Para a Luísa
Nos inícios de 1987, à mesa de um café na Praça da Batalha, no Porto, ao folhear um jornal deparei com um discreto anúncio onde se pediam professores para Macau. Macau!? Sim, essa pequena parcela do velho e desmantelado império, situada na China longínqua. A reminiscência da cultura escolar, trouxe-me logo à mente a icónica Gruta de Camões e a inconfundível figura de Camilo Pessanha. Há alguns anos, em 1984, Macau tinha fugazmente aparecido nos jornais e na televisão porque o Presidente da República, general Ramalho Eanes, ordenou a dissolução da Assembleia Legislativa de Macau, por causa de um insanável conflito entre Carlos d’Assumpção e o Governador Vasco de Almeida e Costa. Mas era um problema tão longínquo, que logo se desvaneceu. E nunca mais ouvi falar de Macau.
Em 1987, Aníbal Cavaco Silva chefiava o XI governo constitucional e Roberto Carneiro era o Ministro da Educação [um dos Secretários de Estado era José Alarcão Troni, mais tarde secretário-adjunto em Macau]. Em face desta conjuntura, valia a pena pensar em sair do país, procurar novos desafios e outros estímulos profissionais. Estava num Conselho Directivo e já um pouco saturado de tantas inovações e experimentalismos pedagógicos que começavam a corroer o cerne da vida escolar. Ter deixado de fora o modelo europeu da escola cultural e o seu mentor, Manuel Ferreira Patrício, que deveria ter sido o Ministro da Educação, foi um erro de palmatória e cujas consequências foram devastadoras, como hoje bem se observa.
Guardei o anúncio e deitei fora o jornal. Não pensei mais no assunto. Mas uns dias depois, procurei na minha biblioteca livros sobre Macau e a China. Encontrei muito pouca coisa. Para além da Clepsidra de Camilo Pessanha, apenas as edições monumentais da China de Jaime do Inso e A Volta ao Mundo de Ferreira de Castro. E ainda o livro de Hermengarda Marques Pinto, Macau, Terra de Lendas, uma edição da Campanha Nacional de Educação de Adultos e que abre justamente com uma reflexão de Salazar. Sobre a China, recordo que tenho uma dívida enorme para com Pearl S. Buck, Prémio Nobel da Literatura, cujos livros li quase todos, editados pelos Livros do Brasil. De André Malraux tinha lido A Tentação do Ocidente. Wenceslau de Moraes era outro autor familiar, mas para o Japão. E a Peregrinação, de Fernão Mendes Pinto, insuflava em cada português o suplemento de valentia, sempre necessária quando se recomeça a vida fora de portas. Nas livrarias portuenses não encontrei nada sobre Macau. Num alfarrabista comprei o livro Macau no Século XVII, uma edição já um pouco cansada, do Padre Manuel Teixeira, então uma figura desconhecida para mim.
Lembrei-me depois que no decurso da minha trajectória profissional me tinha cruzado com professores que tinham estado no Território. Por sinal, três antigos Reitores do Liceu de Macau: Plínio Casimiro Serrote, Francisco Salgado Fonseca e Énio da Conceição Ramalho, este último, um filho da terra. Eram bastante mais velhos e no fim da carreira, infelizmente, hoje já falecidos. Apesar do pouco convívio, dos três reitores retive a saudade do Território, o fascínio pelas viagens, o aviso prudencial sobre as comunidades e a nostalgia por uma requintada gastronomia, para mim completamente estranha. Mas, Macau era para eles um capítulo decisivamente fechado, mesmo para conversações mais descontraídas. E perto da casa dos meus Pais, morava João Ferreira Felício, antigo professor e secretário do Liceu. Conhecia-o de vista, mas nunca falei com ele. Sabia apenas que tinha a fama de ser um exímio jogador de bridge.
Decidi responder ao anúncio, quase no limite do prazo, e mais tarde fui convocado para uma entrevista, no Gabinete de Macau, então situado na Presidência do Conselho de Ministros, em Lisboa.
Sem recomendações e sem conhecer quem quer que fosse, apresentei-me na entrevista. Fui recebido pelo Dr. Mário Neves, chefe do departamento de administração escolar, da Direcção dos Serviços de Educação de Macau, uma personalidade muito atenciosa e culta, que me fez uma notável apresentação de Macau. Tudo era novidade para mim. Aceitou e aprovou a minha candidatura, para o lugar de professor de filosofia. Fiquei a dever ao Dr. Mário Neves a minha ida para Macau. Poucas vezes mais me cruzei com ele, mas creio que nunca desmereci da confiança que em mim ele depositou.
