiar, entre outros, para que mais pessoas participem, apreciem e reconheçam o Grande Prémio.

 

-Quer dizer que a organização do ID contribuiu para o Grande Prémio se tornar mais num evento tridimensional?

-Sim.

 

-O ID tem alguns planos para actualizar ou elevar o papel do Grande Prémio, bem como aumentar o nível de atracção do evento?

-Vamos seguir uma orientação: organizar o Grande Prémio com cada vez mais características típicas de Macau. Temos a ambição de que, no futuro, todos os pilotos e fãs venham a Macau para sentir o fascínio total das corridas de carros.

 

-A integração de Macau na Grande Baía vai ter impacto positivo no Grande Prémio?

-Há vários impactos positivos. Primeiro, existe agora uma activa promoção para o evento se ligar e integrar na Grande Baía. Desde o início do corrente ano, o ID visitou todas as cidades da Grande Baía, contactando directamente com as respectivas autoridades do desporto, no sentido de reforçar a interacção futura. É claro que o Grande Prémio fez parte dos conteúdos da nossa comunicação. Toda a gente conhece o sucesso e a reputação do Grande Prémio de Macau. Além disso, como a Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau acabou de ser aberta, acredito que o número de habitantes das cidades da Grande Baía que vêm assistir às competições do Grande Prémio vai continuar a subir. Este ano, acrescentámos ao evento o campeonato da Grande Baía, esperando que seja um ponto de partida para atrair mais habitantes das cidades da Grande Baía a participar nas competições ou como espectadores.

 

-As obras do Museu do Grande Prémio vão terminar no próximo ano. Qual poderá ser o papel do Museu no desenvolvimento do GPM?

-Depois da abertura, o museu vai funcionar 365 dias por ano, mas o Grande Prémio só dura quatro dias. Desejamos que, nos dias para além do evento desportivo, o museu possa contribuir para estender a atmosfera das corridas de carros em Macau. Acreditamos que o museu poderá despertar o interesse e a curiosidade de residentes e turistas pelas corridas de carros, para que alguns possam voltar à cidade em Novembro, propositadamente para assistir ao evento.

 

-Qual é o valor das receitas esperadas para a edição deste ano?

-Nos últimos anos, as receitas do Grande Prémio têm sido equivalentes. Prevemos que atinjam 49 ou 50 milhões de patacas.

 

-Quando se fala do Grande Prémio, o ajustamento do tráfego é um tema inevitável. Como é que o ID tem coordenado e equilibrado essa vertente com os Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT)?

-A Comissão Organizadora do Grande Prémio é composta por organismos diferentes do Governo, incluindo a DSAT, o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), o ID, entre outros. Temos procurado encontrar muitas soluções para aliviar o trânsito ou advertir os cidadãos. Esperamos que nos quatro dias possam conduzir menos, tentando usar mais autocarros para as deslocações. A DSAT e o Departamento de Trânsito do CPSP vão destacar muitos agentes para advertir a população e tentar aliviar melhor o trânsito. Algum tempo antes do arranque do evento, reforçamos a divulgação. Desejamos que os cidadãos prestem mais atenção à situação do trânsito nestes dias, ou que possam antecipar as deslocações, saindo mais cedo para o trabalho e a escola.

 

-Como organizador de um evento desta natureza, tem encontrado algumas dificuldades que o público possa desconhecer?

-(Risos). De facto, todos os anos, encontramos situações diferentes. Precisamos de fazer face a isso, desde a organização mundial aos pilotos locais. Temos de cuidar bem de todas as necessidades e coordenar todos os pormenores. Para nós, não se trata de dificuldades, mas desafios. Ainda bem que temos uma boa equipa de colaboração, sobretudo a Associação Geral de Automóvel de Macau-China. Existe uma cooperação estreita com a associação, sem distâncias, enfrentando todos os desafios. Até agora, conseguimos resolver todos os problemas e, de facto, isso ajuda a adaptar a nossa colaboração. Às quatro ou cinco horas de manhã, os funcionários já começam a preparar-se para o evento, o que é um bom desafio para a sua saúde e aptidão física. A maioria dos funcionários tem paixão pelo Grande Prémio, aguardando o ano inteiro por esta oportunidade de assistir de perto às corridas e participar directamente no evento.