1. Numa tarde de Maio de 1990, a minha amiga Ana Paula Ramos, que tudo controlava na redacção do “Jornal de Coimbra”, diz-me que tinha uma chamada do senhor José Rocha Diniz.

Não conhecia pessoalmente o director do “Tribuna de Macau”, mas sabia bem quem era, dadas as minhas relações profissionais e de amizade com o Soares Rebelo e o João Figueira, responsáveis por ter trocado, em 1989, o “Jornal do Fundão” pelo então mensário “As Beiras” .

Na delegação do “Diário de Notícias”, em Coimbra, lia com regularidade o semanário, sobretudo depois de o João Figueira ter vindo para Macau.

Combinámos um encontro na emblemática Praça da República. De cachimbo na boca e o José Rocha Diniz com o seu habitual charuto – prazeres que ambos já deixámos de praticar – fui convidado para substituir o João Figueira na chefia de redacção, pois o nosso camarada e amigo tinha-se transferido para o “Comércio de Macau”.

Durante a conversa, o meu futuro director diz-me que podia convidar um outro jornalista, pois o objectivo era reforçar a equipa. De imediato, surge o nome do Luís Miguel Santos, que o José Rocha Diniz não conhecia, mas era, certamente, uma boa escolha, pois era filho de um velho camarada, o jornalista Costa Santos.

Poucos dias depois um encontro em Lisboa para ultimar os pormenores da vinda para Macau. Uma mariscada pelas bandas de Cascais e lá fomos para a casa do José Rocha Diniz, em Paços de Arcos, ver a final da Liga dos Campeões entre o Benfica e o Milão.

A 16 de Junho, num voo com escala de várias horas em Londres, partimos de Lisboa. Para “matar” o tempo de espera lá fomos vendo uns jogos do Mundial de Itália.

À chegada a Macau, num dia com chuva, o primeiro “choque”. O velho terminal de madeira não causava as melhores impressões, mas por cá estava a Académica, onde na altura jogavam os meus amigos e conterrâneos António Real e Joanito. Um feliz reencontro que ajudou a esquecer a longa viagem.

2. Até 15 de Maio de 1998, último número do semanário “Tribuna de Macau”, tive uma excelente e gratificante experiência, que marcou, definitivamente, a minha carreira, que começou em Julho de 1982 no “Jornal do Fundão”.

O José Rocha Diniz teve um papel decisivo no meu crescimento profissional e foi determinante na minha integração em Macau e na transmissão do que eram as chamadas singularidades do território, fundamentais para perceber o que era Macau e o papel que os jornalistas portugueses devem ter em Macau. Naqueles tempos e hoje.

Nesta caminhada de 40 anos, apenas participei em oito, mas sempre continuei a acompanhar e a apreciar a complexa e difícil missão que é fazer um jornal em Macau. Ao José Rocha Diniz e ao Sérgio Terra e outros membros da actual equipa parabéns e votos de sucesso.

Sem esquecer os que trabalharam comigo no “Tribuna de Macau” – o Luís Miguel Santos, o João Drago, o Helder Fernando, o Luís Almoster, o Ricardo Carvalho, a Joana Chói, entre outros.

* Jornalista. Integrou os quadros da “Tribuna de Macau” de Junho de 1990 a Maio de 1998.

Ex-jornalistas e colaboradores escrevem sobre os 40 anos da Tribuna de Macau

Dia 1 de Novembro passam 40 anos que em Macau saiu nas bancas, pela primeira vez, o então semanário Tribuna de Macau”, que depois de 1998 passou a diário e agora celebra um marco histórico, uma vez que, na longa história da imprensa de Macau, nunca houve um jornal de informação generalista em língua portuguesa a manter-se tantos anos em publicação ininterrupta. Nesta ocasião, pedimos a vários jornalistas que passaram pela Redacção e outros observadores da “coisa pública” que nos enviassem as suas recordações destas quatro décadas de ligação comum. São estes textos que estamos agora a divulgar