O esloveno Tadej Pogacar igualou o recorde de cinco vitórias na Volta a França, ao ganhar a 113ª edição. Aos 27 anos, o ciclista da UAE Emirates igualou os franceses Jacques Anquetil e Bernard Hinault, o belga Eddy Merckx e o espanhol Miguel Induráin, impondo-se pela quinta vez na ‘Grande Boucle’ prova que venceu também em 2020, 2021, 2024 e 2025.
O popular ‘Pogi’ foi absolutamente arrasador na edição que terminou no domingo em Paris, ganhando cinco etapas e deixando o segundo classificado, o belga Remco Evenepoel (Red Bull-BORA-hansgrohe) a distantes 06.26 minutos.
Muito mudou na carreira de Pogacar desde que, em 2020, se tornou no segundo ciclista mais jovem de sempre a vencer a Volta a França; um dia antes de cumprir 22 anos, o esloveno subiu pela primeira vez ao degrau mais alto do pódio em Paris, depois de ter ‘roubado’ o triunfo final ao compatriota Primoz Roglic no contra-relógio da véspera. Essa seria a vitória mais ‘curta’ – apenas 59 segundos – das cinco do líder da UAE Emirates.
Ambicioso como poucos, embora reiteradamente negue estar atento a recordes, Pogacar quererá conquistar, pelo menos, mais uma Volta a França, para ganhar pontos na ‘discussão’ sobre quem é o melhor ciclista de sempre, ele ou Merckx, que ainda se mantém um distante recordista de dias de amarelo (111). No entanto, há outro recorde não oficial que o esloveno poderá querer alcançar: o de sete triunfos de Lance Armstrong, ‘apagados’ do palmarés do Tour devido ao recurso do norte-americano àquele que foi descrito como “o programa de doping mais sofisticado, profissionalizado e bem-sucedido da história do desporto”.
Na hora da consagração, Tadej Pogacar não se esqueceu do eterno e azarado rival Jonas Vingegaard, ao mesmo tempo que assumia que é tempo de novos desafios após ter igualado os recordistas de vitórias na Volta a França. “Estou sem palavras. Está um ambiente incrível e estou feliz que tenha acabado e que tenhamos vencido pela quinta vez”, disse o ciclista esloveno na ‘flash-interview’.
“Cada vitória é verdadeiramente especial. Já são sete Tours, sete vezes no pódio e cinco triunfos. Seria algo que talvez nem estivesse escrito num conto de fadas, é difícil de acreditar até para mim”, reconheceu, após cumprir um objectivo de carreira.
Para o seu sucesso, segundo Pogacar, foram fundamentais as pessoas à sua volta, que também mencionou no seu discurso no pódio, nomeadamente a namorada Urska Zigart, também ciclista, a sua família e os elementos da UAE Emirates.
“São elas que estão lá para ti quando estás no teu pior. Assim, podes reconstruir-te e perseguir os teus sonhos. Tenho de encontrar um novo desafio depois disto”, confessou, embora sem querer confirmar que participará na próxima Volta a Espanha, em que poderia completar a trilogia de grandes Voltas.
Quem já o fez foi o seu eterno rival Jonas Vingegaard, o único capaz de o derrotar na Volta a França, em 2022 e 2023, e que não esqueceu enquanto elogiava “o pódio magnífico” da 113ª edição. “Foram campeões incríveis contra os quais lutei neste Tour. É uma pena que o Jonas tenha caído e desistido, assim como muitos outros. Espero que recuperem rapidamente e possamos lutar novamente no próximo ano”, notou.
A acompanhar Pogacar no pódio desta edição esteve Remco Evenepoel, primeiro belga a ser vice-campeão desde 1981. O estreante Isaac del Toro foi o primeiro mexicano a subir ao pódio final, com o vencedor da classificação da juventude, de 22 anos, a ser terceiro, a 09.42 minutos do seu líder esloveno, que no domingo foi apanhado a apenas 400 metros da meta, após ter fugido com Mathieu van der Poel. O neerlandês da Alpecin-Premier Tech aguentou a perseguição do pelotão para ser o primeiro a cortar a meta, no final dos 88,7 quilómetros nas ruas de Paris, onde se impôs com o tempo de 01:58.49 horas à frente do colega de equipa Jasper Philipsen, o belga que bateu o camisola verde Mads Pedersen (Lidl-Trek) na luta pelo segundo lugar na 21ª etapa.
Também o português Nelson Oliveira (Movistar), que foi 27º no domingo, bateu um recorde, ao tornar-se no primeiro ciclista a cumprir 24 grandes Voltas consecutivas sem abandonos. Oliveira resumiu o feito a “um reconhecimento” pelo seu trabalho e apontou a vitória na Vuelta2015 como a melhor memória.
“Acaba por ser especial, por ser fruto de todo o trabalho que tem vindo a ser feito e, provavelmente, um reconhecimento, já que na minha área nunca foi o meu forte [ser protagonista] – sempre foi trabalhar em prol da equipa e acaba por ser um reconhecimento, nada mais”, disse à agência Lusa o sempre modesto Oliveira.
JTM com Lusa



