Jonas Vingegaard já só precisa de chegar a Roma com a ‘maglia rosa’, após ter somado a quarta vitória na 16ª etapa, na qual Afonso Eulálio se despediu do pódio da Volta a Itália em bicicleta. O português da Bahrain Victorious, que é líder da juventude, perdeu o contacto com o grupo de favoritos logo no início da subida a Carì, onde se coroou o dinamarquês da Visma-Lease a Bike, e apesar de muito ter lutado, desceu ao quinto lugar da geral, já a distantes 05.40 minutos de Vingegaard.

“Os meus colegas e eu estávamos muito motivados, queríamos tentar ganhar na camisola rosa, mas podia correr mal”, disse o homem que se prepara para, no domingo, se tornar no oitavo ciclista da história a ganhar as três grandes Voltas.

Com quatro triunfos em outras tantas chegadas em alto, Vingegaard ‘ameaça’ repetir o feito de Tadej Pogacar, que na sua única presença no Giro, em 2024, conquistou seis etapas, além da geral.

Apesar de garantir não ter esse objectivo, o dinamarquês de 29 anos dificilmente não conseguirá lá chegar, tal é a sua diferença para os perseguidores: agora, atacou a 6.6 km da meta e deixou o austríaco Felix Gall (Decathlon) a 01.09 minutos e o australiano Jai Hindley (Red Bull-BORA-hansgrohe) a 01.11.

Assim, o campeão da Vuelta2025 e duas vezes vencedor do Tour (2022 e 2023) tem já uma vantagem de 04.03 sobre Gall, o novo segundo classificado, e 04.27 sobre o neerlandês Thymen Arensman (Netcompany INEOS), que é terceiro.

A curtíssima 16ª etapa foi atacada desde o início, nomeadamente por Nelson Oliveira (Movistar) e António Morgado (UAE Emirates), os outros portugueses em prova neste Giro, que conseguiram integrar a fuga inicial, onde estava também Diego Ulissi (XDS Astana). No entanto, o pelotão não os deixou ir longe, pelo que outros ciclistas, como Giulio Ciccone (Lidl-Trek) e Einer Rubio (Movistar), apostados em vestir a camisola da montanha, Jhonatan Narváez (UAE Emirates) e Chris Harper (Pinarello Q36.5), também tentaram e acabaram por ficar isolados na frente na companhia de Ulissi, com uma vantagem inferior a dois minutos.

‘Cicco’ foi amealhando preciosos pontos nas contagens de segunda e terceira categorias que antecediam a subida final, à qual Harper chegou isolado com uma margem de apenas 40 segundos para o grupo de favoritos, do qual Giulio Pellizzari (Red Bull-BORA-hansgrohe) foi o primeiro a descolar – é a grande decepção deste Giro.

A fuga acabou a menos de 10.000 metros do alto, quando Eulálio passava por dificuldades, e perdia o seu segundo lugar e o pódio, que integrava desde que fugiu para a ‘maglia rosa’ na quinta etapa.

O ritmo da Visma-Lease a Bike ‘denunciou’ o ataque de Vingegaard, com o dinamarquês a lançar-se de forma imparável para o quarto triunfo na sua estreia no Giro.

Com a vitória na etapa – e provavelmente na 109ª edição – entregue, foi a luta pelo top 3 que proporcionou emoção, com Egan Bernal a fazer um excepcional trabalho para o seu companheiro Arensman, num grupo onde seguiam ainda Gall, Hindley, Derek Gee (Lidl-Trek) e Davide Piganzoli (Visma-Lease a Bike), o agora grande rival de Eulálio na luta pela camisola branca. Enquanto o português da Bahrain Victorious, de 24 anos, ia resistindo e minimizando perdas, os pretendentes ao pódio iam-se atacando entre si, sem que nenhum se conseguisse destacar até ao sprint pelo segundo lugar, no qual Gall foi pela quarta vez segundo atrás de Vingegaard.

Embora tenha sido Hindley a ser terceiro na etapa, é Arensman, o ciclista que nos últimos dias tem estado envolto em polémica por nunca falar aos jornalistas, a fechar o pódio, com 33 segundos de vantagem sobre o campeão de 2022.

 

Eulálio ainda não está pronto mas quer a camisola branca

Afonso Eulálio reconheceu ainda não estar pronto para lutar pelos “lugares cimeiros” da Volta a Itália, apostando agora em defender a camisola branca de melhor jovem. “[Foi] mais um dia em que a equipa fez um trabalho incrível para mim, sempre a acreditarem em mim. E, no fim, mantivemos a camisola branca mais uma vez”, começou por dizer, em declarações enviadas aos jornalistas pela assessoria de imprensa da Bahrain Victorious. Segundo à partida para os 113 quilómetros entre Bellinzona e Carì, o figueirense de 24 anos foi 11º na 16ª etapa, a 03.04 minutos de Jonas Vingegaard e desceu à quinta posição da geral, a 05.40 do dinamarquês. “Penso que, acima de tudo, ainda não estou pronto para lutar por esses lugares cimeiros, mas penso que não seja uma novidade de todo, não é? Estou contente e penso que posso continuar a lutar pelo top 10”, antecipou. Eulálio procurará suceder a João Almeida, que em 2023 vestiu a camisola branca no pódio final da Volta a Itália.

 

JTM com Lusa