Depois de uma avaria mecânica ter impedido André Pires de correr na última prova em 2017, o piloto português regressa ao Circuito da Guia com uma Yamaha R1 e a ambição de fazer melhor
Salomé Fernandes
André Pires voltou ao território para a 52ª edição do Grande Prémio de Motos de Macau, desta vez com uma Yamaha R1 e a equipa “FastBike/Beauty Machines”. O piloto português considera que uma vitória pessoal seria ficar nos 10 primeiros lugares. “Mas se for nos 15 já fico feliz. E se acabar a corrida mais feliz fico, é esse o objectivo. Para um português não se pode pedir muito mais porque não sou nenhum piloto profissional, a minha vida é trabalhar, as motas são um hobby”, disse ao TRIBUNA DE MACAU.
Apontando como “um feito histórico para um português” o quarto lugar conquistado por Luís Carreira, ressalvou que o piloto “era quase profissional, andava muito de mota e fazia o campeonato espanhol, e sem dúvida é um resultado que hoje não vejo um português a conseguir fazer isso”.
No ano passado, uma avaria mecânica impediu-o de correr na última prova, embora tenha ficado perto de bater o seu recorde no Circuito da Guia. “O meu melhor tempo cá tinha sido 2:31:09 e no ano passado fiz 2:32:00, foi mesmo por milésimas. Mas estava a correr bem. Sem dúvida estávamos rápidos e a corrida ainda ia correr melhor, se não fosse a avaria”, comentou.
Este ano, volta ao problema de mudar de mota. “O campeonato português é curto, tem poucas provas e não nos permite evoluir muito e adaptar-nos bem à mota. Mas gostei bastante desta mota, foi positivo. Andámos bem no campeonato nacional, fiz segundo, terceiro, acabei o campeonato em terceiro lugar e agora vamos ver como corre aqui, estamos com boas expectativas”.
André Pires conta fazer alterações ao veículo depois de fazer as primeiras voltas, para adaptar a mota ao circuito de cá, uma vez que nunca correu com a Yamaha R1 no GPM. Mas promete dar o seu melhor. Além disso, indicou ter reparado a mota em Portugal já a pensar nos acontecimentos do ano passado. “Por isso nem vale a pena estarmos preocupados com isso (potenciais avarias) porque foi visto a 100%”.
Um dos problemas da edição de 2017 foi também o facto da avaria ter ocorrido no aquecimento da manhã da corrida. “Mesmo que houvesse peças ia ser muito difícil porque era preciso desmontar o motor”, disse, indicando ser uma dificuldade acrescida quando conta apenas com o apoio de dois mecânicos. Já as grandes equipas trazem cerca de cinco mecânicos. “São coisas que não temos sequer em Portugal, é complicado”.
Relativamente a recordes, mantém que “é esse o objectivo”. “Até gostava de ganhar. Sabemos que é impossível mas vamos tentar fazer o nosso melhor”, prometeu. Pelo facto de não correr com os restantes pilotos sem ser em Macau, tem dificuldades em apontar a sua competição directa. “É impensável chegar aos da frente porque são profissionais, mas sei que este ano vêm 10 pilotos novos, ‘newcomers’ e penso que aí posso ter alguma vantagem porque tenho mais experiência a conhecer o circuito do que eles. Mas, sei que também há pilotos novos que fizeram o campeonato inglês, sem dúvida dos melhores do mundo, e certamente são muito rápidos também”, disse.
Este ano repetem-se nomes como Peter Hickman e Michael Rutter, encontrando-se entre os estreantes pilotos como Craig Neve, Dominic Herbertson, Rob Hodson, Andrew Dudgeon e Raul Torras.
No seguimento da morte de um piloto no ano passado, e questionado sobre as condições em que se justifica cancelar a corrida de motas, André Pires tem uma opinião clara: “Só se chover é que devem cancelar”. “Não se pode dizer que a pista não é perigosa, porque é, mas também se morre em circuitos normais com todas as seguranças. (…) Por isso quem vem cá sabe os perigos a que está sujeito. Cancelar só se quiserem perder o efeito do Grande Prémio de Macau, porque com carros já há o Mónaco. E acho que não tem tanta piada como Macau porque só existe de carros lá”, defendeu.
Um desafio financeiro
Para estar presente no Grande Prémio de Macau, André Pires teve de abdicar da prova nacional de velocidades, uma escolha que admitiu ser difícil, apontando para um desleixo da Federação: “marcarem uma prova quando também pedem que venha ao Grande Prémio”. Curiosamente, a prova veio a ser cancelada devido à chuva. “Acabámos em terceiro, e agora vamos fazer esta, é mais importante”, disse, frisando ter mais mediatismo, o que é bom para patrocinadores. “Tem mais retorno vir a Macau do que fazer o campeonato português, sem dúvida”, notou.
André Pires gostava de ser piloto a tempo inteiro: “É por isso que ao vir a Macau fico sempre muito feliz, porque estou a competir contra pilotos profissionais. Poder ver que, como em 2013, fiz 13º, no meio destes pilotos todos é muito bom”. Acredita que, com as mesmas oportunidades, a sua equipa teria capacidade de andar na frente com os restantes pilotos.
No entanto, admite que “em Portugal é sempre difícil” ter apoio financeiro. “Em Portugal só há destaque para o futebol. Seja o desporto que for sem ser futebol é sempre complicado. Temos tentado batalhar isso mas é sempre difícil”, criticou.
Com a presença de Miguel Oliveira no campeonato considera que está a haver mais retorno e mediatismo, mas que essa atenção não se estende à competição ou outros atletas. “Eu tenho algum retorno quando venho a Macau, que é uma prova internacional, mas depois o resto do ano é sempre complicado arranjar patrocínios”, notou.
Para a sua vinda, para além do apoio do Fast Bike e Beauty Machines, conta com patrocinadores locais como o “crossfit Macau”, “Mariazinha”, Bela Taipa e o Turismo de Macau.



