O piloto francês Sébastien Ogier (Toyota Yaris) sofreu ontem um furo na segunda passagem por Vieira do Minho, penúltima especial da 59ª edição do Rali de Portugal, e perdeu o comando para o belga Thierry Neuville (Hyundai i20).

Ogier, que vinha liderando desde a tarde de sábado, tinha 17,3 segundos de vantagem à entrada para Vieira do Minho 2, a penúltima especial da prova, quando um toque numa pedra obrigou o campeão mundial a parar para trocar a roda dianteira direita, perdendo 1.58 minutos na operação. Com essa perda de tempo, o piloto francês, recordista de vitórias em Portugal com sete triunfos, desceu de primeiro para sexto, a 1.23,9 minutos do novo líder, Thierry Neuville.

“Havia muitas pedras na linha de trajectória”, explicou Sébastien Ogier, no final do troço.

Pouco antes também já tinha furado o finlandês Sami Pajari (Toyota Yaris), que até aí era terceiro classificado e que desceu para o sétimo lugar.

Com estas incidências, Thierry Neuville liderava a prova lusa à entrada para a derradeira especial, Fafe 2, com 14,8 segundos de vantagem sobre o sueco Oliver Solberg (Toyota Yaris) e 27,7 sobre o britânico Elfyn Evans (Toyota Yaris).

“Agora já sabemos o que não devemos fazer”, comentou Neuville no final da especial, recordando o Rali da Croácia, que perdeu ao despistar-se no último troço quando liderava com mais de um minuto de vantagem.

 

Ogier estava muito perto de uma oitava vitória no Rali de Portugal, sexta ronda do Campeonato do Mundo (WRC) depois de terminar o penúltimo dia de prova na liderança. O actual campeão mundial em título e vencedor da edição de 2025, chegou ao final da superespecial de Lousada, que encerrou a jornada de sábado, com 21,9 segundos de vantagem sobre Thierry Neuville e 25,8 sobre Sami Pajari.

Ogier foi quem melhor se deu com as difíceis condições do terreno que os pilotos enfrentaram durante a tarde de sábado, com a chuva a cair com intensidade e a deixar sobretudo os troços de Amarante, Paredes e a superespecial de Lousada com condições de aderência muito complicadas. “Foi uma tarde incrível com estas condições. Estes que estão aqui [em Lousada] são verdadeiros adeptos e não conseguimos dar-lhes o melhor espectáculo. Mas foi um bom dia para nós”, frisou Ogier.

O campeão mundial partiu para a secção da tarde no segundo lugar, a meio segundo do sueco Oliver Solberg. Mas logo no troço de Felgueiras saltou para o comando, numa altura em que a chuva ainda não tinha passado de ameaça.

O francês saiu do parque de assistência com o seu Toyota afinado para condições de chuva e lama e isso notou-se especialmente a partir de Amarante. Foi nesse troço, o mais longo da prova, com 26 quilómetros, que a água caiu em força e Ogier foi o mais rápido, com 11,2 segundos sobre o surpreendente letão Martin Sesks (Ford Puma) e 11,9 sobre Solberg.

O campeão mundial chegava, então, ao troço de Paredes, onde de manhã deixou ficar mais de 19 segundos, com uma liderança de 16 segundos face a Neuville.

Em mais uma lição de condução e estratégia, Ogier voltou a fazer o melhor tempo, com 3,7 segundos de vantagem sobre o britânico Elfyn Evans (Toyota Yaris) e 4,2 sobre Neuville.

“Esta foi uma das piores especiais da minha carreira [de manhã], ainda não sei como foi possível perder tanto tempo. Esta tarde viemos com afinações de chuva e isso ajudou”, explicava o piloto da Toyota, nove vezes campeão mundial.

A superespecial de Lousada também se apresentava encharcada e o irlandês Josh McErlean (Ford Puma) foi a primeira vítima, desistindo após bater com violência no muro logo nas primeiras curvas, interrompendo a sessão por cerca de 15 minutos. Solberg foi quem melhor se adaptou às difíceis condições do traçado e venceu, com 3,5 segundos de avanço para Ogier e 3,8 sobre Pajari. Neuville voltou a perder tempo para o comandante, cedendo mais 1,7 segundos para Ogier.

Com as contas do Campeonato de Portugal já fechadas desde o final de sexta-feira, Armindo Araújo (Skoda Fabia) destacava-se como o melhor representante luso ao longo do dia dos três que ainda permanecem em prova. Segue-se Paulo Neto (Toyota Yaris) e Tiago Silva (Skoda Fabia).

 

FIA multa ACP em 15 mil euros

A Federação Internacional do Automóvel (FIA) aplicou uma reprimenda e uma multa de 15.000 euros, com pena suspensa até ao final de 2027, à organização do Rali de Portugal, devido aos incidentes com os veículos de segurança na sexta-feira. Em comunicado, o Colégio de Comissários da FIA considera que aconteceram “actos inseguros e falha na adopção de medidas razoáveis, resultando assim numa situação insegura (Artigo 12.2.1.h do Código Desportivo Internacional da FIA 2026)”. Em causa, a entrada em pista, no sétimo sector selectivo, de um reboque da organização, a cargo do Automóvel Club de Portugal (ACP), quando os pilotos disputavam já o troço Arganil 2, bem como a entrada, no mesmo troço, poucos minutos depois, de um segundo veículo de segurança, também ligado à organização.

 

JTM com Lusa