O médio Bernardo Silva garantiu estar pronto a ajudar a selecção portuguesa de futebol no Mundial2026, mas explicou que o seleccionador Roberto Martínez tem de fazer “escolhas difíceis”, num grupo em que todos têm a ambição de jogar.

“Somos muitos e todos vimos para o mesmo. Todos temos ambição de jogar e o treinador tem a missão difícil de escolher. Claro que quero fazer parte, contribuir, mas estou pronto para ajudar, seja cinco minutos ou no balneário”, disse, em conferência de imprensa no “Gardens North County District Park”, em Palm Beach, nos EUA.

Portugal terminou o Grupo K na segunda posição, atrás da Colômbia, e vai agora enfrentar a Croácia nos 16 avos de final, num jogo agendado para esta quinta-feira, pelas 19:00 locais (07:00 de sexta-feira em Macau), no Estádio BMO Field, em Toronto, no Canadá, que será arbitrado pelo norueguês Espen Eskas.

Bernardo Silva foi titular no empate com a República Democrática do Congo (1-1), suplente utilizado com o Uzbequistão (5-0) e não utilizado com a Colômbia (0-0), mas garantiu que o seu trabalho é estar pronto para jogar quando o treinador assim o entender. “Não é o meu trabalho discutir as opções do seleccionador. Temos muita qualidade, todos os jogadores querem ajudar e fazer parte e o treinador tem de fazer escolhas difíceis. Quando não nos toca a nós, cabe fazer o melhor, apoiar, treinar bem e estar prontos para a oportunidade quando ela surgir”, referiu.

O médio, que vai alinhar no Real Madrid, de José Mourinho, após nove temporadas no Manchester City, abordou ainda as críticas de que a selecção tem sido alvo. “Estamos habituados, o futebol é um jogo que envolve muita paixão e representamos toda uma nação. Entendemos, eu tenho muitos anos de futebol e estou habituado. Enquanto jogadores, queremos tentar equilíbrio e estabilidade, não estar lá em cima e cá em baixo. Temos de perceber o que falhou, melhorar, mas queremos estabilidade”, salientou.

Bernardo Silva destacou que um Mundial é uma competição difícil para todas as selecções, mas garantiu que a equipa lusa está a dar o seu melhor e que, apesar de existirem coisas a melhorar, o grupo está confiante. “Temos a ambição de fazer as coisas bem, sabendo que existem outras selecções com as mesmas ambições. Mas eu acredito muito na selecção”, atirou.

Em relação à posição em que se sente melhor no relvado, no meio ou mais nas alas, Bernardo Silva explicou que já alinhou em diferentes lugares ao longo da carreira. “As minhas características naturais levam mais para um sítio, mas em muitos momentos da carreira joguei em outras posições. Estou preparado para jogar em todas, ajusto-me mais ao meio-campo, mas estou aqui para ajudar”, defendeu.

Bernardo Silva observou que a Croácia tem um estilo mais parecido a Portugal e apontou Modric como um ídolo, mas quer seguir em frente. “É uma selecção com muita qualidade, conheço bem o espírito croata, tenho lá amigos, e é selecção muito aguerrida”, avisou.

Rejeitou ainda o favoritismo luso para a próxima partida, mas salientou que o objectivo é garantir a qualificação para os oitavos de final. “Favoritos não sei. Temos respeito pela Croácia, vontade de fazer as coisas bem e seguir em frente, que é o nosso objectivo”, defendeu,

O médio considerou ainda Luka Modric, capitão da Croácia, como um ídolo e até recordou o dia em que lhe pediu a camisola, num confronto entre o Manchester City e o Real Madrid, a equipa em que vai continuar a carreira depois de sair da formação inglesa. “O Luka é um ídolo para mim. É uma grande inspiração e fico feliz por ver que ainda joga a este nível com esta idade. Já joguei contra ele muitas vezes, até lhe pedi uma camisola, que é uma das mais especiais que tenho em casa”, frisou.

Em relação à fase de grupos, Bernardo Silva reconheceu que o objectivo era terminar em primeiro, mas que o segundo posto não é o “fim do mundo”, considerando que o duelo com os colombianos foi um “bom teste” para perceber a dificuldade do Mundial.

“Ficámos com a sensação que podíamos fazer melhor as coisas e existem coisas a melhorar. O positivo é que numa competição a eliminar, nunca vão existir jogos perfeitos. Senti que o jogo não foi perfeito, mas fomos competitivos, mantivemos a baliza a zero e podíamos ganhar. A selecção está preparada para ser competitiva e eliminar qualquer selecção, mesmo nos dias em que as coisas não corram bem”, garantiu.

Frente aos colombianos, Bernardo Silva explicou que faltou a Portugal controlar o jogo com bola e que esse é um factor essencial para a selecção jogar bem, alertando para a importância de manter sempre o equilíbrio. “Num Mundial, as selecções são todas muitas fortes. Nos últimos 10 anos, sinto que o futebol é mais táctico, mais analisado e é difícil ganhar. O que vimos até agora nos 16 avos de final não me surpreendeu”, assegurou.

Bernardo Silva explicou ainda que é difícil adaptar o estilo de jogo de todos os futebolistas lusos, referindo que Portugal não tem a vantagem de todos jogarem quase na mesma maneira, como Espanha ou Alemanha, em que muitos jogadores crescem e evoluem no próprio país.

 

JTM com António João Oliveira e Luís Garoupa, da agência Lusa