Foi uma corrida louca e…muito mais louca nas horas finais deste “mercado de transferências”. Das novelas dos últimos dias, Rafa assinou pelo Benfica e Adrien continua de verde e branco vestido! Nas contas finais e no total, mais de trezentos milhões de euros foram gastos e algumas centenas de milhões, recebidos.
COSTA SANTOS SR
Especial para o JTM
Pelos Algarves anda a população agitada com a tentativa de descoberta de petróleo na “costa”, pelos custos ambientais que se verificaram noutros locais. O mentor da iniciativa tem sido Sousa Cintra, o empresário que, há anos, foi presidente do Sporting.
Mesmo com essa experiência, Sousa Cintra os últimos dias mostram que Sousa Cintra anda à procura no lugar errado. Os “poços de petróleo” em Portugal estão no futebol, como se viu nas horas finais da “janela” de transferências que ontem terminou na Europa – a Rússia ainda pode fazer aquisições.
Não foi “janela”, mas sim mercado. E, para o habitual em Portugal um mercado que atingiu grandes dimensões.
Nos últimos dias, independentemente de se valorizar todo o esforço financeiro que os clubes ditos “pequenos” fizeram para os reajustamentos que os seus treinadores iam pedindo, sempre com a frase lapidar a antecipar qualquer diálogo “para lutar pela manutenção, precisamos de…”, o mediatismo desta “quadra” centrou-se, naturalmente, nos crónicos candidatos Benfica, Sporting e FC do Porto, com um Braga muito mais vendedor do que comprador – melhor, vendedor mas a receber jogadores incluídos no “pacote” global.
O Benfica comprou para “tapar os buracos” que as saídas de Gaitan e Renato Sanchez geraram, o Sporting, para preencher as posições de João Mário e Slimani e, o terceiro, dadas as saídas de Aboubakar, Indi e outros que nunca se consolidaram na primeira equipa.
Se os cofres tinham ou não o “papel” suficiente para fazer face às exigências, só os dirigentes o poderão saber.
Mas, no caso de Benfica e Sporting, o dinheiro “fresco” entrado nos cofres – independentemente de, parte dessa verba, se destinar a encargos bancários contraídos aquando da reestruturação da dívida – deu um certo desafogo como se prova pela abordagem ao mercado, com os encarnados, por exemplo, a pagarem 16 milhões por Rafa mais 50% do que o representante do jogador impunha receber (mais ou menos 800 mil euros), sem contar, obviamente, com um jogador cedido a título definitivo (Rui Fonte) e, outro, cedido por uma temporada (Benitez).
Já o Sporting, optou por uma estratégia diferente: ceder por uma ou duas épocas alguns jogadores; emprestar outros com cláusula de compra obrigatória no final da época e…rescindir, amigavelmente, com outros. Resultado: um alívio muito significativo na folha salarial e, ainda, um encaixe de alguns milhões, muito embora sem o significado das dezenas de milhar.
Já o FC do Porto optou igualmente pelos empréstimos e de compras avultadas só o central Boly e Oliver Torres poderão ter atingido – porque nada foi revelado quanto a verbas… – a dezena e meia de milhões de euros. Em contrapartida, as muitas cedências também serviram para diminuir as dores de cabeça mensal.
As novelas…
Claro que o passar do tempo e as indefinições geradas, alimentaram – e muito – o “diz-que-diz” da comunicação social, escrita e falada, sem esquecer (talvez a mais importante fatia) a televisiva.
Se Rafa estava “preso” pela birra do seu representante (António Araújo) em receber qualquer coisa como um milhão e seiscentos mil euros pelo trabalho da mediação – coisa que o presidente do Benfica recusava pagar por, no seu entender, o negócio ter sido feito sem a intervenção do empresário -, Adrien era “retido” pelo presidente Bruno de Carvalho (ao que dizem por exigências de Jorge de Jesus), escudando-se num contrato “actualizado” em Fevereiro passado e cujo valor foi “muito substancialmente melhorado” – citando um comunicado da SAD do Sporting -, situação esta que provocou uma “onda” de recriminações, quer por parte do empresário do jogador – o francês Jonathan Maree – quer, inclusive, pelo seu próprio pai, Manuel Silva.
A tudo isto Bruno de Carvalho resistiu. A tal ponto que, a meio da tarde da passada quarta feira – o última dia das transferências – ter sido posta a circular a noticia de que “Adriden fechado com o Leicester”. Informação e contra-informação., o normal, normalíssimo, nestes casos!
Ao bater das doze badaladas na Europa, com o “mercado” a fechar os taipais, vieram as certezas: Rafa assinou pelo Benfica – no hotel onde a selecção estava concentrada- e Adrien não teve, por parte do Leicester, o tal interesse que o levaria até terras de Sua Magestade. Entretanto, nos últimos segundos, o Sporting ainda foi buscar, por empréstimo do Liverpool, Markovic, o sérvio que já passou pelo Benfica.
Agora, como disse Jorge Jesus, “vai haver gente que regressa ao trabalho chateada mas terá de limpar a cabecinha muito rapidamente. Já chega de vivermos sem saber com o que poderemos contar!”



