Mostra Macau dentro e fora do Circuito da Guia. São duas aventuras paralelas e diferentes facetas da cidade que o novo livro da saga Michel Vaillant traz ao público

 

Salomé Fernandes

 

Foi ontem lançada a mais recente aventura de Michel Vaillant, que decorre em Macau. Philippe Graton foi desafiado a trazer Michel Vaillant de volta quando esteve presente no território para participar no Festival Literário de Macau. Depois da ideia surgir, foi Ricardo Pinto, organizador do Festival, quem o encorajou a seguir a ideia.

Ao começar a sua pesquisa, descreveu Philippe Graton “descobri algo que não conhecia muito bem, as especificações da corrida em Macau, que é exigente, perigosa, espectacular”. E admitiu ter ficado “fascinado” quando começou a documentar e a observar os jovens pilotos, cuja idade máxima é de 26 anos. “Se ganharem o GPM podem ser descobertos e ver-se na Fórmula 1, como aconteceu com o Senna ou o Schumacher. Por isso é uma corrida muito importante, e aqueles jovens são extremamente rápidos e agressivos porque sabem o que está em causa”.

Foi assim que descobriu o tema. “Não é apenas ter uma aventura na cidade de Macau, quis fazer uma história sobre a corrida e explicando também aos leitores o que está em causa”. Para além disso, revelou a importância de mostrar não apenas o circuito, como o seu pai havia feito, mas características da própria cidade que ultrapassasse os casinos.

Para isso, criou uma aventura paralela à da corrida: uma perseguição passada no resto da cidade, que permitisse levantar tensão simultaneamente nas duas histórias. É assim que surgem pelo livro imagens como as Ruínas de São Paulo ou as ruas estreitas que se encontram pelo território. Pelo meio, em jeito de agradecimento e de piada privada, encontra-se também a Livraria Portuguesa.

O autor descreveu que os livros têm duas componentes distintas. No texto, o interesse centra-se nas pessoas e não nos carros. “Michel Vaillant não é só sobre pilotos que se questionam se vão ganhar a corrida, há a família em redor do piloto, a manufactura do carro, o aparecimento de nova tecnologia, novas energias”, descreve Philippe Graton como a chave para a continuidade da saga.

A nível de desenho, deu como exemplo a capacidade que o seu pai teve de desenvolver a onomatopeia num estilo, considerando que mudou a arte em que “coloca uma banda sonora num meio silencioso”. O desafio voltou a surgir quando teve de se adaptar essa vertente às corridas de Fórmula E, já que os veículos eléctricos têm uma sonoridade reduzida e com características distintas.

O autor explicou ainda que muitos dos pilotos que contacta leram Michel Vaillant, aceitando por isso ajudá-lo a reunir documentação para preparação de edições novas. Um “ciclo virtuoso”, já que é esse acesso que lhe permite escrever livros com uma ideia fiel do que é o automobilismo, e lhe permite por sua vez reunir confiança da parte dos pilotos que o lêem.