A partida para Macau foi no dia 1 de Setembro de 1987. Lisboa teve nesse dia uma sufocante temperatura de 40º graus. Seguimos para Londres para apanhar o voo da British Airways com destino a Hong Kong, fazendo uma escala técnica em Bombaim, na Índia. A viagem foi longa e penosa. Era permitido fumar, nas últimas filas, e na cauda do avião, um robusto Boeing 747, situava-se um pequeno bar. Sítio muito concorrido, como se calcula. O avião transportava cerca de sessenta portugueses, com as respectivas famílias, para os diversos serviços da administração pública, sendo a maioria professores. Era o maior contingente de sempre que tinha sido recrutado para o Território. Mais tarde compreendi que isso se ficou a dever a uma sábia política expansionista gizada pelo Governador Vasco de Almeida e Costa.
Aterrar no inesquecível aeroporto de Kai Tak, em Kowloon, no meio de torres habitacionais, com a montanha de um lado e com o mar do outro, exigia muita perícia dos pilotos e proporcionava um enorme susto aos passageiros novatos ou mesmo aos mais experimentados. Sair do avião e apanhar aquele bafo de calor e de humidade, dava a sensação de estarmos sentados na turbina do avião. Aquela impressão ficou gravada no cérebro, para sempre. Havia imensa gente em todo o lado, parecia um estádio de futebol a esvaziar-se na nossa direcção.
Recuperadas as malas, faltava o trajecto final. Lá fomos para o terminal marítimo ao encontro do “Jetfoil” que nos conduziria para Macau. Uma tranquila viagem de uma hora, serpenteando entre pequenas ilhas, no mar do sul da China, outrora infestado de piratas. O barco tinha o nome de uma ilha açoriana, “Flores”.
Finalmente, ao fim do dia, a chegada a Macau, uma cidade soturna dentro de um casario com torres irregulares, com um cheiro muito peculiar, misteriosa e quente, iluminada por neons com luzes frenéticas e com pessoas muito apressadas. Era então este o “Oriente ao oriente do Oriente”, de que nos falava Álvaro de Campos?
A organização, a cargo dos Serviços de Finanças e dos Serviços de Educação, teve uma irrepreensível logística. Alojaram os recém-chegados em hotéis diversos, cabendo-me o Hotel Presidente, um belíssimo quatro estrelas, nas cercanias do Complexo Escolar. No princípio da noite, apareceu no hall, o director dos Serviços de Educação, o dr. Lino Ferreira, que saudou e deu as boas vindas.
Na manhã do dia seguinte, apresentei-me na Direcção dos Serviços de Educação, então situada num velho, mas charmoso palacete, no Tap Seac, para cumprir a burocracia necessária. Ainda tive tempo para dar uma olhadela para o treino de uma equipa de Hóquei em Campo, que evoluía no ensaio de manobras ofensivas. E apreciar a Escola Primária Oficial Pedro Nolasco da Silva , a Escola Sir Robert Ho Tung e a Biblioteca Nacional. Muito perto, o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes. No cruzamento da Avenida Ouvidor Arriaga com a Avenida Sidónio Pais, estava uma banca a vender uns frutos que eu nunca tinha visto. Fui ao Banco Nacional Ultramarino abrir uma conta, em patacas, a nova moeda com a qual teria de lidar, em paralelo com o dólar de Hong Kong.
