A perder por 2-0 aos 20 minutos, o Benfica apanhou um susto na recepção ao Rio Ave, mas teve reacção pronta e garantiu a vitória, acalmando os adeptos. Porém, as “águias” têm muito trabalho pela frente. Em Braga, os “guerreiros” venceram (1-0) e continuam nos lugares cimeiros da classificação

 

Costa Santos Sr*

 

Alguma expectativa rodeava o jogo da Luz, entre o Benfica e o Rio Ave, da 16ª jornada da I Liga Portuguesa. Não porque se esperasse que Bruno Lage, com apenas um treino, “ousasse” mudar muita coisa, para além de poder dar a titularidade a um ou outro não habituado a isso, e também optasse por mudar o esquema da equipa, saindo de um 4-3-3 que “não rendia” para adoptar o 4-4-2, mais consentâneo com as características dos seus jogadores. No resto, cabia aos jogadores dar resposta em termos da entrega e da dinâmica de jogo.

O “onze” encarnado assentou no 4-4-2 (com Sálvio, Pizzi, Fejsa e Cervi no meio-campo e Seferovic e João Feliz na dianteira, mantendo-se o bloco defensivo com Vlachodimos, André Almeida, Rúben Dias, Jardel e Grimaldo), mas custou um pouco a entrar na “velocidade” necessária para assumir as rédeas do jogo. Os vila-condenses, menos nervosos, assentaram mais depressa o seu futebol e, usando os flancos, começaram a criar problemas ao último reduto encarnado, algo trapalhão nas marcações e descuidado na zona frontal da sua baliza. E, em três minutos (aos 17 e aos 20) o Rio Ave apontou dois golos por Gabrielzinho e Bruno Moreira, em lances bem urdidos, mas com o bloco defensivo adversário muito lento nas movimentações e muito mal na leitura do jogo.

Apesar de haver muito tempo para jogar, foi perceptível uma onda de preocupação nas bancadas. Porém, nem o Rio Ave tinha produzido futebol bastante para a vantagem conquistada, nem o Benfica tinha arregaçado as mangas para fazer impor a sua capacidade.

Aliás, este arranque do Rio Ave, tão cedo no jogo, até acabou por ser benéfico para o Benfica. Acordou os “adormecidos”, fez renascer o brio e a capacidade individual para fazer a diferença. Aos 27’, uma “maldade” de Seferovic (com um toque de calcanhar tirou o defesa do seu caminho) permitiu-lhe o remate com êxito e, quatro minutos depois, João Félix (que tão bem se deu na posição), inteligente na “fuga” aos seus “polícias”, surgiu solto e repôs a igualdade.

O que aconteceu nestes poucos minutos da primeira parte, foi algo que nunca se viu em Portimão: futebol ao primeiro toque, enleante, com todos em movimento para criarem “zonas de ninguém” onde o finalizador iria aparecer.

No segundo tempo, o Rio Ave aproveitou de novo uma entrada “atrasada” do Benfica em jogo para tentar a sua sorte. Uma excepção: Grimaldo, aos 54’, depois de um “pique” de muitas dezenas de metros e de deixar meia dúzia de adversários fora “de rota”, atirou ao poste direito da baliza de Leonardo.

O Rio Ave tentou “guardar” o empate. Passou a ser menos “atrevido”, preocupou-se mais em estancar o jogo do adversário, no entanto, o preço desse receio. Numa partida em que Seferovic e João Félix aceitaram de bom grado o papel de “matadores”, a dupla assinou mais dois golos, aos 64 e 70 minutos, e garantiu a vitória, já com os adeptos em festejos prolongados. O Benfica conseguiu uma vitória com uns minutinhos de bom futebol e passou a somar 35 pontos, subindo provisoriamente ao terceiro lugar.

 

Braga não vacila

Em Braga, valeu o golo de Ricardo Horta, aos 25, para os “guerreiros” continuarem no quarteto da dianteira (ocupam o segundo lugar à condição). O Boavista deu a réplica habitual, tornou o jogo difícil e quezilento. Aliás, a partida ficou partida marcada pela amostragem, pelo árbitro João Capela, de oito cartões amarelos (três para os da casa e cinco para os visitantes) e um vermelho. Uma vitória magra, mas perfeitamente justa pelo que se passou no relvado.

Nos restantes jogos já disputados, o Belenenses venceu o Guimarães (1-0), com golo de Henrique, aos 31’, e o Feirense empatou (2-2) em Santa Maria da Feira, frente ao Santa Clara, recuperando de uma desvantagem de 0-2. Os golos dos “fogaceiros” foram apontados por Arnaldo Silva e Valência (aos 59 e 65’) e os açorianos “facturaram” por José Oliveira e Bruno Lamas, aos 43 e 48’. No Bonfim, o Vitória de Setúbal-Chaves terminou com um empate sem golos.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto