A fava saiu a Portugal no sorteio para o Europeu de Futebol em 2020. A fava ou a “glória”, pois uma passagem à fase seguinte entre os “papões” franceses e alemães, será pisar a “passadeira vermelha” e mostrar a raça na defesa do título
Costa Santos Sr*
O realismo que se impõe para analisar o sorteio do Euro 2020, realizado em Bucareste, capital da Roménia, leva-nos a escrever o chavão que o “grupo da norte” caiu nos braços dos portugueses. Mas, a tanto tempo de distância (Portugal jogará a 16 de Junho de 2020 com o vencedor do play-off A, formado pelas selecções da Islândia, Bulgária, Roménia e Hungria, e que será encontrado em Março; e nos dias 20 com a Alemanha e 24 com a França), a subjectividade da análise é total e, não virá mal ao mundo se, ao contrário, pensarmos que poderá ser o “grupo da glória” caso, obviamente, Fernando Santos e Cª, consigam ultrapassar os adversários e passar à fase seguinte. Nem adianta ainda carpir mágoas e entrar em comparações com os outros cinco grupos, alguns deles onde se poderá adiantar, com todos os riscos inerentes, as selecções favoritas/vencedoras.
Se recordarmos o Euro 2016, ninguém apostaria que a selecção portuguesa conseguisse o feito de, em “casa” do adversário, na final, vencer e levar o “caneco” para Lisboa. Mas conseguiu. Isto quer dizer que há que jogar e, nestas coisas, esperar pelos resultados, ainda que seja difícil sobretudo tendo que jogar em Munique e Budapeste. Se a Hungria vencer o play-off, a selecção portuguesa fará dois jogos em casa dos adversários (Alemanha e Hungria) mas caso seja a Roménia, haverá uma “deslocação” desta selecção para o Grupo C, porque há jogos em Bucareste. Neste cenário, o adversário de Portugal será o vencedor do play-off D, isto é, do confronto entre Geórgia, Macedónia do Norte, Kosovo e Bielorrússia. Mas, lá está, no Euro de França também, a selecção portuguesa venceu a final…
Os grupos, ficaram assim definidos: A – Turquia, Itália, País de Gales e Suíça; B – Dinamarca, Finlândia, Bélgica e Rússia; C – Holanda, Ucrânia, Áustria e vencedor do play-off D; D- Inglaterra, Croácia, vencedor play-off C e República Checa; E – Espanha, Suécia, Polónia e vencedor do play-off B e; F – Vencedor do play-off A, Portugal, França e Alemanha.
Fernando Santos vê “dois favoritos e um candidato”
Sem valorizar as dificuldades “naturais” do grupo que calhou em sorte a Portugal e admitindo que o “candidato” poderá ganhar o seleccionador Fernando Santos, sempre com um sorriso no rosto, encontrou factores positivos no sorteio. “O que penso do Grupo? Normal, são os três últimos vencedores das três grandes provas. Será um grupo forte com dois favoritos e um candidato. Todos irão respeitar-se uns aos outros e há que esperar quem é o quarto. Pode ser que o primeiro jogo seja uma repetição do Euro 2016, se a Islândia ganhar o play-off. Vamos acreditar nas nossas possibilidades e podemos vencer. Todos têm responsabilidades. Há quatro equipas favoritas pelo seu historial e valor e, no nosso grupo, dessas quatro estão duas e Portugal é um candidato e tem as suas chances”, disse, em declarações à Sport TV.
“Quanto à logística, claro que preferíamos ter ficado no grupo E (o da Espanha) porque jogávamos em Bilbau e Dublin o que nos permitiria ficar instalados em Portugal, na Cidade do Futebol e só viajar para os jogos. Mas, por outro lado, se nos tivesse calhado Baku, seria muito pior. Vamos jogar em Munique e Budapeste e se na Alemanha há muitos portugueses, Budapeste fica perto e também poderemos ter muitos portugueses a apoiar-nos”, acrescentou.
*Jornalista profissional especializado em desporto



