Defesa central português considera “inadmissível não se realizar uma liga normal” em Macau, depois de três meses de paragem. O jogador lamenta a falta de incentivos a quem, como o Benfica, tem investido no futebol. Vítor Almeida é um entusiasta dos videojogos e, por isso, participou no Torneio FIFA 2020
VÍTOR REBELO*
Vítor Almeida está no futebol da RAEM há quase cinco anos e vai iniciar a terceira época consecutiva no Benfica, depois de ter representado o Sporting e o Chao Pak Kei. É agora considerado um jogador local, o que constitui uma mais valia para a formação orientada por Cuco, que assim tem mais uma vaga de estrangeiro para preencher no plantel.
O defesa central está em franca preparação para a nova época, atípica e curta, que, tudo aponta, apenas contemplará uma competição, ao jeito de “mini-liga”, com nove jogos a serem disputados por cada uma das 10 equipas que integram a Liga de Elite.
O futebolista não concorda com a decisão da Associação em não fazer um campeonato normal, depois de três meses de paragem por causa da pandemia. “Pelo menos fazer uma volta e depois os primeiros cinco realizarem uma fase final para se encontrar o campeão da Liga de Elite”, defendeu.
Vítor Almeida considera “inadmissível” que isso não aconteça. “Não faz sentido, até porque aqui à volta o campeonato vai decorrer, como por exemplo em Taiwan, onde tem havido um investimento forte no futebol. Estivemos três meses parados, julgo que depois disso podia fazer-se algo mais e ainda por cima a bolinha foi cancelada. Há pessoas e clubes que têm investido no futebol de Macau e que mereciam outro reconhecimento por parte das entidades que regem o futebol e o desporto no território. O Benfica, por exemplo, participou na Taça AFC com grande investimento e para bem do futebol de Macau”, diz o jogador luso, que já esteve no plantel das “águias” aquando da participação na fase de grupos daquela competição asiática, tendo realizado três dos seis desafios da equipa.
“Espero que o Benfica possa voltar, se for esse o desejo dos dirigentes. O clube tem todas as condições para regressar à Taça AFC. Tem estruturas, treinadores, jogadores, todos os ingredientes para participar”, sublinha Vítor Almeida, que, em relação à prova apontada para Agosto, “o Benfica entrará para ganhar, porque o lema é vencer todos os jogos, independentemente da prova que for”.
Entusiasta pelos jogos virtuais
Aos 29 anos, o central “encarnado” diz ter “ainda muita vontade para continuar a jogar”.
Para além da experiência que tem no futebol, tendo passado por alguns clubes em Portugal (Atlético, Torrense, Naval), antes de se decidir pela aventura de Macau, Vítor Almeida é também um entusiasta pelo futebol virtual, tendo participado no primeiro Torneio FIFA 2020, levado a cabo recentemente no “Roadhouse”.
Os videojogos ganharam muitos adeptos e um grande desenvolvimento nos meses de pandemia, por todo o mundo, incluindo Macau, e quem já tem profundo conhecimento do futebol real, “acaba por beneficiar nestes jogos virtuais, porque se trata de um jogo muito táctico”. “E nós os futebolistas sabemos trocar a bola nos momentos certos, subir a defesa, ter posse de bola, ter a noção dos movimentos”, referiu.
O português passou a primeira eliminatória e acabaria por ser eliminado nos oitavos-de-final, num evento que confirmou a qualidade e enorme experiência dos chineses, que ocuparam os três primeiros lugares.
Quase todos os “amantes das consolas e dos comandos” utilizaram um “nickname”, daí Astro ter vencido o torneio, seguido por TamTakChoi e Rev, num evento de 32 participantes, que contou, para além de Vítor Almeida, com outros nomes conhecidos do futebol de Macau, como Miguel Botelho e Pedro Pires.
“Foi um bom torneio, num jogo que não é fácil, mas foram algumas horas bem passadas”, destaca Almeida, que pratica FIFA2020 há cerca de dois meses, depois de vários anos a jogar PES, “desde a Playstation 1”.
A organização pertenceu à Associação Desportiva e Recreativa AKISÁ, presidida por Luís Mesquita e fundada em Maio por um grupo de amigos que habitualmente se reúne para jogar futebol em Hac Sá. Segundo José Pedro Ferreira, membro da direcção, o objectivo da criação da nossa associação, é o convívio entre as várias comunidades.
“Pretendemos no futuro levar a efeito outras iniciativas desportivas, explorando diferentes modalidades, como a natação ou o basquetebol, para além dos e-sports, mas igualmente promover eventos de carácter cultural”, disse o dirigente da AKISÁ, colectividade que irá ter um cartão de associado digital, que permitirá vários benefícios.
* Jornalista



