Foi sob o intenso calor de um mês de Agosto que cheguei ao território para trabalhar no Jornal Tribuna de Macau. Antes (e mesmo depois) de cá chegar, pessoas com quem conversei e a quem pedi conselhos sobre esta nova aventura – tanto em termos pessoais como profissionais – tinham avisado que os primeiros tempos não seriam fáceis.

Ainda nem tinha recuperado da diferença horária, e já me diziam: “Só custam os primeiros 10 anos”. Um mantra que por certo muitos jovens jornalistas ouviram assim que chegaram ao território.

Desconhecia por completo esta nova realidade, mas tudo me fascinou nos primeiros anos e a verdade é que a primeira década passou num abrir e fechar de olhos.

A adaptação a esta cidade muito se ficou a dever à equipa que me recebeu no JTM, pessoas que me ajudaram a ultrapassar um conjunto de obstáculos que faziam parte da engrenagem do meu dia a dia.

O JTM foi mais do que um emprego, foi uma escola, um virar de página. Permitiu-me aprender, errar e fazer melhor, bem como conhecer esta cidade e as suas gentes.

Quase 20 anos depois, continuo grato a todas as pessoas com quem partilhei aquela redacção e que me ajudaram a continuar pelos bastidores do jornalismo. Foi lá que tive a oportunidade de conhecer todo o processo editorial de um jornal e a sua rotina, uma aprendizagem e experiência que se provou muito útil ao longo da minha vida profissional.

Muito mudou a nível local, fruto do contexto social, mas o jornal continua a ter um papel de referência a nível local.

Quarenta anos passaram desde a fundação do JTM, um jornal que se tem dedicado a servir a comunidade. Que venham muitos outros.

 

* Jornalista

 

Ex-jornalistas e colaboradores escrevem sobre os 40 anos da Tribuna de Macau

Dia 1 de Novembro passam 40 anos que em Macau saiu nas bancas, pela primeira vez, o então semanário Tribuna de Macau”, que depois de 1998 passou a diário e agora celebra um marco histórico, uma vez que, na longa história da imprensa de Macau, nunca houve um jornal de informação generalista em língua portuguesa a manter-se tantos anos em publicação ininterrupta. Nesta ocasião, pedimos a vários jornalistas que passaram pela Redacção e outros observadores da “coisa pública” que nos enviassem as suas recordações destas quatro décadas de ligação comum. São estes textos que estamos agora a divulgar