O novo seleccionador português de futebol afirmou que vai implementar na equipa de Portugal uma identidade e ideia de jogo “completamente diferentes”, em relação ao que jogava com Roberto Martínez. “Se não jogarmos o dobro, fica tudo igual. A qualidade está cá e acredito muito na capacidade do nosso trabalho e dos jogadores, mas só isto não chega. A selecção é muito mais do que um clube e quem não partilhar a ideia, não tem hipótese. Todos temos de pagar o preço de querer ganhar. Vamos criar uma identidade e uma ideia de jogo que não tem nada a ver com a ideia que a selecção portuguesa tinha. Tenho uma forma completamente diferente de olhar para o jogo”, expressou Jorge Jesus, que foi apresentado numa cerimónia na Cidade do Futebol, em Oeiras, na sexta-feira.

“Onde chego é para vencer e aqui é igual. Eu gosto de assumir a responsabilidade quando tenho a certeza de que eu tenho matéria-prima para desenvolver. Eu estou habituado a essa pressão, que se enquadra no que penso. Nós estaremos prontos para traçar o nosso caminho e para um desafio difícil, mas estou convencido que vamos vencer”, apontou o seleccionador, de 71 anos, que treinou antes o Al Nassr.

Jesus realçou que treinar uma selecção e um clube “não é muito diferente” e lembrou que, dos futebolistas convocados para o Mundial2026, já trabalhou com cerca de metade durante a carreira e mostrou-se disponível para a geração futura. “Acredito em todos e vão aparecer novos jogadores, de muita qualidade. Vou estar ainda mais inserido na evolução dos mais jovens, mas o mais importante agora é o presente. Da actual selecção, só seis jogadores têm acima de 30 anos e dois deles são guarda-redes. Não é uma equipa velha, a média de idades está nos 28 anos, é o melhor período do jogador. Não é por aí que a selecção vai ter problemas”, disse.

Desvalorizou ainda polémicas antigas com Bernardo Silva, numa fase inicial da carreira do futebolista, assegurando que falou com ele sobre o tema, e recusou comentar a prestação dos lusos no Mundial2026. “O que Portugal fez não me compete a mim. Não é elegante da minha parte dizer o que poderia ter feito. O primeiro lugar do grupo era importantíssimo. Já se sabia a calendarização e não é a mesma coisa jogar contra a Espanha ou contra a Suíça. Faria tudo para ser o primeiro classificado do grupo, mas o resto não quero entrar por aí”, vincou o técnico, que assinou até ao Mundial2030.

 

Ronaldo “não é problema”

Por outro lado, afirmou que Cristiano Ronaldo, com quem trabalhou no Al Nassr, nunca será um problema. “Ainda não falei com Cris [Cristiano Ronaldo], nunca vai ser problema para a selecção ou para mim. Aquilo que o Cris é como jogador e a polémica que houve, cada um pensa como quiser. Quando tiver de tomar uma decisão, vou falar com o Cris, não por ser o Cris, falo com todos individualmente. O Cris é um símbolo do futebol português, da selecção, de Portugal e vai ficar sempre na história”, disse.

Jesus acrescentou ser fácil trabalhar com o capitão da selecção, com quem foi campeão saudita pelo Al Nassr, revelando que o avançado quer continuar a jogar na Arábia Saudita e que, sobre a selecção, falará com o jogador para saber o que quer fazer. “Desde que eu perceba até onde ele pode chegar e eu possa chegar. A partir daqui as coisas serão fáceis. O que é que ele quer fazer para o futuro da carreira. Sei que quer continuar no Al Nassr, a partir do momento que esteja a jogar e que tenha condições para ser seleccionado, eu o farei, dentro de um limite e de umas condições, que eu achar as melhores para a selecção. Vai ser assim”, disse.

O técnico expressou o “grande orgulho” de chegar à selecção nacional e a vontade de ganhar. “Agora sou um treinador de 12 milhões, do povo português, ansioso de poder ganhar. Certezas absolutas também as tenho e o que quero é que Portugal esteja ligado, os adeptos, os portugueses dentro e fora do país encheram-nos de vaidade [no Mundial2026], não senti desportivamente…”, disse.

Nos quase 40 anos de carreira como treinador, que se iniciou em 1989/90, no Amora, então na III Divisão, esta será a primeira vez que Jorge Jesus irá assumir a liderança de uma selecção. Neste percurso, orientou Felgueiras, União da Madeira, Estrela da Amadora, Vitória de Setúbal, Vitória de Guimarães, Moreirense, União de Leiria, Belenenses, Sporting de Braga, Benfica, Sporting, Al Hilal, Flamengo e Fenerbahçe.

Jesus conquistou uma Taça Libertadores, no comando técnico do Flamengo, além do Brasileirão, depois de se ter sagrado campeão português três vezes, pelo Benfica, entre outros troféus como uma Taça de Portugal, seis Taças da Liga, uma no Sporting, duas Supertaças Cândido de Oliveira e uma Taça da Turquia.

 

JTM com Lusa