A Espanha dominou por completo a favorita França e, com uma exibição arrebatadora, venceu por 2-0 e qualificou-se para a final do Mundial de futebol de 2026, numa meia-final disputada em Arlington, nos EUA. Um penálti concretizado por Mikel Oyarzabal, aos 22 minutos, e um golo do ex-‘leão’ Pedro Porro, aos 58, selaram o triunfo da ‘roja’, que vai poder lutar pelo segundo ceptro, 16 anos da vitória na única final que disputou (1-0 aos Países Baixos, após prolongamento, em 2010, graças a um golo de Andrés Iniesta).
Mais do que qualquer jogador, a Espanha ganhou por um colectivo inexpugnável, sendo muito melhor no meio-campo, com Rodri, Fabián Ruiz e Dani Olmo fenomenais, tal como toda a defesa, que voltou a não sofrer golos – só um concedido, em sete jogos.
Os detentores do título europeu, com o seu ADN de ter a bola e de – na perda – a recuperar rapidamente, conseguiram vulgarizar uma França que chegou ao Mundial2026 como a grande favorita ao título, estatuto que foi reforçando ao longo da prova. Mas, face aos espanhóis, os campeões de 2018 e ‘vices’ de 2022 pouco ou nada fizeram, pelo que é já certo que o Mundial2026 vai ter no domingo uma final inédita, com a Espanha a defrontar a campeã em título Argentina ou a Inglaterra, que se defrontaram após o fecho desta edição.
Quanto à França, vencedora da prova em 1998 e 2018, vai ter de resignar com o jogo de consolação, no sábado, depois de sofrer o quarto desaire em oito presenças nas ‘meias’, e o primeiro em 40 anos, desde 1986 (0-2 com a RFA).
Em relação aos ‘quartos’, Deschamps trocou Koné e Doué por Tchouaméni, que não tinha jogado nos dois últimos encontros, e Barcola, enquanto De la Fuente repetiu o ‘onze’, mantendo, assim, Fabián Ruiz de início e Rodri no banco.
A Espanha assumiu a posse de bola desde o início e criou o primeiro momento de frisson aos 11 minutos, num livre de Baena à barreira, com resposta gaulesa num passe de Dembélé para Mbappé, anulado por Porro, aos 15.
Aos 22 minutos, os campeões da Europa ganharam vantagem, depois de um erro de Digne, que, após um centro da esquerda de Cucurella, aos 20, dominou a bola de cabeça e, ao tentar pontapeá-la, acabou por acertar em Yamal, que, inteligentemente, intrometeu-se, ganhando um penálti que Oyarzabal concretizou com frieza.
A França, que aos 30 minutos perdeu Saliba por lesão (entrou Lacroix), acusou o golo e, aos 38, a Espanha ameaçou fortemente o segundo, numa sucessão de tabelinhas – Baena, Rodri, Yamal, Olmo e Yamal -, até ao remate de Fabián desviado por Upamecano. Aos 42 minutos, os gauleses criaram perigo, mas Unai Simón saiu de fora da área e, no tempo certo, chegou primeiro do que Mbappé, lançado por Rabiot.
A Espanha continuou melhor no início da segunda parte e, aos 57 minutos, Deschamps, que já tinha lançado Koné ao intervalo, prescindindo do mais criativo Rabiot, trocou Barcola por Doué, e de imediato, aos 58, a Espanha marcou o segundo. Porro foi da direita para o meio, tabelou com Olmo e, isolado, desviou a bola de Maignan.
Com dois golos de vantagem, o ‘onze’ de Luis da la Fuente ficou ainda mais tranquilo, se era possível, e foi controlando o jogo, sem nunca se esquecer de atacar, com foi exemplo um cabeceamento de Ferran que saiu pouco ao lado, aos 77 minutos.
Sem nada a perder, a França lançou-se no ataque e rematou muito, mas Mbappé (67, 89 e 90+7 minutos), Doué (81) e Dembélé (90+5 e 90+7) não assustaram verdadeiramente Unai Simón, que aos 90 teve a preciosa ajuda de Cucurella, com um grande corte perante o capitão dos gauleses.
Encerramento com ‘estrelas’ em intervalo extralongo
Os músicos Robbie Williams e Laura Pausini e o actor Tom Cruise estão entre as celebridades que vão participar no domingo na cerimónia de encerramento do Mundial de futebol, no intervalo extralongo da final, em Nova Iorque. Pela primeira vez na história do torneio, a FIFA vai promover um espectáculo no intervalo, inspirado no Super Bowl de futebol americano, com actuações de Shakira, Madonna, o grupo sul-coreano BTS, Justin Bieber, Gustavo Dudamel, Burna Boy, o coro PS22 e os Coldplay, pelo que se prevê que a pausa dure mais do que os 15 minutos regulamentares. Quanto ao programa antes do jogo, a FIFA acrescentou que também a artista Nicole Scherzinger, a cantora Jennifer Hudson e o ‘streamer’ IShowSpeed farão parte do espectáculo no Estádio MetLife, em East Rutherford, uma hora antes do jogo, que está marcado para as 15:00 locais (03:00 em Macau). “A cerimónia de encerramento celebrará a paixão, a emoção e o espírito global que definiram o 23º Campeonato do Mundo da FIFA: um evento transformador com 48 selecções que quebrou recordes e inspirou uma nova geração de raparigas e rapazes em todo o mundo a sonhar. Mais artistas e convidados especiais serão anunciados nos próximos dias”, sublinhou o organismo. Neste espectáculo, que celebrará a “viagem inesquecível” das 48 equipas nacionais pelos três países anfitriões – EUA, México e Canadá – e pelas 16 cidades que acolheram jogos, a FIFA pretende destacar “a paixão, a emoção e o carácter global” do torneio. “A cerimónia de encerramento trará o Mundial2026 de volta ao seu ponto de partida através da música, da cultura e do futebol, antes de darmos o pontapé de saída para o jogo tão aguardado que vai coroar os campeões deste torneio inovador”, afirmou Heimo Schirgi, director de operações da competição. Os adeptos no estádio vão ter um papel activo no espectáculo, pelo que a organização espera que cheguem cedo, uma vez que as portas abrem quatro horas antes para que os presentes sejam presenteados com “um conjunto de experiências, incluindo activações exclusivas, recompensas e entretenimento adicional antes do jogo”.
JTM com Lusa



