A “sina” europeia dos campeões nacionais de Portugal está a levar o mesmo rumo da época passada: desconcentrada na defesa, complicada a meio-campo e sem poder de fogo que assuste os adversários. E as contas complicam-se

 

Costa Santos Sr*

 

Aquela reposição de bola em jogo, por Vlachodimos, aos 22’, entregando-a a Fejsa que, sem reflexos nem “avisos”, viu Ozdoev desarmá-lo e servir Dzyuba que, na cara de Vlachodimos, não teve dificuldade em marcar, foi o primeiro sinal de um bloco defensivo “atordoado”, incapaz de ter velocidade física e mental para evitar a pressão alta dos adversários e iniciar os lances de transição que pudessem surpreender uma defesa russa subida no terreno.

A “bola” queimava os pés, os lances de construção ofensiva falhavam ora por passes errados feitos para zonas de muita presença russa, ora com lançamentos longos que se perdiam fora do campo ou, até, variações de flanco de jogo para locais onde não estavam os desejados companheiros.

Se os primeiros minutos do jogo ainda tiveram, por parte do Benfica, alguns lampejos de ataque, mesmo sem quaisquer consequências para Lunev, em breve deixaram de existir e, na tal ânsia incontrolada de querer marcar, começaram a aparecer os remates de longa distância, uns melhor direccionados do que outros mas todos completamente inócuos.

Nem Taarabt, nem Pizzi, nem Rafa, nem Seferovic, mostravam ponta de inspiração para a missão que Luís Filipe Vieira tinha pedido:” serem reis na Rússia”.

E se falamos na linha média e avançada, também há que dizer que, no bloco defensivo, o panorama não foi melhor: Jardel, por exemplo, não mostrava os seus talentos no jogo aéreo – vários cruzamentos perdidos na área e, “enganado” duas ou três vezes no jogo rasteiro – enquanto Rúben Dias, aos 70’, “matou” o jogo com um auto golo para, oito minutos volvidos, todo o bloco defensivo ter parado e permitido que, na execução de um livre, Azmoum colocasse o marcador em números inesperados.

Se, na competição interna, o Benfica tem jogado no sistema 4x3x3, em Moscovo “optou” pelo 4x4x2. Só Bruno Lage saberia se, de facto, os diferentes automatismos, as diferentes “jogadas estudadas” estavam no “ponto de rebuçado” para render.

Pelos vistos não estavam. Mas o técnico assume o erro: ”Três erros, três golos. São erros individuais e colectivos e, acima de tudo, do treinador. Eu é que escolhi o onze e a estratégia. A nossa estratégia era para sair por fora. Não o conseguimos”. Verdade que não. Mas pior do que não sair, foi o não tentar inverter o “esquema”, “ir para o plano “B”” quando estava à vista, desde o tal minuto 22, que o “plano “A” falhara.

Salvou a honra do “convento” o golaço (de 25 metros…) de Raul De Tomás. Faltavam cinco minutos para os 90. Tarde demais.

 

Show de bola em Liverpool

Não se esperava que o Salzburg fosse bater o pé à “máquina de futebol” que Jurgen Klopp comanda e que aos 36’ já vencia por clara margem de 3-0, com golos aos 9, 25 e 36. Só que, talvez por aquela tranquilidade traiçoeira que uma vantagem tão dilatada costuma criar no espírito de alguns, os nos” de Anfield Road “adormeceram” literalmente e quando acordaram, o placard já mostrava 3-3!

Golos para todos os gostos, mas, acima de tudo, um jogo de futebol que “amarra” o espectador. Claro que Salah (que já tinha marcado aos 36’) tranquilizou as suas hostes e, aos 69, estabeleceu o resultado final. Depois, foi outro jogo: muitas cautelas, mais “segurança” defensiva. Um grande jogo!

No Mestalla, o Ajax voltou a assinar uma exibição de luxo, mesmo tendo em conta que o Valência desperdiçou um pontapé de penalty com o resultado em 0-1. Porém, depois, foi futebol de ataque e lances que embelezaram o espectáculo, com o Ajax a chegar aos 3-0.

Já em Camp Nou, houve que sofrer para dar a volta ao resultado o 1º tempo, com os italianos do Inter a aproveitarem um erro defensivo e a facturarem, logo aos 2 minutos de jogo. No segundo tempo, aos 58 e 84, Suarez “deu a volta”. Mas o Barça fez jus à vitória ainda que a custo

Em Lille, o Chelsea venceu (1-2) e bem, como merecidamente o Lyon foi a Leipzig obter precioso triunfo. Atenção: o Lyon será o próximo adversário do Benfica, no dia 23, na Luz!

Também o Borussia foi a Praga derrotar o Slavia (0-2) enquanto o Gent e Nápoles ficaram a zero, num jogo animado, apesar de tudo.

 

*Jornalista profissional especializado em desporto