Benfica e Sporting, duas equipas de matriz lusa, deixaram pelo caminho, nas meias-finais do campeonato de futebol de sete, Ching Fung e Chiba. As “águias” qualificaram-se nos penáltis e os “leões” golearam. A discussão do título está agendada para a próxima quinta-feira às 20.30
Vítor Rebelo*
Não há memória de uma final da Bolinha entre equipas portuguesas. Acontece na edição deste ano, com Benfica e Sporting a conseguirem o apuramento para a grande final do Campo D. Bosco, que certamente irá apresentar mais uma casa cheia, apesar dos poucos jogadores chineses em campo.
A expectativa à volta do desafio é grande, até porque é conhecida a rivalidade entre os dois emblemas, que podem, pela qualidade dos seus plantéis, proporcionar um bom espectáculo, numa modalidade que continua a ser muito acarinhada pelos adeptos do “desporto-rei” local e a atrair mais espectadores do que o futebol de onze. Um exemplo disso foi a boa assistência nos dois desafios das meias-finais, nos quais Benfica e Sporting deixaram pelo caminho Ching Fung e Chiba.
Para o embate da próxima quinta-feira, as duas equipas apresentam-se com um percurso sem derrotas, com dois empates cada e curiosamente com o mesmo número de pontos conquistados nos seus grupos (14). Há por isso um certo equilíbrio de forças, embora o Benfica se tenha mostrado mais concretizador (16 tentos, contra 8 do adversário).
No entanto, o Sporting tem um “ponto forte”, a defesa, uma vez que não sofreu qualquer golo nos seis jogos realizados, o que pode ser um sinal de dificuldade para Leonel Fernandes e companhia.
Um dos grandes responsáveis pela inviolabilidade das redes sportinguistas, é sem dúvida o guardião Rui Oliveira.
“O nosso grupo não era fácil, tínhamos a noção disso, mas a partir da vitória sobre o Chao Pak Kei passámos a acreditar que seria possível chegar longe, isto porque tínhamos deixado para trás um forte concorrente directo e candidato aos primeiros lugares”, começou por dizer ao Jornal TRIBUNA de MACAU o número 23 da formação orientada por Pedro Lopes e Eric Peres.
Rui Oliveira, que se tem destacado pela consistência entre os postes, o que vem já das suas actuações na Liga de Elite, considera que “um jogo destes, com duas equipas de matriz portuguesa, tem um sabor especial e por isso o desafio apresenta características diferentes, porque penso que nunca houve uma final entre dois clubes portugueses”.
Sobre a partida, o imbatível guarda-redes é peremptório: “Vai ser um bom jogo e o nosso adversário é bastante forte, até porque voltou a encontrar-se neste campeonato de Bolinha e por isso vai criar-nos grandes dificuldades”.
Depois daquela entrada de rompante do Sporting no Grupo B, “sentimos que tínhamos capacidade e potencial para ir pelo menos às meias-finais. Fomos crescendo ao longo do campeonato”, acrescentou.
Nas meias-finais os “leões” surpreenderam pela atitude ofensiva, chegando ao intervalo já com “o jogo na mão”, marcando quatro golos (Hudson Saviny, Alexandre Jesus e Ethan Lay, dois).
“Esse jogo, visto assim, pelo resultado, pareceu fácil, mas não foi. No início tivemos dificuldades, mas marcámos e eles acabaram por se descontrolar”, concluiu Rui Oliveira.
O Sporting vai assim tentar conquistar o primeiro grande título em Macau, num jogo em que Eric Peres não vai poder estar no banco, ao lado de Pedro Lopes na orientação da equipa, por não se encontrar no território no dia do jogo.
“Não vou poder, com pena minha, mas a equipa estará bem entregue e tudo vai correr bem. O Benfica tem uma equipa muito forte, talvez mais consistente, mas nós faremos tudo para ganhar. Já conseguimos fazer mais do que talvez se esperasse, ou seja, estar na final. Agora que lá estamos, tudo o que vier é bom”, afirmou Eric Peres, antigo jogador do plantel sportinguista.
Batista sente-se “frustrado e injustiçado”
Do lado do Benfica, há também uma ausência de peso, “o homem das redes”, Jonatha Batista, por ter visto um cartão vermelho (punido com dois jogos), na derradeira partida do grupo, diante do Lun Lok, na qual os “encarnados” garantiram a qualificação para as meias-finais.
O brasileiro diz-se “frustrado e injustiçado”, considerando que “no lance em que fui expulso, não havia razão para a amostragem do cartão vermelho e por isso, por negligência do árbitro, não vou poder jogar”.
O guarda-redes, que já esteve por duas vezes na final da Bolinha, onde foi campeão uma vez em 2017, reconhece que “custa muito ficar de fora, é horrível, há cinco anos que estou no futebol de Macau nunca passei por uma situação destas”.
O Benfica não tinha inscrito inicialmente um segundo guarda-redes e fê-lo antes da meia-final, “descobrindo” em Shenzhen o inglês Jonathan Lake, que deu boas indicações nesse desafio face ao Ching Fung, defendendo mesmo uma grande penalidade, na decisão da eliminatória, depois de 1-1 no tempo regulamentar (golos de Leonel Fernandes e William Gomes).
“Acredito que ele vai voltar a corresponder, até porque está habituado a jogar futebol de sete na China”, referiu Batista, para quem, e relativamente ao jogo de quinta-feira, “o Sporting tem uma boa equipa, mas o Benfica está preparado para conquistar o título”.
Campeonato poderá voltar a ter 16 equipas no próximo ano
O campeonato de futebol de sete de 2020 deverá contar com oito equipas em cada um dos dois habituais grupos, totalizando 16. Chan Keng Hou, secretário da Associação de Futebol de Macau, confirmou esta possibilidade: “Embora a decisão não tenha sido ainda tomada oficialmente, tudo se conjuga para que isso aconteça no próximo campeonato”. Assim, apenas uma equipa irá descer este ano de divisão, que será a dos Sub-23, derrotada pela Alfândega, por 1-0, no desafio de apuramento do último classificado.
* Jornalista



