Foi um “passeio” a terras da Beira. Claro que, nestas coisas de jogo, “ganha quem pode e perde quem deve”. Acima de tudo foi uma vitória conseguida “com outro ar”, outra postura, o que quer dizer que o “murro na mesa” dado por Rui Costa, surtiu, para já, algum efeito.
COSTA SANTOS SR*
Só uma vitória poderia atenuar o sabor amargo da derrota caseira frente ao Gil Vicente; só a conquista dos três pontos, mesmo num terreno teoricamente adverso, como é o do Tondela, poderia produzir os efeitos da “reprimenda” dada por Rui Costa e da natural exigência de se mostrar, ao universo benfiquista, a “outra face”, precisamente, aquela que transmite querer, garra e alma.
E produziu. Melhor, o que se viu no Municipal beirão, foi um Benfica com outra dinâmica, com outra intensidade de jogo, com melhor ligação entre os sectores, mesmo tendo em conta que, no segundo tempo e com a vantagem já consolidada em três golos (Everton, aos 23’, Darwin Nuñez, aos 34’ e Gonçalo Ramos aos 53’), tenha desligado “a ficha”, por momentos, abdicando de confirmar, no marcador, essa superioridade e, ao contrário, ter optado por “controlar” um adversário que, a partir dos 65’, ficou reduzido a 10 elementos, por expulsão de Neto Borges (segundo amarelo e consequente vermelho), isto é, com muito menos possibilidade de fazer qualquer “cócega”, nos calcanhares, a quem quer que fosse.
Para abreviar, mesmo assim, sem profundidade de jogo, sem qualquer “ensaio” à baliza de Vlachodimos, o Tondela ainda assinou o tento de honra (por Eduardo Quaresma, aos 88’), num lance em que Vertonghen perdeu a noção da posição e da proximidade do atacante adversário. Que mais poderia esperar uma equipa que, em 90+6’ fez, apenas, dois remates enquadrados com a baliza, sendo que, um deles, foi o golo?
Porém nestas coisas do futebol, o importante, mesmo, em caso de vitórias, é que elas sejam a tradução do que se passou em campo e não tenham “rabos de palha” para comentar durante uma semana. E, neste particular e no seguimento dessa ideia, a vitória foi limpinha, não resultou de “artes e manhas” que vão ganhando espaço (e actores) nos relvados, mas, sim, da melhor qualidade futebolística, individual e colectiva, do Benfica.
Mudanças à vista?
Disse aqui, na “antevisão” desta jornada, que “a vitória do Benfica era “coisa obrigatória”, mas, a acontecer, não poderá significar tudo”. E, não.
Era o que mais faltava que um plantel com a marca de qualidade e correspondente valor monetário mensal, não estivesse obrigado a dar sequência a esta vitória, a dar continuidade ás melhores prestações individuais e, por elas, ao colectivo. Aliás, já se vão fazendo contas, nos “bastidores”, sobre os possíveis resultados do jogo de sexta feira, no Dragão, mas, os mais avisados, dão de barato esses resultados e querem, isso sim, que a sua equipa continue no trilho que encontrou, em Tondela, quem sabe se no seguimento da “antecipação da estratégia” de Rui Costa, mudando figuras até aqui tidas como “de proa” e deixando o recado, a outras, lembrando que “os pés de barro” não sustentam lugares “cativos”.
Ora, as mudanças estão à vista e, desde logo, até como a mais desejada, a determinação da equipa, o estilo e o modo como jogou, o querer a a raça que usou para não deixar o Tondela jogar. A passividade de “outros encontros”, a “aceitação das bolas perdidas”, foi, neste encontro, “coisa que passou à história”. Mas…a interrogação, melhor, a curiosidade em ver os próximos jogos e analisar se essa melhoria “o ventou levou” ou se…” chegou para ficar”, está latente em todos que ao futebol dedicam o seu tempo.
Coincidência
Há muitos anos, um ex-dirigente do Guimarães disse, em entrevista que me concedeu, que “em futebol, o que hoje é verdade, amanhã, é mentira”. E, todas as sílabas da frase, têm sido provadas e comprovadas ao longo dos tempos.
Por isso, Pizzi, o grande capitão do Benfica, aquele que chegou a “lutar” com Bruno Fernandes pelo “titulo” do melhor médio do futebol português, aquele, também, apontado como “causador” da revolta do balneário – coisa nunca desmentida – saiu pela porta pequena, “emprestado” ao Basaksehir Istambul, quinto classificado da Liga turca, a 20 pontos do guia Trabzonspor e a 11 do segundo classificado, o Konyaspor.
Sem Pizzi, no banco ou na bancada, a equipa foi outra, o rendimento outro foi e, também, muito diferente a exibição. Não, não quero “colar” uma coisa com as outras, quero, apenas, assinalar a coincidência.
É mesmo este cenário, impensável há três meses, que serve de tema de discussão entre a família benfiquista: ligar Pizzi à improdutividade colectiva. Injusto.
E tão injusto que, o próprio presidente, no dia que teve de descer aos balneários para sanar o conflito aberto com a ordem de Jorge Jesus em que “Pizzi não treina mais com o grupo”, prometeu ao grupo que “Pizzi treinaria com o grupo no dia seguinte”, o que quer dizer que Rui Costa apoiava Pizzi.
A verdade de ontem e a mentira de hoje. E, na primeira ocasião, sem qualquer contrapartida que não seja a “anulação” do vencimento até Junho do corrente ano (mas Pizzi ainda tem mais um ano de contrato), surge o empréstimo a um clube de uma liga “menor”, sem aspirações ao título.
Moreirense ganha
No derradeiro jogo da jornada 21, o Moreirense recebeu e venceu o Belenenses SAD por claros 4-1, resultado este que mais agrava a situação do conjunto de Oeiras, último classificado e já a cinco pontos do penúltimo e a seis da “linha de água”, enquanto os “cónegos” subiram uns degraus na tabela muito embora, mesmo assim, a necessitar de confirmar o bom momento trazido por Sá Pinto.
*Jornalista especializado em Desporto



