Michael Valgren completou o seu ‘renascimento’ ao conquistar a vitória que sentia faltar no seu currículo, fugindo para ganhar a 17ª etapa da Volta a Itália em bicicleta, que é liderada pelo seu compatriota Jonas Vingegaard. O dinamarquês da EF Education-EasyPost integrou a numerosa fuga do dia e escapou definitivamente aos seus companheiros de jornada à entrada do derradeiro quilómetro dos 202 entre Cassano d’Adda e Andalo, estreando-se a ganhar em grandes Voltas aos 34 anos, após ter superado um verdadeiro calvário.
“Sentia falta disto no meu currículo”, confessou, depois de se impor na etapa, com três segundos de vantagem sobre o norueguês Andreas Leknessund (Uno-X) e seis sobre o italiano Damiano Caruso (Bahrain Victorious), respectivamente segundo e terceiro.
Em Junho de 2022, Valgren caiu numa ravina na Route d’Occitanie, tendo fracturado a pélvis e sofrido uma luxação de anca, além de ruturas nos ligamentos e danos no menisco. A queda quase lhe custou a carreira, mas, dois meses após ter regressado às vitórias no Tirreno-Adriático, escreveu a mais bela página de um percurso em que também venceu a Amstel Gold Race (2018).
O dia feliz do corredor da EF Education-EasyPost foi o da tranquilidade do seu compatriota Jonas Vingegaard (Visma-Lease a Bike), que chegou integrado no pelotão a 05.15 minutos do vencedor e manteve as diferenças para os perseguidores da geral: tem o austríaco Felix Gall (Decathlon) a 04.03 minutos e o neerlandês Thymen Arensman (Netcompany INEOS) a 04.27.
Por ser uma etapa de transição e pela sua elevada quilometragem, esperava-se que a ligação entre Cassano d’Adda e Andalo fosse ideal para o sucesso de uma fuga, mas ela tardou tanto em formar-se que a média da primeira hora de corrida foi de 53,3 km/h.
Apenas na subida ao Passo dei Tre Termini, quando estavam decorridos cerca de 60 quilómetros, a fuga ‘pegou’, com uma dezena de ciclistas, entre os quais os ‘crónicos’ Leknessund, Manuele Tarozzi (Bardiani CSF 7 Saber), Lorenzo Milesi (Movistar), Mattia Bais (Polti VisitMalta), além de Valgren, a ganhar dois minutos de vantagem ao pelotão. Foram perseguidos por outros 18 corredores, com a junção dos grupos a dar-se a 116 quilómetros do final, numa altura em que Rémi Cavagna (Groupama-FDJ) seguia isolado e Giulio Ciccone (Lidl-Trek) trabalhava para alcançar o francês e ser o primeiro a pontuar na terceira categoria de Cocca di Lodrino.
A uns 60 quilómetros da meta, Cavagna ainda foi alcançado por David de la Cruz (Pinarello Q36.5), antes de ver a sua iniciativa anulada. Foi aí que começaram as movimentações entre os principais candidatos à etapa, com Caruso a atacar para resposta de Valgren, Leknessund, Juan Pedro López (Movistar) e Gianmarco Garofoli (Soudal Quick-Step).
Aos cinco haviam de se juntar outros ciclistas como Igor Arrieta (UAE Emirates) e Rubio, que se isolou na companhia do dinamarquês da EF Education-EasyPost. O duo entrou nos derradeiros três quilómetros com uma ligeira vantagem sobre Arrieta, que os alcançou, mas nada pôde fazer quando Valgren atacou à entrada do derradeiro quilómetro, para cumprir a etapa em solitário em 04:41.33 horas.
Nelson Oliveira (Movistar) chegou a 14.57 minutos do vencedor, enquanto António Morgado (UAE Emirates) cortou a meta num grupo a 19.15. O primeiro ocupa a 64ª posição da geral, a 02:22.25 de Vingegaard, e o jovem estreante é 127º, a quase quatro horas do camisola rosa.
Eulálio teve etapa “suave” e manteve o glorioso quinto lugar
Afonso Eulálio passou um dia “mais suave” com a camisola branca, da juventude, com o português a enaltecer a prestação do seu veterano colega Damiano Caruso na 17ª etapa da Volta a Itália. “Foi mais uma vez uma bela luta com a equipa”, disse num depoimento áudio enviado aos jornalistas pela assessoria de imprensa da Bahrain Victorious. O figueirense de 24 anos chegou integrado no pelotão e manteve a quinta posição da geral. “O Damiano teve a oportunidade de ir para a fuga e tentar lutar pela etapa, acabou por fazer terceiro, o que também é bastante bom. Claro que mais uma vitória seria incrível para a equipa, tanto para ele que está no seu último ano e no seu último Giro”, disse. “Atrás [no pelotão], foi um dia relativamente tranquilo, acabámos por manter a camisola branca e passar o dia também relativamente mais suave. Acabou por ser mais um bom dia com a equipa”, concluiu.
JTM com Lusa