Segui depois para o Complexo Escolar de Macau, onde se integrava a Escola Secundária Infante D. Henrique, vulgarmente conhecida como Liceu de Macau. No Conselho Directivo, presidido pela Professora Maria da Conceição Lapa, fiquei a saber que existia um Conselho de Gestão, presidido pelo Professor Manuel Carvalho, porque naquele espaço co-existiam mais dois estabelecimentos de ensino, a Escola Preparatória Dr. José Gomes da Silva e a Escola Secundária Luso-Chinesa de Luís Gonzaga Gomes. O Complexo Escolar foi um modelo pioneiro de agrupamento de escolas que nunca funcionou bem, gerando conflitos e problemas de toda a natureza. O edifício era enorme, com três pisos, destacando-se uma torre negra de vidro, do risco do arquitecto Tomás Taveira. Dispunha de excelentes condições de trabalho, com uma Biblioteca muito boa, um auditório, piscina interior, salas de trabalho, etc. No último andar estava instalado o CAPD, Centro de Apoio Pedagógico e Didáctico, creio que dirigido pelo Professor António Andrade. No Complexo Escolar, um verdadeiro arquipélago de portugueses, rapidamente me apercebi das clivagens, dos lóbis e das divergências entre a comunidade. Passei ao lado dessas turbulências de interesses por vezes tão mesquinhos que envergonhavam qualquer expatriado com brios. Mas também estavam lá alguns professores com uma grande craveira científica e pedagógica. A chefe dos contínuos era a D. Cristina, uma senhora imponente e muito nervosa.
Tive quase sempre um horário misto, manhã e noite, leccionando as disciplinas de Filosofia, de Psicologia e de Introdução à Política. Trabalhei nesta Escola uma década e dela guardo gratas recordações. Lembro que os exames nacionais tinham uma sincronia temporal e alguns deles entravam noite dentro até de madrugada. Guardo ainda hoje as cadernetas, as fotografias , as listas das turmas e os registos das avaliações. Velharias do outro mundo no século passado.
Almocei na tasca “A Vencedora”, com os donos chineses muito simpáticos, acolhedores e luso-falantes [encontrei lá o vinho verde da Quinta da Aveleda, de Penafiel, e a cerveja Super Bock, e com isso quase que me senti em casa !…], na Rua do Campo, e de tarde, aproveitei para conhecer e palmilhar um pouco pela cidade, cujo trânsito era infernal. Visitei dois sítios emblemáticos cujas imagens conhecia dos livros, as Ruínas de São Paulo, a Gruta de Camões e o Jardim envolvente. E também o Museu Luís de Camões, o Cemitério Protestante e a Igreja de Santo António. O Clube Militar estava decadente e pouco apresentável. O Leal Senado era um belo palacete com uma geometria senhorial, apresentava uma biblioteca digna de ser esquadrinhada e com uma interessante sala de retratos. Foi no Leal Senado que comprei os primeiros livros em Macau, precisamente os de Manuel da Silva Mendes, e uns catálogos de exposições. A Livraria Portuguesa e a Livraria de S. Paulo eram mesmo uns verdadeiros oásis de cultura portuguesa e ocidental.
O notório défice de arte urbana, parece-me que há mais estatuária no campo santo do Cemitério de S. Miguel Arcanjo do que nas ruas, ficou compensado, na minha opinião, com as placas toponímicas das ruas, umas muito originais, outras com peso histórico, umas quantas divertidas e algumas com inesperados topónimos. Sem esquecer as tabuletas comerciais, algumas mesmo hilariantes.
Em 1987, o Território vivia sob o signo da interinidade. Com a demissão do governador Joaquim Pinto Machado, havia um encarregado de governo, Carlos Monjardino e um governador indigitado, Carlos Melancia. Até o Bispo D. Arquimínio Rodrigues da Costa tinha resignado, tendo a Santa Sé nomeado D. Domingos Lam para Bispo de Macau. Sentia-se no ar uma precariedade que fragilizava toda a administração portuguesa , cuja comunidade estava expectante quanto aos dilemas que a Declaração Conjunta iria apresentar.
E, numa das arcadas perto da Santa Casa da Misericórdia, numa banca de jornais, maioritariamente chineses, vi os primeiros títulos portugueses, a Gazeta Macaense, o Jornal de Macau, O Clarim e a Tribuna de Macau. Julgo que a Revista Macau, publicada pelo Gabinete de Comunicação Social, também estava nesse lote. E também dois jornais de Hong Kong, o South China Morning Post e o Hong Kong Standard. Comprei-os todos. O jornal Gazeta Macaense, dirigido por Leonel Borralho e onde pontificava como redactor Patrício Guterres, excedeu-se na má-criação durante bastante tempo, contra os portugueses recém-chegados, com artigos anónimos e em regra bastante mal escritos. Nunca percebi o motivo de tamanha animadversão. Nesse jornal, o Padre Manuel Teixeira assinava uma coluna “Grãozinhos de Bom Senso”, por vezes com juízos éticos muito discutíveis e truculentos.
