A diferença de golos entre marcados e sofridos (4) permitiu aos bracarenses assumirem o comando da Liga Portuguesa e à terceira jornada já todas as equipas perderam pontos!

 

 COSTA SANTOS SR.*

 

Com a vitória alcançada na Pedreira, frente ao Desportivo das Aves, o Braga assume o comando da Liga portuguesa. Precisava, para que isso acontecesse, alcançar uma vitória pela diferença de dois golos (no mínimo) e os 3-1 finais permitiram se fizesse a festa.

Naturalmente que se poderá pensar o “que se passa no futebol português” para que a costumada hegemonia dos crónicos candidatos aos lugares do topo, após três jornadas compridas, não mostre a sua “força”? E se acrescentarmos que, não fora o empate consentido, em casa, frente ao Boavista (1-1) seria o Feirense em caso de vitória, a assumir essa posição porque era, até à altura, a única equipa que não tinha sofrido qualquer golo?

É verdade que a disparidade, no que a orçamentos diz respeito, é enorme; mas não é menos verdade que a metodologia de treino já não constitui tabu para qualquer treinador como, também, as condições de trabalho abandonaram o “desenrasca” de outros tempos, para proporcionar campos de treino e todo um conjunto de novas tecnologias que tem permitido superar as diferenças orçamentais e aproximar as qualidades físico-técnico-tácticas de todos os conjuntos em prova. E se há vencedores, é porque estes têm, para além de outras coisas, melhores jogadores…

Mas vamos ao jogo da Pedreira.

José Mota, o técnico do Desportivo das Aves, tinha “ameaçado” que “ia para discutir o resultado” e essa “ameaça” poderá ter funcionado como um espicaçar da capacidade dos bracarenses que, a bem dizer, desde o minuto inicial, não deixaram em sossego o guarda-redes Bernardeau, bem como o seu quarteto de “guarda de honra” formado por Balde, Rodrigo Defendi, Ponk e Nélson, a que se juntavam, em ajuda, os homens do meio campo. Por outras palavras – e já com o resultado do Feirense conhecido – os bracarenses tentavam, ora pela direita, ora pela esquerda, com Esgaio ou com João Palhinha, com Wilson Eduardo ou com João Novais, criar lances de ataque planeado, alguns bem urdidos embora mal concluídos.

E o nulo ao intervalo era assim penalizador para os popularmente conhecidos como “guerreiros” pelo número de lances ofensivos sem proveito e um bom prémio para um Aves, matreiro no seu estilo e eficaz na sua defesa.

Só que aos 52’, uma perda de bola no meio campo do Braga – com todas as suas linhas a subir no terreno – permitiu um cruzamento da esquerda efectuado por Hamdou, com Rodrigo Defendi a surgir, sem marcação, na “cara” de Matheus, a marcar!

Abel Ferreira demorou 3 minutos a reagir: tirou Ricardo Horta e fez entrar Fábio Martins, mais um homem para a frente atacante ou, melhor, para dar uma ajuda na construção e finalização dos lances. Isto aos 55’. Logo aos 60’, Wilson Eduardo aproveita uma bola desviada do bloco defensivo do Aves e, descaído para o flanco direito, remata de primeira, repondo a igualdade para, aos 65, João Palhinha dar a “cambalhota” ao resultado. Faltava “um golo” para a liderança e mais uma vez uma mudança estratégica (saída de João Palhinha e entrada de Claudemir, aos 74’) demorou quatro minutos a “fazer efeito”, com o recém entrado Claudemir a municiar Dyego Souza para o remate sem defesa. Até ao final do jogo (mais 4 minutos de compensação) o domínio dos locais foi quase totale o Aves já não mostrava forças para apoquentar Matheus. Estava garantida a liderança…

Em Santa Maria da Feira, a única equipa que, a vencer o Boavista, faria o “pleno”, foi para o intervalo já em desvantagem (golo de Falcone, aos 44, de pontapé de penalty) – o primeiro golo sofrido da época – mas, no segundo tempo, Edinho – 36 anos no BI… – apontou o golo da igualdade e o resultado final.

Nuno Manta, o treinador do Feirense foi muito claro nos seus objectivos: “A liderança nunca nos preocupou. Queremos, sim, pontos, porque estes é que nos fazem falta para a classificação final”! Certíssimo!

Nos outros jogos efectuados, o Nacional foi ao Bonfim “pescar” três preciosíssimos pontos (os primeiros conquistados) e o Tondela empatou, em “casa”, com o Rio Ave (1-1). A jornada encerra com o Moreirense-Belenenses, jogo a decorrer à hora que o  JTM está a entrar na máquina.

 

*Jornalista profissional especializado em Desporto