O Paris Saint-Germain, dos portugueses Nuno Mendes, João Neves, Vitinha e Gonçalo Ramos, conquistou a Liga dos Campeões de futebol pela segunda vez consecutiva, ao vencer o Arsenal nos penáltis (4-3), após empate 1-1 nos 120 minutos. Na Puskás Arena, em Budapeste, na Hungria, Gabriel Magalhães rematou por cima na quinta e última série de grandes penalidades e deu a vitória aos franceses, que triunfaram na terceira final disputada e impediram um inédito troféu dos ingleses, de regresso à partida decisiva 20 anos depois.

Utilizando Nuno Mendes, João Neves e Vitinha de início e Gonçalo Ramos a partir do banco de suplentes, o PSG esteve a perder com um golo de Kai Havertz, aos seis minutos, mas igualou por Ousmane Dembélé, aos 65, de penálti, num resultado que perdurou até ao fim do tempo regulamentar e no prolongamento, antes de o Arsenal ceder.

Os pentacampeões franceses festejaram pela segunda vez, descolando no palmarés, entre outros, dos compatriotas do Marselha, e são o nono clube a manter o troféu, algo que não acontecia desde os sucessos consecutivos entre 2015/16 e 2017/18 do Real Madrid, recordista de conquistas, com 15.

Nuno Mendes, João Neves, Vitinha e Gonçalo Ramos revalidaram o principal título europeu por um clube estrangeiro, a exemplo dos compatriotas Paulo Sousa, Cristiano Ronaldo e Pepe, impedindo o pleno de êxitos ingleses nas três provas continentais.

O PSG, que já estava qualificado para o Mundial de clubes de 2029, assegurou vaga na final da Taça Intercontinental de 2026 e vai defender o troféu da Supertaça Europeia em Agosto, no início da próxima temporada, frente ao Aston Villa, vencedor da Liga Europa. Já o Arsenal, que tinha eliminado nos quartos de final o Sporting, melhor representante português na edição 2025/26 da Liga dos Campeões, não aproveitou o embalo do primeiro título inglês festejado ao fim de 22 anos.

Os regressos de Hakimi e Dembélé, ambos recuperados de lesão, permitiram ao PSG apresentar de início os mesmos 10 jogadores de campo que tinham sido titulares na final de 2024/25 (5-0 ao Inter Milão) – o guarda-redes Matvey Safonov foi a excepção -, enquanto Havertz rendeu Gyökeres, ex-avançado do Sporting, no Arsenal.

Os londrinos mostraram-se coesos nas marcações face à supremacia do adversário na posse de bola e adiantaram-se ao sexto minuto, quando o capitão Marquinhos tentou aliviar a bola e acertou em Leandro Trossard, tendo Havertz atirado quase sem ângulo após uma fuga sob a esquerda. Autor do único golo frente ao Sporting nos ‘quartos’ (1-0 no conjunto das duas mãos), o alemão voltou a marcar em finais da Liga dos Campeões cinco anos depois de ter sentenciado a vitória do Chelsea diante do Manchester City (1-0), em 2020/21, no Porto.

Cómodos a segurar vantagens sem bola, os ‘gunners’ foram limitando o dinamismo do PSG, que quase nunca desequilibrou e ameaçou num par de remates de Fabián Ruiz, aos 13 e 43 minutos, já depois de Kvaratskhelia ser desarmado por Gabriel Magalhães.

A caminho do intervalo, ao minuto 45+3, Marquinhos correu a tempo de negar nova investida de Havertz, que surgia sem oposição ante Safonov, no desenlace de uma primeira parte pouco movimentada nas duas áreas.

A equipa de Luis Enrique continuou ansiosa e sem rasgo no reatamento, mas serenou aos 65 minutos, num penálti de Dembélé, após derrube de Cristhian Mosquera sobre Kvaratskhelia, para igualar o recorde de 45 golos numa edição da competição, estabelecido pelo FC Barcelona em 1999/00.

Arriscando na pressão a seguir ao 1-1, o Arsenal foi perdendo rigor atrás e concedeu espaços, quase aproveitados por Kvaratskhelia, cuja tentativa resvalou em Myles Lewis-Skelly e bateu no poste direito, aos 77 minutos. O PSG rubricou os únicos lances de perigo na ponta final, sem que o suplente Bradley Barcola, desmarcado por Ruiz, contornasse o guarda-redes David Raya, aos 85, quatro minutos antes de Vitinha surgir à entrada da área para atirar ligeiramente por cima a passe de Desiré Doué.

No período de compensação, em que Gonçalo Ramos rendeu o lesionado Dembélé, Barcola correu vários metros em campo aberto na derradeira jogada, mas apenas alvejou as malhas laterais, forçando o prolongamento. Esse cenário não acontecia em finais da Liga dos Campeões há 10 anos e acentuou o desgaste nas equipas, cautelosas e incapazes de criar perigo na meia hora adicional, durante a qual Vitinha saiu ao intervalo a coxear da perna esquerda – Nuno Mendes e João Neves alinharam a tempo inteiro.

Se Gonçalo Ramos foi eficaz a abrir o desempate por penáltis, na 12ª vez em que o título foi decidido através dos pontapés da marca dos 11 metros, Nuno Mendes ainda esbarrou em Raya, antes de, na última série, Gabriel Magalhães atirar por cima e desencadear a festa do Paris Saint-Germain.

 

Vitinha eleito melhor jogador da final

O internacional português Vitinha foi eleito o melhor futebolista da final da Liga dos Campeões. “Assumiu o comando do meio-campo – especialmente na segunda parte -, impulsionando a sua equipa para a frente e ditando o ritmo do jogo. Foi uma excelente exibição do médio português”, disse o Grupo de Observadores Técnicos da UEFA, no fim da partida. No dia em que chegou aos 50 jogos pelo PSG em 2025/26, com sete golos e 10 assistências nas diversas provas, Vitinha, de 26 anos, totalizou 105 minutos e saiu a coxear da perna esquerda ao intervalo do prolongamento – Nuno Mendes e João Neves competiram a tempo inteiro.

 

Um morto e 780 detidos nas celebrações em França

A Procuradoria de Paris anunciou este domingo que um motociclista morreu no sábado em Paris durante as celebrações do título da Liga dos Campeões do PSG. O governo francês anunciou 780 detenções, incluindo 480 em Paris, sendo que 457 ficaram sob custódia policial. Indicou ainda que 57 polícias ficaram feridos, bem como 219 participantes nas festividades, oito deles em estado grave. Este ano, os distúrbios voltaram a concentrar-se nos Campos Elísios, mas também perto do Parque dos Príncipes, o estádio do PSG, e na Praça da República. Cerca de 150 pessoas tentaram invadir o estádio do PSG e registou-se também uma tentativa de ataque a uma esquadra da polícia no 8º Bairro, onde se situa a Avenida dos Campos Elísios.

 

JTM com Lusa