O Desportivo das Aves tinha o “passaporte” para a fase de grupos da Liga Europa, mas acabou por ficar de fora por não ter feito a inscrição no prazo legal. O clube responsabiliza a Federação portuguesa
Costa Santos Sr*
É o rescaldo triste da vitória do Desportivo das Aves na final da Taça de Portugal perante um Sporting claramente diminuído anímica e psicologicamente. O clube do concelho de Santo Tirso teve arte para dar corpo a uma página histórica, após uma época sofrida na luta pela manutenção mas coroada no “palco” principal do país, onde quase 3.500 avenses – dos cinco mil que compõem a população de Vila das Aves – fizeram uma festa à boa maneira nortenha que se prolongou noite dentro, com a chegada à terra em ambiente de perfeita loucura.
A Europa andava de boca em boca, anteviam-se jogos com os mais importantes, e já se planeavam melhorias no estádio. Enfim, o lugar conquistado na Liga Europa, com direito a entrada directa na fase de grupos, já “mexia”. No entanto, a verdade nua e crua, chegaria mais tarde, já os foliões tinham recolhido: o Desportivo das Aves não poderá participar naquela prova europeia, porque não se inscreveu no prazo determinado!
A inscrição teria de ser feita até 31 de Dezembro e o Desportivo das Aves não terá “acreditado” que iria eliminar o Rio Ave e quem se lhe seguisse em sorteio (foi o Caldas) e não cumpriu o que estava regulamentado.
Resultado: o Sporting, vencido no Jamor, entrará directamente na fase de grupos e arrecadará os 2,6 milhões de euros de “prémio”. A “cereja no topo do bolo” caiu na secretaria!
Dedo apontado à Federação
No entanto, o Desportivo das Aves responsabilizou a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) pela ausência na Liga Europa. “A Federação Portuguesa de Futebol deve, até ao dia 30 de Novembro do ano anterior ao da época a licenciar, remeter a todas as sociedades desportivas a documentação necessária para a inscrição do processo de licenciamento. Acontece que apenas em 5 de Dezembro de 2017 (cinco dias após o prazo estabelecido pelo regulamento), o CD Aves – Futebol SAD recebeu essa mesma comunicação”, referiu o clube em comunicado, depois do presidente da SAD do clube avense, Luiz Andrade, já ter afirmado que o Aves vai “lutar até às últimas consequências” pelo direito em participar na prova.
O clube de Santo Tirso explica ainda que ao receber a comunicação da FPF considerou que a mesma não fazia sentido e não respondeu, “em primeiro lugar, por ser extemporânea e, em segundo lugar, por ser do entendimento desta sociedade desportiva que aquela norma apenas se aplicaria ao licenciamento através da posição ocupada no campeonato e não no que à Taça de Portugal dizia respeito, uma vez que em nenhum momento esta competição é mencionada”.
O assunto está entregue ao departamento jurídico do clube.
Reunião no Sporting sem conclusões
Os órgãos demissionários do Sporting, Assembleia Geral (AG) e Conselho Fiscal, e o Conselho Directivo reagendaram para esta quinta-feira uma reunião iniciada na segunda-feira em Alvalade e que durou cerca de quatro horas. Segundo o presidente demissionário da Mesa da AG, a primeira reunião foi essencialmente “de reflexão e muita serenidade”. Amanhã, de acordo com Jaime Marta Soares, será decidido “no concreto e com objectividade aquilo que mais importa para os destinos do Sporting”.
Ataque à Academia deixa 23 em prisão preventiva
O juiz de instrução criminal do Tribunal do Barreiro decretou prisão preventiva para todos os 23 arguidos detidos na sequência das agressões na Academia do Sporting, em Alcochete. O tribunal teve em conta a “natureza dos ilícitos em causa” e a “visibilidade social que a prática dos mesmos implica, considerando, principalmente, o aumento do número e da gravidade dos crimes e dos comportamentos associados ao fenómeno desportivo”.
*Jornalista profissional especialista em desporto. Com Lusa



