O arranjo do telhado do recinto da Taipa era uma necessidade urgente e vem na sequência de muitos pedidos feitos pela Associação de Patinagem de Macau. Selecções de hóquei em patins e “inline” vão estar mais de um mês sem poder treinar, “mas as obras são bem vindas”, diz o presidente António Aguiar
Vítor Rebelo*
Há muito que os dirigentes da Associação de Patinagem vinham reclamando das condições do pavilhão do Nordeste da Taipa, situado na antiga Universidade de Macau, que metia água sempre que chovia, o que tornava praticamente impossível a realização de treinos normais.
Várias vezes viram-se os jogadores a evitar as poças de água, para não cair, ao mesmo tempo que baldes recebiam a água da chuva, que entrava pelo telhado do recinto, cada vez mais estragado por causa dos tufões que foram ocorrendo no território. O último, o “Higos”, foi forte e provocou por isso ainda mais danos.
Perante uma situação que se arrastava há anos, o Instituto do Desporto (ID) decidiu proceder a obras de remodelação do pavilhão, principalmente ao nível da cobertura, que constituía a principal “dor-de-cabeça” para quem queria treinar.
“Muitas quedas dos jogadores se deram durante estes anos em que nós lutámos pelo arranjo do telhado. É por isso com grande satisfação que soubemos que o ID iria proceder a obras de remodelação do pavilhão Nordeste da Taipa, recinto que temos usado há cerca de quatro ou cinco anos, para todas as nossas actividades da patinagem”, começou por dizer ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, António Aguiar, presidente da Associação de Patinagem da RAEM.
“Espero que acabem as inundações, as toalhas e os baldes que se colocavam no chão para evitar danos maiores no piso e possamos ter um pavilhão em condições. Isto porque não podemos treinar em mais sítio nenhum, uma vez que a nossa antiga casa, o Pavilhão do D. Bosco, já pouco resolve os nossos problemas. E lá, com poucas horas que temos, ao sábado, já nem podemos ter balizas, porque tínhamos de as transportar e guardar noutro local. Para simplesmente pôr os jovens a patinar, ajuda claro, mas parece que não há grande interesse em que a modalidade utilize o D. Bosco”, refere Aguiar, “daí que tenhamos praticamente só ao nosso dispor o Pavilhão do Nordeste”.
Selecções já estavam com bom ritmo de treino
As obras estão previstas arrancar no dia 1 de Outubro, devendo prolongar-se até à segunda semana do mês de Novembro, “mas pode ser que terminem mais cedo, o que seria óptimo para regressarmos aos nossos treinos”, indicou.
António Aguiar reconhece que a paragem dos trabalhos do hóquei em patins, masculino e feminino, e do ‘inline’, é sempre prejudicial, “até porque estávamos já com um bom ritmo, desde Maio, altura em que o pavilhão foi reaberto depois da pandemia”.
Naquele recinto o hóquei tradicional e o “inline”, com várias escalões etários, dispõem de 15 horas semanais, “mas precisávamos de pelo menos o dobro e essa é também uma luta que temos travado, já que cada vez há mais gente a treinar, em especial as camadas jovens, que necessitam de muito treino”. “A gestão do espaço tem de ser muito bem feita. Temos contado sempre com a compreensão do ID, mas a realidade é que continuamos a precisar de mais horas”, sublinha o dirigente.
Os trabalhos das selecções vão assim parar durante cerca de mês e meio, mas os atletas vão continuar com a preparação física.
“Queremos que os jogadores não percam o ritmo, pelo menos fisicamente e o que pretendemos é que os horários dos treinos se mantenham, porque não queremos perder tudo o que fizemos nestes últimos meses. Estamos já a pensar em espaços ao ar livre para o efeito”, disse Aguiar, para quem “os campeonatos internos, compromisso que assumimos com o ID, agendados para Outubro, vão passar para mais tarde”.
Asiático na China em Maio
Por todo o mundo e concretamente na Europa, onde o hóquei em patins tem maior expressão, 2020 é um ano perdido, tudo foi adiado.
Aguiar é membro do Comité Internacional de Hóquei em Patins e diz que os dirigentes aproveitaram este período longo de paragem de competições para realizar algum trabalho de secretaria, “pôr tudo em ordem e fazer algumas alterações, pequenas, às regras”.
No que diz respeito ao Campeonato da Ásia-Pacífico, que deveria realizar-se este ano na República Popular da China, passou para Maio de 2021. “Antes disso, talvez em Março, se for possível, pretendemos fazer o nosso torneio internacional, como forma de preparação para o Asiático das nossas selecções masculinas e femininas”, adiantou.
Para além desse campeonato, que Macau perdeu na última edição para a Austrália, a formação orientada por Hélder Ricardo, que é também jogador de campo, a equipa da RAEM irá participar em mais uma edição dos Jogos Mundiais da Patinagem, que foram adiados de 2021 para 2022, na Argentina.
Também as eleições no Comité Internacional estavam agendadas para o final deste ano, mas o actual mandato deverá estender-se até Setembro do próximo.
António Aguiar afirma que provavelmente vai continuar. “Não vejo razão para deixar, até porque há ainda muito a fazer, nomeadamente aqui no continente asiático”.
* Jornalista



