O ‘estelar’ Mathieu van der Poel já tem a sua etapa na 113ª Volta a França em bicicleta, após ter integrado uma fuga de luxo na nona etapa, em que Tadej Pogacar se contentou com ir descansar de amarelo.
Muito discreto até domingo, à parte dos lançamentos do colega Jasper Philipsen nas etapas ao sprint, ‘MVDP’ foi um dos grandes agitadores dos 154,6 quilómetros com final em Ussel, onde se impôs diante de dois adversários de peso: Tobias Halland Johannessen (Uno-X) e Thomas Pidcock (Pinarello Q36.5), outros dois fugitivos que acabaram a tirada com as mesmas 03:27.51 horas do vencedor.
“O início do Tour não foi óptimo para a nossa equipa, mas penso que, como sempre, mantivemo-nos calmos. Temos um óptimo grupo aqui e acreditámos que daríamos a volta. […] É bom chegar ao primeiro dia de descanso com uma vitória”, reconheceu o neto do lendário Raymond Poulidor.
Aos 31 anos, aquele que é talvez o ciclista que declaradamente menos aprecia a ‘Grande Boucle’ – ainda esta semana voltou a admiti-lo – somou o terceiro triunfo na prova, diante de um Tobias Halland Johannessen que está a ficar especialista em segundos lugares e de um Pidcock que culpou os problemas mecânicos por não ter alcançado um melhor resultado.
Embora, durante largos quilómetros, tenha parecido querer acrescentar a nona etapa ao seu espólio na Volta a França, Pogacar (UAE Emirates) chegou integrado no pelotão e vai cumprir o primeiro dia de descanso da 113ª edição com 02.42 minutos de vantagem sobre o dinamarquês Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike) e 03.27 sobre o seu colega mexicano Isaac del Toro, que fecha o pódio.
Encurtada em 30 quilómetros, devido a um alerta vermelho de calor extremo no departamento de Corrèze, a nona etapa começou agitada, com cinco ciclistas a isolarem-se logo nas pedaladas iniciais.
O quinteto obrigou a Lidl-Trek a anular a iniciativa para que Mads Pedersen pudesse ser o primeiro no sprint intermédio, situado aos 14 quilómetros, de modo a reforçar a liderança da classificação por pontos, ameaçada pelas duas vitórias de Tim Merlier (Soudal Quick-Step).
Mal o dinamarquês cumpriu o seu objectivo, Van der Poel atacou, como tinha ‘anunciado’ antes do arranque dos ondulados 154,6 quilómetros desde Malemort, com quatro contagens de montanha no caminho. Seguiram-se várias tentativas, entre as quais de Richard Carapaz (EF Education-EasyPost), Kévin Vauquelin (Netcompany INEOS), o português Nelson Oliveira (Movistar), Julian Alaphilippe (Tudor) ou Antonio Tiberi (Bahrain Victorious), sem que nenhuma fosse bem-sucedida.
Apenas na aproximação a Suc au May, de segunda categoria, se destacou um grupo de elite, que incluía ‘MVDP’, Johannessen, Pidcock, Derek Gee e Quinn Simmons (Lidl-Trek), Jordan Jegat (TotalEnergies) ou Alex Baudin (EF Education-EasyPost), que acabaria por ser quarto na etapa. No entanto, a omnipresente UAE Emirates nunca deixou que os fugitivos ganhassem uma margem muito superior a um minuto e, a 50 quilómetros da meta, apenas os quatro primeiros na jornada, o duo da Lidl-Trek, Pablo Castrillo (Movistar) e Lennert Van Eetvelt (Lotto Intermarché) permaneciam na frente.
Foi o inevitável neerlandês da Alpecin-Premier Tech quem acabou com a harmonia no grupo, no Mont Bessou, levando consigo o norueguês da Uno-X, sexto classificado da passada edição do Tour, o francês da EF e o bicampeão olímpico de XCO, que teve problemas mecânicos.
Quer os fugitivos, quer os espectadores sabiam que ‘MVDP’ seria o vencedor, com o multidisciplinar neerlandês a ganhar confortavelmente. “Talvez seja um ‘festival’ de um dia, mas pelo menos foi um bom”, respondeu ao ser questionado sobre se aparecerá mais vezes neste Tour.
A seis segundos do ciclista da Alpecin-Premier Tech chegou o pelotão, liderado pelo italiano Filippo Ganna, que correspondeu ao trabalho da Netcompany INEOS, uma das equipas mais activas na perseguição aos fugitivos, a par da Lidl-Trek. Os favoritos cortaram todos a meta nesse grupo, com a única alteração significativa na geral a ser a ascensão ao 10º lugar do colombiano Egan Bernal (INEOS), o vencedor de 2019.
Já Nelson Oliveira, único português em prova, foi 117º, a 17.24 minutos do quarteto da frente, e desceu ao 74º lugar da geral, a mais de uma hora e 20 minutos de Pogacar.
No regresso à estrada, esta terça-feira, a 10ª etapa vai ligar Aurillac a Le Lioran, num total de 166,6 quilómetros que incluem sete contagens de montanha, duas das quais de primeira categoria instaladas já nos derradeiros 35 quilómetros.
JTM com Lusa



