Francisco Conceição afirmou que Portugal tem de ter a “faca nos dentes” no jogo com o Uzbequistão, na segunda jornada do Grupo K do Mundial de futebol. “No Mundial o erro tem de ser mínimo. Não ganhámos o primeiro jogo e agora temos a faca nos dentes por que temos de ganhar o próximo. Vamos tentar melhorar. Com a atitude do primeiro jogo e melhorando a qualidade acho que conseguimos ganhar”, disse em conferência de imprensa no “Gardens North County District Park”, em Palm Beach, local de estágio de Portugal durante o Campeonato do Mundo.

O extremo de 23 anos, que entrou ao intervalo no empate frente à República Democrática do Congo (1-1), salientou que a equipa não aplicou a estratégia que tinha para a primeira partida. “O nosso futebol é sempre ofensivo, não executámos bem o plano e sabemos que a forma de jogar não foi a melhor. Temos de tentar corrigir para o próximo jogo”, frisou.

O jogador da Juventus, que soma 18 internacionalizações e quatro golos, acredita que o estreante Uzbequistão vai apostar numa linha de cinco defesas e na componente defensiva, cabendo a Portugal conseguir destabilizar essa organização.

Francisco Conceição sabe que selecções como o Uzbequistão querem chegar ao Mundial e demonstrar que têm qualidade para se bater com as melhores equipas, pelo que Portugal tem de “igualar essa vontade e atitude”. “Antes de dar uma resposta, é mostrar a nós mesmos que temos capacidade de reagir. Nós queremos que este momento passe rápido”, frisou.

O jogador natural de Coimbra, e que fez a formação no Sporting e no FC Porto, garante que o grupo sentiu a má entrada no torneio. “Sentimos na pele que o trabalho não foi feito da melhor forma, mas a pressão está presente e estamos habituados a isso. Cabe a nós dar resposta no próximo jogo”, referiu.

Sublinhou ainda que a selecção lusa tem qualidade para vencer os dois próximos jogos do grupo e confessou que tem preferência por jogar na direita do ataque, apesar de estar disponível para responder ao que o seleccionador Roberto Martínez lhe pedir. “A minha posição preferida é na direita, onde me sinto melhor, mas se o treinador achar que é para jogar na esquerda, não tem problema nenhum. Mas acho que rendo mais na direita”, defendeu.

Por outro lado, disse que os jogadores da selecção não sentem a obrigação de passar a bola a Cristiano Ronaldo. “O Cristiano e a sua qualidade de fazer golos, não existe ninguém como ele. Mas não temos obrigação de lhe passar a bola, eu passo para o que está melhor desmarcado. O Cristiano está aqui para ajudar como qualquer jogador da selecção”, afirmou.

“O Cristiano é um exemplo, pelo que foi a carreira e pela fome que demonstra todos os dias em querer ganhar. Para mim e para a nova geração é um exemplo. É um exemplo pela liderança, pelos golos e é mais um da equipa que está aqui para ajudar. Precisamos de todas as individualidades para que o colectivo funcione”, apontou.

O extremo realçou que o objectivo de Portugal é chegar longe no torneio e garantiu estar disponível para jogar o tempo que Martínez entender. “Queremos chegar o mais longe possível, temos qualidade para isso, mas temos de o demonstrar dentro de campo. Sou sempre mais num para ajudar, jogando 10 minutos ou 90. Estou a realizar um sonho de representar o meu país na melhor competição do mundo e de mim podem esperar sempre o máximo”, assegurou.

Francisco Conceição, que se está a estrear numa fase final de um Mundial, segue as pisadas do pai, Sérgio Conceição, antigo internacional luso, que depois prosseguiu a carreira como treinador. “O Mundial de 2002 não correu assim tão bem, mas é um orgulho para mim saber que o meu pai jogou um Mundial e agora estou aqui eu. Espero que seja diferente a história. Ele contou que também tinham muita ambição, mas um erro num Mundial pode deitar tudo a perder”, defendeu, considerando o pai como o seu “melhor conselheiro” no futebol e na vida.

A terminar, abordou também a alcunha de ‘espalha-brasas’, confessando que prefere ser conhecido pelo seu nome. “Depende do que se quer dizer. Quero ser conhecido como o Francisco. Jogo na Juventus e tenho sido titular indiscutível na minha equipa, esse papel depende da forma como queremos enquadrar. Estou aqui para dar o máximo e mostrar que sou mais um para ajudar”, concluiu.

Portugal defronta o Uzbequistão esta terça-feira, novamente em Houston, no Estádio NRG, numa partida com início agendada para as 12:00 (01:00 em Macau) e que será dirigida pelo marroquino Jalad Jayed. O grupo fica fechado em 27 de Junho, com Portugal a defrontar a Colômbia em Miami.

Para a partida frente ao Uzbequistão, Martínez já vai poder contar com o central Rúben Dias, que falhou a estreia devido a problemas físicos. O defesa deve ter entrada directa no ‘onze’ para o lugar de Tomás Araújo, que foi titular na última partida, mas que tem estado ausente dos treinos, realizando trabalho específico.

Após a primeira jornada, a Colômbia lidera o Grupo K com três pontos, seguida de Portugal e RD Congo, ambos com um, enquanto o Uzbequistão ainda segue com zero, pois perdeu com os colombianos (1-3).

 

JTM com António João Oliveira e Luís Garoupa, enviados da agência Lusa