O lateral Nélson Semedo confessou que a oportunidade de, aos 32 anos, competir no primeiro Campeonato do Mundo de futebol da carreira é um “sonho tornado realidade” e classificou a actual geração de Portugal de “espectacular”. “Temos uma geração muito boa, espectacular. Temos um misto de jogadores jovens já com muita experiência e outros jogadores mais velhos também com muita qualidade e experiência. Temos um grande grupo e obviamente que temos de ter responsabilidade. Sabemos qual é o nível que temos de estar”, afirmou.
O jogador do Fenerbahçe, que falava aos jornalistas em conferência de imprensa na Cidade do Futebol, em Oeiras, já representou Portugal em dois Europeus (2020 e 2024) e prepara-se agora para competir pela primeira vez na mais importante prova de selecções.
“Quando era novo, o meu maior sonho era ser jogador profissional e isso aconteceu. Depois, tive a sorte de representar o clube que eu apoio, de jogar por grandes clubes. Representar a Selecção é a cereja do topo do bolo e representar Portugal num Mundial é um sonho tornado realidade”, reconheceu.
Semedo assumiu que a “luz ao fundo do túnel” para a selecção na competição é a final de 19 de Julho, mas lembrou que ainda há um longo caminho a percorrer para lá chegar. “Temos de encarar o Mundial jogo a jogo, sabendo que há uma luz ao fundo do túnel e onde queremos chegar. Mas, para já temos de pensar só no primeiro jogo e a partir daí ver o que se pode fazer. Temos uma grande equipa, somos Portugal, mas também sabemos que só isso não chega. Temos de dar o máximo dentro de campo”, frisou.
O seleccionador Roberto Martínez colocou na convocatória cinco jogadores que esta temporada actuaram na posição de lateral (número esse que sobe para seis com João Neves, já que fez essa posição na ‘final four’ da Liga das Nações), situação que Semedo compreende tal o desgaste do lugar. “A posição onde eu jogo desgasta bastante, especialmente com as condições que vamos ter nos EUA, Canadá e México A competitividade na posição só traz coisas boas à selecção. Ter essa competitividade só nos fará sermos ainda melhores e com que todos nós, na nossa posição e nas outras, tentemos dar o nosso máximo”, concluiu.
Estágio em regime fechado arranca sem baixas
A selecção portuguesa voltou a trabalhar sem qualquer baixa, no arranque do estágio em regime fechado para Mundial, com os jogadores a ficarem agora instalados na Cidade do Futebol.
Depois de dois dias em que os convocados de Roberto Martínez apresentaram-se na sede da Federação Portuguesa de Futebol apenas para treinar, a equipa das ‘quinas’ deu na quarta-feira início ao estágio a tempo inteiro, embora a comitiva lusa fique completa apenas no sábado, dia em que chegam Nuno Mendes, Vitinha, João Neves e Gonçalo Ramos, recentemente bicampeões europeus com o PSG.
O técnico espanhol voltou a contar com 23 jogadores, pelo menos nos primeiros 15 minutos do treino, que foram abertos à comunicação social, com a equipa lusa a fazer trabalho físico e com os quatro guarda-redes, como é habitual, a realizarem o período de aquecimento à parte do grupo.
Na preparação para o próximo Campeonato do Mundo, Portugal vai realizar dois particulares, primeiro no sábado frente ao Chile, no Estádio Nacional, em Oeiras, e depois com a Nigéria, em 10 de Junho, em Leiria. Depois de viajar no dia 12 para Palm Beach, em Miami, na Florida, onde vai montar o seu centro de estágio, a selecção nacional vai disputar o Grupo K e tem estreia marcada para 17 de Junho frente à República Democrática do Congo, em Houston, numa partida com início agendado para as 12:00 (01:00 do dia seguinte em Macau).
Segue-se o estreante Uzbequistão em 23 de Junho, também em Houston, ficando o grupo fechado em 27 de Junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami.
O Mundial2026, o primeiro de sempre com 48 selecções, vai decorrer de 11 de Junho a 19 de Julho nos EUA, no Canadá e no México.
RD Congo empatou com Dinamarca
A República Democrática do Congo (RDC), primeiro adversário de Portugal no Mundial de futebol, empatou (0-0) num particular com a Dinamarca, numa partida de preparação em que causou muitas dificuldades aos escandinavos. Na Bélgica, em Liège, local onde os africanos estão a estagiar, a RDC, 46ª do ranking FIFA, fez frente aos dinamarqueses, que são 20º classificados, mas que falharam o apuramento para o Campeonato do Mundo, ao cair no ‘play-off’ europeu frente à República Checa. A selecção do francês Sebastien Desabre deixou uma boa imagem, sobretudo a nível defensivo e também a nível físico. A RDC tinha outro particular agendado para 9 de Junho, frente ao Chile, em Espanha, mas foi cancelado devido ao surto de Ébola no país africano, situação que fez as autoridades locais impedirem a realização do jogo.
JTM com Lusa



