Forsberg acabou com as esperanças do Benfica
Forsberg acabou com as esperanças do Benfica

Uma vantagem de dois golos aos 90’ não chegou para manter o sonho do Benfica na Liga dos Campeões, porque Rúben Dias “ressuscitou” o Leipzig. Surpreendente foi também o empate do Liverpool frente ao Nápoles

 

Costa Santos Sr*

 

Com uma estratégia “especial”, Bruno Lage “mandou às malvas” a parte artística e quis ser, essencialmente, pragmático: sabendo que era necessário ganhar em Leipizg para manter o sonho do apuramento para os oitavos de final da “Champions”, deu o domínio territorial ao adversário, montando um muro defensivo apoiado de perto por um quinteto na linha média e deixando, na frente, apenas um homem apenas. Isto é, jogou num 4x5x1, com Vinícius a ser o homem mais adiantado. E foi com este “engodo” que os homens da casa se esqueceram de uma melhor cobertura do seu meio campo. Por outras palavras, agarraram na manta, taparam os pés mas destaparam a cabeça. E com a cabeça descoberta, o Benfica aproveitou aos 20’ e 59’, por Pizzi e Vinícius, dois erros defensivos.

Dois golos em terreno alheio não só abriam portas para continuar a sonhar como matavam a malapata das derrotas em solo alemão. Com os seus ataques barrados por um “muro de betão” que não cedia, a equipa alemã começava a errar passes, a não ter tempo de entrada aos lances e a ver o tempo escoar-se.

Mas, o desnorte defensivo do Benfica estava para chegar. Alguns sinais iam sendo dados, como a incapacidade de segurar a bola, de tentar sair a jogar, optando pelos pontapés para a frente. Em cima do minuto 90’, Rúben Dias encarregou-se de ressuscitar o Leipzig, cometendo falta passível de pontapé de penalty, sobre Patrick Schick, que o árbitro assinalou prontamente e Forsberg transformou. Com nove minutos de compensação, perfeitamente justificados pelo tempo gasto na assistência ao guarda-redes Gulácsi e consequente substituição no lance que deu o segundo golo ao Benfica, não se esperava outra coisa do que viria a acontecer: o Leipizg subiu no terreno e apostou em cruzamentos da direita e da esquerda, tentativas de remates na zona frontal até que ao minuto 90+6, Werner colocou a bola na cabeça de Forsberg que, sem marcação, restabeleceu o empate e colocou o Benfica fora de prova. Do sonho ao pesadelo em seis minutos!

No outro jogo do grupo G, o Zenit, no seu estádio, venceu o Lyon por 2-0, e baralhou as contas, deixar para a última jornada a decisão de quem acompanhará o Leipzig no apuramento e quem seguirá para a Liga Europa.

Deitando mão à estatística, os franceses foram “ganhadores” em tudo menos nos golos. Quando uma equipa remata mais e é superior na posse de bola mas não consegue um único golo só poderá queixar-se de si própria. Os russos entregaram o domínio territorial ao adversário e, em dois momentos, aos 42’ e 84’, foram eficazes e marcaram por Dzyuba e Ozdoyev.

No grupo H, o Valência não fez melhor, em Mestalla, do que um empate a dois golos, frente ao Chelsea. O Valência marcou aos 40’ por Soler, mas os ingleses empataram no minuto seguinte, por Kovacic e, cinco minutos após o reatamento, ganharam vantagem por Pulisic. Porém, aos 82, Wass restabeleceu a igualdade e o resultado final. Este empate, e atendendo à vitória do Ajax, em Lille (0-2), deixa tudo em aberto para a última ronda, com os holandeses a receberem o Valência e o Chelsea a dar as boas-vindas aos franceses. O Ajax até poderá empatar e se o Chelsea vencer o Lille – como se prevê -, quem ficará afastado será o Valência. Mas se espanhóis e ingleses vencerem, o Ajax descerá para terceiro lugar.

No Grupo E, a surpresa do empate, em Liverpool, do Nápoles que até esteve em vantagem, graças a um golo de Dries Mertens, aos 21’. Porém, aos 65’, Lovren empatou num jogo que não foi bonito e muito menos bem jogado. A “máquina de calcular” estava nas mãos e um empate satisfazia as aspirações de ambos. Chegará? A incógnita. É que no outro jogo do grupo o Salzburgo foi vencer o Genk (4-1) e ainda sonha!

No Grupo F, o Barcelona venceu o Borussia Dortmund (3-1) e o Inter derrotou o Slavia em Praga, também por 3-1. Com o Barcelona já apurado, Inter e Borussia terão de resolver, na última jornada, quem seguirá os catalães.

 

*Jornalista profissional especializado em desporto