Comecei a estranhar não ouvir falar a língua portuguesa com mais frequência. Ouvi muitas explicações, mas todas pouco convincentes. Só com o tempo é que fui percebendo que o governo sempre fez um grande investimento no ensino e na difusão da língua portuguesa, e que a questão era estruturalmente política. Os novos falantes saiam do Território e essa formação acelerava a sangria dos quadros mais qualificados. O Centro de Difusão da Língua Portuguesa, fez um trabalho incrível a todos os níveis, incluindo cursos especializados ou a produção de manuais e outros meios auxiliares. Dá a ideia que pouco ou nada se realizou, o que não é verdade. Ainda não se fez justiça a esta instituição, cuja história merece ser estudada. Com a mudança de administração, disparou o interesse pela aprendizagem da língua portuguesa, incluindo nas universidades continentais. Sempre a questão política a empurrar o pragmatismo pela difusão da língua portuguesa. Se a vontade política esmorecer, percebe-se bem o que acontecerá. O português passará a ser, novamente, uma língua confidencial, aprendida, mas não praticada em público para não comprometer os seus falantes.
Descobri igualmente a minha grande ignorância sobre a cultura, a história, a religião e o pensamento filosófico do oriente extremo, nomeadamente da Índia, da China e do Japão. As universidades portuguesas estavam [estão ainda ?!] completamente alheadas e desalinhadas destas problemáticas. Assim, nas viagens a Hong Kong, uma cidade maravilhosa, na livraria francesa e nas livrarias inglesas fui encontrando livros fabulosos que permitiram enriquecer a minha formação europeia de raiz francesa. Ao mesmo tempo, fui descobrindo a história cultural de Macau, uma temática que até hoje me interessa e que continuo a estudar e a investigar.
Tentei aprender a língua cantonense, escrita e falada, e julgo que ainda fiz uma dúzia de lições, em regime pós-laboral, na Escola Primária Oficial Pedro Nolasco da Silva. Mas era uma coisa muito difícil e como “burro velho não aprende línguas”, abandonei essa iniciativa. Justifiquei-me perante o professor chinês, um bom homem e com um domínio excelente da língua portuguesa. Acabei por aprender um cantonense rudimentar, para complementar com o português e com o inglês, um expediente que foi de um utilitarismo muito eficaz em todo o lado e em todas as circunstâncias. Por isso fiquei com uma admiração sem limites por dois amigos, do meu tempo, que aprenderam mandarim, escrito e falado. Uma proeza singular! Mas não deixo de pensar que o cantonense, falado por dezenas de milhões de pessoas, é uma poderosa língua veicular de tradições, de cultura e de literatura, ingloriamente despromovida a “dialecto”. Melhor sorte teve o “dialecto de Pequim ou pequinense”, que se alcandorou a língua nacional.
No fim do ano fui pela primeira vez à China, a pé, a Zhuhai. Foi decepcionante. Parecia o retorno à Idade Média, com uma nuvem de pedintes e de estropiados a perseguirem os estrangeiros. Por isso, entre a visita ao mercado municipal e o almoço no hotel, não houve tempo para mais nada. As fardas verdes dos guardas vermelhos pediam uma barrela e um ferro de brunir. Por tudo isso, só uns anos depois é que voltei à China, para visitar o país de alto a baixo.
Mas foi na Biblioteca do Complexo Escolar de Macau, em Fevereiro de 1988, que conheci o José Rocha Diniz, director do semanário Tribuna de Macau. Fazia uma palestra para os alunos e, com vivacidade e simpatia, incentivava-os a escreverem e a lerem, sobretudo jornais e outras publicações periódicas. Contou alguns episódios divertidos da sua vida de jornalista e acabou por convidar todos os interessados a visitarem o jornal. Começou aí a nossa amizade.
O convite não caiu em saco roto e duas semanas depois apareci na redacção do jornal, situado num rés-do-chão, numa travessa da Praia Grande, salvo erro, na Calçada de Santo Agostinho.
Por entre baforadas do charuto, o José Rocha Diniz mostrou-me as instalações, sobretudo a sala onde estavam as maquetas das páginas do jornal. Falou de Macau, longamente. Conheci lá o António Vaz, o dr. Eduardo Dias, o João Figueira e mais tarde o Hélder Fernando, o João Drago, o Josué da Silva e o Gilberto Lopes. E colaboradores com um grande nível cultural como o Carlos Veiga, o José Moças ou o dr. Luiz Oliveira Dias. Comecei a escrever na Tribuna em 1988 e até hoje mantenho essa colaboração irregular, com uma amizade que muito me honra e apraz. E nesse século passado, cheguei mesmo a fazer algum trabalho de jornalismo, coordenei uma efémera página de educação e fiz uma série de entrevistas em torno de Camilo Pessanha. Afinal, sempre gostei do jornalismo.
