Com uma exibição agradável na estreia do treinador Marcel Keizer na I Liga Portuguesa, o Sporting triunfou em Vila do Conde e reaproximou-se do FC Porto no topo da classificação. Um grande golo de Jovane Cabral, aos 72 minutos, resolveu a partida quando o Rio Ave, ao seu estilo, ainda procurava o empate

 

Costa Santos Sr*

 

Num terreno pesado, Rio Ave e Sporting protagonizaram um bom jogo de futebol. Embora com armas diferentes, as duas equipas foram iguais no empenho e vontade, apostadas em aproveitar as oportunidades de golo. E o primeiro golo leonino surgiu precisamente de um “aproveitamento” rápido na marcação de um livre, que deixou a defensiva adversária fora do sítio, possibilitando o remate cruzado e certeiro de Bruno Fernandes, aos oito minutos.

Os vila-condenses protestaram por duas razões: o livre foi marcado mais atrás do local onde a falta foi cometida e, segundo eles, o árbitro (Carlos Xistra) não tinha apitado. Ora, o que acontece com faltas cometidas em zonas longe das respectivas áreas, onde não há necessidade de formar barreira nem a preocupação de manter as distâncias regulamentares, o árbitro não precisa de dar a “apitadela” para a bola rolar. E o facto da falta ter sido marcada mais atrás do local onde foi cometida, é permitido. Não pode é ser marcada mais à frente. Por isso, e embora ainda tenha consultado o VAR, o árbitro validou o golo.

Ainda assim, os “leões” não embalaram para uma vitória tranquila, porque o Rio Ave continuou disposto a discutir o resultado. Subiu linhas, tentou manietar a zona de construção adversária e o Sporting passou por alguns momentos menos fáceis. Num deles, aos 12’, após uma falta de Bruno Gaspar, João Schmidt marcou um golão de pé esquerdo na conversão do livre, negando a Renan qualquer êxito na estirada que fez.

Depois, a história foi outra: o técnico do Sporting, Marcel Keizer, que se estreava na I Liga Portuguesa, foi claro nos seus gestos e impôs maior velocidade de jogo, mais pressão sobre o adversário, melhor circulação de bola e um futebol a toda a largura do campo. E isso aconteceu. Os donos da casa, continuando a dificultar a manobra ofensiva do adversário, já jogavam mais no seu meio-campo e afastavam a bola como menos intenção de contra-atacar.

Da mudança estratégica dos “leões” nasceu o segundo golo, aos 23 minutos: cruzamento da esquerda de Acuña e Bas Dost desviou, de cabeça, para o fundo das redes. Em vantagem, os “leões” mantiveram a preocupação de não deixar o adversário subir no terreno, de ter mais bola, isto é, de conseguirem controlar a partida o mais longe possível da sua própria baliza. Até que, aos 72 minutos, Jovane Cabral “matou o jogo”, com um golo que ficará como um dos melhores do ano. E quando os adversários reconhecem que, de facto “é um golo do outro mundo”, não se necessita de mais adjectivação.

Apenas uma curiosidade: nas declarações finais, Fábio Coentrão foi igual a si próprio. “Estou grato pelo que o Sporting fez por mim. Agora, posso dizer que, seguramente, não volto a jogar nos três grandes em Portugal. Agora, posso dizer de boca cheia que o meu clube é o Sporting. Quando deixar o futebol, vou continuar a seguir o Sporting, quero que o Sporting ganhe. Tenho que estar grato a estes adeptos”, disse o jogador do Rio Ave, que alinhou na temporada passada pelos “leões”.

Com esta vitória, o Sporting terminou a 11ª jornada no segundo lugar com 25 pontos, menos dois do que o FC Porto. O Rio Ave ocupa o sexto lugar com 18 pontos, os mesmos do Vitória de Guimarães, que subiu à quinta posição.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto