A selecção do território actuou muito desfalcada e foi presa fácil para os “segundos planos” do Sporting Clube de Portugal. Marco Túlio mostrou-se e os “leões” golearam a formação da casa por 7-0. A delegação sportinguista tem hoje um jantar-convívio com adeptos e regressa amanhã a Lisboa
Vítor Rebelo*
A digressão chinesa do Sporting B acabou por se cingir a um único desafio a sério com a selecção do território e, apesar de se saber a diferença de qualidade entre as duas equipas, havia grande expectativa à volta do desafio, com curiosidade em ver os “segundos planos” do clube de Alvalade.
O jogo inseria-se num ambiente de comemoração do 40º aniversário da primeira viagem do Sporting à China em 1978 (que incluiu Macau e Xangai) e por isso algumas entidades fizeram-se representar, com descida ao relvado do presidente do Instituto do Desporto, Pun Weng Kun, e de Vítor Sereno, Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.
Cerca de duas mil pessoas deram uma moldura humana diferente às bancadas do Estádio da Taipa, não querendo desperdiçar esta oportunidade, que provavelmente não se irá repetir tão cedo, de ver jogar uma equipa vinda de Portugal, ainda que houvesse desilusão pelo facto de não se ter deslocado o plantel de Jorge Jesus, que no dia anterior havia participado na final da Taça no Jamor.
Mesmo assim, nomes como Marco Túlio, um dos mais recentes reforços da equipa “verde-branca”, Ronaldo Tavares, Rafael Barbosa, Bubacar Djaló, Ary Papel, mostraram um andamento completamente antagónico em relação à formação de Iong Cho Ieng, que se apresentou desfalcada dos jogadores do Benfica, que habitualmente dão outro nível e consistência, nos vários sectores, à equipa do território.
O técnico do conjunto da casa, que sucedeu ao seleccionador Chan U Ming, de quem era adjunto, “copiou” a estratégia do anterior treinador e colocou em campo uma linha de cinco defesas, entre os quais três centrais de raiz, Paulo Chiang, Lei Ka Him e Lei Ka Hou, o que adiou um pouco o inaugurar do marcador, diante de um adversário de poderio físico e técnico, apenas com a contrariedade de ter de actuar num ambiente de calor e humidade a que não está muito acostumado.
Luís Martins, treinador do Sporting B há cerca de ano e meio, colocou no “onze” jogadores que fizeram quase toda a época na II Divisão em Portugal, integrando a formação base, com excepção de Marco Túlio, um dos principais “chamarizes” do jogo, que deu boas indicações, colocado mais sobre a esquerda do ataque sportinguista.
Dos seus pés nasceram lances de perigo, que culminaram no primeiro golo, apontado aos 15 minutos, por Ronaldo Tavares, que se diz ter um bom futuro no futebol português, fazendo jus ao nome.
Durou assim um quarto-de-hora a oposição da débil selecção da RAEM, onde faltaram jogadores como Filipe Duarte, Lei Chi Kin, Chan Man, Nicholas Torrão, Lee Keng Pan, Pang Chi Hang ou Leonel Fernandes, quase uma equipa completa, onde apenas entrou um português, Alexandre Matos, avançado do Chao Pak Kei.
A maioria dos chineses que alinharam de início possuem experiência de selecção, como Ho Man Fai, Paulo Cheang, Lei Ka Him, Ho Ka Seng, Chan Pak Chun, Lei Ka Hou, mas a falta de apoio de muitos dos elementos acima mencionados, deixou a equipa sem soluções, praticamente ineficaz em termos ofensivos e a ter de trabalhar muito no sector recuado para tentar evitar uma goleada previsível e que acabaria por acontecer.
Sempre que o Sporting acelerava o jogo viam-se as dificuldades em segurar a velocidade e o tecnicismo de futebolistas como Marco Túlio, Rafael Barbosa ou Ary Papel.
Diferença podia ter sido maior
A história do desafio foi por isso a dos golos (sete), com mais quatro ou cinco que poderiam ter sido somados ao “placard” final, mas foram negados pelo guarda-redes Ho Man Fai, sem dúvida o melhor elemento da selecção de Macau.
Até ao intervalo, o Sporting fez mais dois tentos, através de Paulinho, ficando a dúvida se a bola entrou directamente ou foi desviada por Marco Túlio, e Ary Papel.
Apesar das muitas substituições operadas na segunda metade, os “leões” mantiveram o ritmo e até criaram mais desequilíbrios na defesa de Macau, já sem a frescura física dos primeiros quarenta e cinco minutos, apontando mais quatro golos, por intermédio de Kennedy Có (aos 65), Pedro Marques (69), Diogo Brás (74) e Guilherme Ramos (87).
Sem surpresas esta vitória da formação lusa, que já esta manhã vai efectuar um treino de conjunto com o plantel do Sporting de Macau, às 10 horas, no relvado do Estádio da Universidade de Ciência e Tecnologia. Será uma boa ocasião para os “leões” do território se mostrarem ao “clube irmão”, apresentando em campo as vedetas nigerianas, Malhacy Iloegbunam, Pring Aggreh e Bright Ike, para além de outros elementos da equipa de Nuno Capela.
À noite, no restaurante Mira Mar, em Coloane, gerido por um sportinguista (João Peralta), a delegação do clube de Alvalade irá confraternizar, no decorrer de um jantar, com os simpatizantes do Sporting residentes em Macau, tal como aconteceu em finais de 2013, com a deslocação do actual presidente Bruno de Carvalho, o que provocou uma onda de enorme euforia dos adeptos, numa fase de transição da colectividade.
Jogar com seriedade
Após o triunfo por 7-0, o treinador do Sporting, Luís Martins, realçou a importância e a satisfação de ter vindo a Macau e de defrontar a selecção local. “Nós preparámo-nos para jogar em Macau e não tínhamos muita informação da equipa do território. O jogo acabou por se tornar mais fácil porque encarámos o desafio com grande seriedade, uma vez que sabíamos que estávamos a jogar fora do nosso ambiente”, disse o técnico sportinguista, que é também coordenador da formação em Alcochete.
O técnico referiu-se à qualidade deste plantel dos “B” do Sporting, que apesar de ter descido de divisão no segundo escalão em Portugal, “tem jogadores de bom nível, alguns dos quais com boas condições para integrar a equipa principal do Sporting num futuro próximo.”
Já o responsável pela selecção de Macau, Iong Choi Ieng, reconheceu que “é muito complicado fazer face a equipas europeias e mesmo tratando-se de uma formação de reservas do Sporting, a diferença na técnica e velocidade é muito grande.”
O novo seleccionador desvalorizou o facto da equipa da casa ter actuado sem os jogadores do Benfica. “Para mim foram estes que estavam disponíveis e era com estes que tínhamos de contar. O importante é que os jogadores de Macau tiveram oportunidade de defrontar um adversário com qualidade, independentemente de poderem ou não discutir o resultado. Provavelmente tão cedo não teremos em Macau uma equipa europeia para jogar e por isso foi muito bom para os jogadores”, concluiu Iong Choi Ieng.
A equipa da RAEM incluiu principalmente elementos do Chao Pak Kei, Ka I e Monte Carlo, jogadores que regressam à Liga de Elite já no próximo fim-de-semana, depois de oito dias de interregno.
Na 13ª terceira jornada, o confronto entre o Chao Pak Kei e o Ching Fung merece destaque, enquanto que o líder da prova, Benfica, jogará igualmente no domingo com o Hang Sai, em mais uma partida em que é claramente favorito.
* Jornalista