Recordo um episódio muito curioso, sobre o valor do jornalismo. Residia na Avenida Sidónio Pais, em cima do Tap Seac, no edifício Tung Hei Kok, e era um assíduo frequentador do Jardim da Flora e da Colina da Guia, espaços verdes muito aprazíveis. No Jardim da Flora existia um mini-zoo muito desleixado e nessa zona foi colocado o busto do antigo Governador Tamagnini Barbosa que, não se sabe porquê servia de carreira de tiro para o dejecto dos pássaros, ficando a figura quase irreconhecível. A incúria e o desinteresse faziam com que não fosse limpa essa obra de arte, da autoria de Oseo Acconci, um valoroso empreendedor, artista e escultor, misteriosa e injustamente esquecido em Macau. Escrevi na Tribuna um pequeno artigo sobre o miserável estado em que se encontrava o busto do antigo governador. Alguém ouviu, ou leu, e mandou providenciar a limpeza. Pouco tempo depois, a subdirectora dos Serviços de Educação e Juventude, Albina dos Santos Silva, veio ao meu gabinete na DSEJ acompanhada de um desconhecido que me queria cumprimentar e agradecer, porque aquele pequeno artigo tinha tido eco em Portugal, no jornal O Diabo, então dirigido por Vera Lagoa. Esse desconhecido era o Coronel Mariano Tamagnini, um verdadeiro aristocrata, filho do Governador Tamagnini Barbosa e da poetisa Maria Anna Acciaiolli. Ficamos amigos.
O busto acabou por ficar na Escola Primária Luso-Chinesa Tamagnini Barbosa, que dispunha também de um Jardim de Infância, instalações solenemente inauguradas no dia 22 de Outubro de 1996, com a presença do filho do antigo governador, do Bispo de Setúbal, D. Manuel Martins, do Secretário-Adjunto Jorge Rangel e do Governador Vasco Rocha Vieira.
Este é um pequeno exemplo prático sobre o valor estratégico da imprensa portuguesa em Macau. Porque para além da sua missão primordial [informar com rigor, com isenção e com imparcialidade, separando a opinião da realidade dos factos], cabe-lhe atender a um universo de valores muito importantes: a defesa e a difusão da língua portuguesa; um olhar vigilante sobre o património; promover e divulgar a história e a cultura de Macau; manter a ligação a Portugal e às comunidades portuguesas; acompanhar a governação do Território. E o jornal não ter adoptado o “acordo ortográfico” equivale a ser agraciado com a grão-cruz do bom senso!
Tudo isto o Jornal Tribuna de Macau tem assumido ao longo do tempo. Acompanhou a história de Macau nos últimos quarenta anos, apoiou causas e combateu injustiças. E porque fez o que devia, com paixão, com verdade e com qualidade, chegou aos quarenta anos, essa idade balzaquiana que lhe permite olhar para o futuro com a volúpia de quem sabe que é apreciado pelo seu perfil recortado no humanismo, na coragem e na liberdade.
E com quarenta anos, como diz o povo, está para lavar e para durar.
Parabéns ao administrador, ao director e a todos quantos lá trabalham, escrevem e lêem o Jornal Tribuna de Macau.
* Ex-docente em Macau. Colaborador regular do JTM, desde há décadas.
Ex-jornalistas e colaboradores escrevem sobre os 40 anos da Tribuna de Macau
Dia 1 de Novembro passaram 40 anos que em Macau saiu nas bancas, pela primeira vez, o então semanário Tribuna de Macau”, que depois de 1998 passou a diário e agora celebra um marco histórico, uma vez que, na longa história da imprensa de Macau, nunca houve um jornal de informação generalista em língua portuguesa a manter-se tantos anos em publicação ininterrupta. Nesta ocasião, pedimos a vários jornalistas que passaram pela Redacção e outros observadores da “coisa pública” que nos enviassem as suas recordações destas quatro décadas de ligação comum. São estes textos que divulgámos ao longo dos últimos dias



