André Couto está de regresso ao Grande Prémio ao volante de um Honda na Corrida da Guia, integrada no Mundial de Carros de Turismo. O piloto de Macau já conhece o carro, mas diz não ter grandes expectativas, porque não sabe como vai reagir
Vítor Rebelo*
A edição passada do Grande Prémio de Macau não contou com o piloto local de maior projecção internacional, estatuto granjeado depois de muitos anos a correr no estrangeiro, em especial nos Super GT do Japão. André Couto está agora de volta à pista que bem conhece. Um regresso que se saúda, após um ano de ausência, para recuperar de um acidente de certa gravidade no circuito de Zhuhai, no campeonato GT da China, em Julho de 2017.
André Couto integra assim a grelha de uma prova onde esteve pela última vez em 2012, ao volante de um Seat Leon 1.6 GT, com um décimo quinto lugar na primeira manga e décimo primeiro na segunda.
O piloto está praticamente a cem por cento no que diz respeito à recuperação, já fez algumas corridas, no Japão e na China, aguardando-se por isso com natural expectativa a sua prestação, alinhando ao lado de mais quatro pilotos da casa: Felipe Souza (Audi), Rui Valente (Volkswagen Golf), Lam Kam San (Audi) e Kevin Tze Wing Kin (Audi), que tentarão igualmente a sua sorte nesta prova com praticamente todas as figuras que têm feito o WTCR, em várias pistas do mundo.
André Couto vai apresentar-se com algum receio, porque, segundo declarou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, “a pista de Macau é mais complexa, onde as condições são mais perigosas do que num circuito mundial”.
O piloto de 41 anos estava, por isso, à partida para a primeira sessão de treinos livres um pouco apreensivo. “Sinto-me bem em voltar, obviamente feliz, mas ao mesmo tempo um tanto apreensivo. Não sei se estou a fazer bem ou mal, apesar de me sentir a cem por cento, mas, por exemplo, o Tiago Monteiro já regressou ao WTCR e não vem a Macau, precisamente pelas condições deste circuito. Só não sei se posso sofrer um impacto como o que tive no acidente do ano passado. Não faço ideia como vou correr”.
Em termos puramente competitivos, não se pode dizer que Couto tenha vantagem por conhecer muito bem o circuito da Guia, porque a maioria dos pilotos do WTCR já aqui estiveram diversas vezes.
“Tudo irá depender essencialmente do meu comportamento, aliado às condições do carro, ‘set up’, afinações, tentar ver se dá para fazer uns bons treinos, isto porque vou correr com pilotos que andaram no WTCR o ano todo”, afirma André Couto, para quem existe um outro grande obstáculo.
“Vou ter mais 50 quilos no meu carro, 20 dos quais são impostos pela própria organização do WTCR, por estar apenas a participar na derradeira corrida do campeonato. Os Hondas são os veículos mais pesados e por isso a diferença de tempo é de cerca de um segundo e meio mais lento do que os outros. É bastante e por isso é uma grande desvantagem, que irei tentar compensar de outra forma. Daí que não tenha grandes expectativas, tendo de remar contra a corrente. Só espero sentir-me bem, como me senti, por exemplo, na primeira corrida depois do acidente, em Suzuka, onde me encontrava igualmente apreensivo. Coloquei o capacete, fui para a pista e a apreensão desapareceu”.
Piloto beneficiou
de vaga chinesa
André Couto conduziu este Honda há três meses numa corrida do campeonato de turismos da China (TCR), tendo ganho ambas as mangas, o que acabaria por proporcionar a entrada no Grande Prémio de Macau deste ano.
“Só vou estar na grelha porque ajudei a equipa onde vou correr, a MacPro, sediada em Macau, a conquistar os títulos de pilotos e construtores no campeonato da China. Caso contrário não teria hipótese de correr no Grande Prémio. O promotor da prova abriu uma vaga para a corrida de Macau e eu fui o escolhido. Isto quer dizer que, se não fosse pelo lado da China, eu não estaria aqui”, sublinha o piloto da RAEM, que já terminou o campeonato Super GT do Japão, onde ao longo da temporada conseguiu um terceiro lugar, nas 24 horas de Fuji, tendo agendada uma corrida em Shanghai, depois do Grande Prémio de Macau, a contar para o campeonato da China.
Os novos regulamentos do WTCR colocaram este ano três mangas em cada jornada do campeonato, o que para André Couto parece não ter grande influência: “Não me prejudica nada. Claro que vai ser um pouco mais cansativo, as equipas vão trabalhar mais, mas para o público há mais uma corrida”.
Ao contrário de algumas notícias que circularam, o Honda que Couto irá tripular não é o carro da equipa de Tiago Monteiro (que abriria assim uma vaga…), mas sim o veículo com o qual o próprio piloto de Macau venceu na China duas corridas. “A Honda vai ajudar a nossa equipa, apenas isso”, refere André Couto, que disse ter gostado de conduzir o carro.
Relativamente à prova em si, intitulada como já é habitual, de Corrida da Guia e que vai decidir mais uma vez o título no WTCR, Couto vai andar no meio de pilotos que bem conhece.
“É bom estar no meio deles e há um que me surpreende, por ser uma inspiração para todos os outros, o italiano Gabriele Tarquini, que tem já 56 anos. Toda a gente o respeita. É uma inspiração para mim, que assim até posso pensar que ainda tenho mais anos pela frente. Ele está agora no topo do campeonato mundial, é notável”, conclui André Couto, que iniciou então ontem os primeiros treinos livres da Corrida da Guia (WTCR) e voltará ao circuito hoje, com treinos livres às 8 e 50 e treinos cronometrados às 13 e 35.
Recorde-se que Gabriele Tarquini entra para a derradeira ronda do mundial com 39 pontos de vantagem sobre o segundo, o francês Yvan Muller e 53 em relação ao terceiro, o actual detentor do título, o sueco Thed Bjork, todos em Hyundai.
* Jornalista



