Se Luís Filipe Vieira escolheu o momento para reafirmar o seu estatuto, acertou. Na Luz, o Feirense revelou incapacidade defensiva, nulidade atacante e muita “pólvora seca” que não deu para assustar o Benfica. O Sporting de Braga venceu os “cónegos” e continua na luta pela liderança da I Liga Portuguesa

 

Costa Santos Sr*

 

Conforme tínhamos referido após o jogo da Liga dos Campeões, a exibição do Benfica – mais do que os números da derrota – frente ao Bayern teria consequências. E teve, só que não foram aquelas de que todos estavam à espera. Luís Filipe Vieira “atirou-se” ao plantel, à sua “postura passiva” e “lentidão de jogo”, e Rui Vitória, que esteve na porta de saída mas voltou a entrar, aceitou os “recados” do presidente e foi muito claro nas suas afirmações: “Claramente que há mudanças a fazer e quando digo mudanças são de vária ordem, começando pelas interiores e começando por mim”.

Os 43 mil espectadores que se deslocaram à Luz para assistir ao jogo viram três mexidas na constituição da equipa: o regresso de Jardel à posição central, a titularidade de Gedson por troca com Gabriel e a entrada de Zivkovic para a saída de Cervi. No resto, tudo igual.

Mas, a primeira parte não correu de feição aos encarnados. Não porque o Feirense tivesse criado problemas ou, apesar do que o esquema 4x2x3x1 pudesse dar a entender, montado um muro que não permitisse espaços ou tempo para a conclusão ideal dos lances atacantes do Benfica. O que aconteceu foi que os dianteiros encarnados, talvez ansiosos pelo primeiro golo, não preparavam os remates ou optavam por “disparar” de longe, sempre sem acertar no alvo. Por outro lado, os “grupos organizados de adeptos” optaram pela manifestação silenciosa e, durante 30 minutos, não se ouviu um grito de “empurrão” à equipa.

No segundo tempo, o panorama alterou-se. O Benfica “acordou”, começou a ter em Rafa um motor que dava outra velocidade e obrigava os companheiros a “acelerar” as movimentações. E o fruto desse “despertar” surgiu logo aos 49’, com Jonas, de pé esquerdo, a bater Caio Secco. Estava feito o mais difícil e as claques “acordaram”, mas o futebol praticado, se bem que muito superior ao do primeiro tempo, ainda ficava a considerável distância daquele que uma equipa deste calibre tem a obrigação de produzir. Valeu a infelicidade de Bruno Nascimento, que aos 57’ fez autogolo ao pretender cortar um cruzamento de Rafa para Jonas. Se os “fogaceiros” não tinham, por uma vez que fosse, obrigado Vlachodimos a mostrar o seu talento, a partir de então, com “tudo resolvido”, deram luta mas foram incapazes de responder ao aumento qualitativo do jogo encarnado e, consequentemente, evitar mais dois golos (Rafa, aos 68’ e Seferovic aos 89’). O Feirense saiu vergado a uma derrota pesada mas inteiramente justa face ao que o Benfica fez em apenas 45’ minutos.

 

Braga não vacila

Em Braga, avisados pela “partida” pregada pelo Moreirense ao Benfica, os “guerreiros” não deram tempo aos “cónegos” para tentar nova surpresa e, em 25 minutos, construíram um resultado (2-0) que, fundamentalmente, permitiu arrecadar os três pontos e igualar provisoriamente o FC Porto no topo da I Liga Portuguesa. Aos 12’, Wilson Eduardo, na transformação de um pontapé de penalty, não deu hipóteses a Jhonatan, e, aos 25, Paulinho concluiu com êxito uma assistência de Claudemir.

O Moreirense reagiu, sobretudo no segundo tempo, mas encontrou sempre a defesa bracarense bem organizada e, quando esta falhava, estava lá o poste (aos 71’) para evitar danos para os anfitriões.

Na Madeira, a “chicotada psicológica” não funcionou. Petit, na estreia pelo Marítimo, não conseguiu evitar que o Vitória de Setúbal regressasse ao continente com a vitória no bolso, conseguida com um golo de Mendy aos 85’, num jogo que até então foi muito dividido.

Nos Açores, o “terrível” contra-ataque do Belenenses anulou a habitual superioridade do Santa Clara quando actua no seu recinto, mesmo tendo em conta que os açorianos se colocaram em vantagem logo ao quinto minuto, através de um pontapé de penalty. Mas, os azuis definiram as “regras” e o “modo” de actuar com três golos aos 12, 57 e 77 minutos. A equipa da casa ainda reduziu graças a um autogolo de André Filipe, aos 80’.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto