Espanha, Alemanha, Portugal, Itália e Argentina são as nacionalidades dos treinadores das principais equipas da Premier League, “os guerreiros” que estão atrás do jogo que se passa entre as quatro linhas

 

Parece estranho, mas a verdade é que até hoje, nunca nenhum técnico inglês nunca conseguiu conquistar o troféu da Premier League e a “seca” parece não ter fim, já que os seis grandes se preparam para liderar a disputa pelo título nesta temporada com técnicos estrangeiros.

Mas nem todos partem com as mesmas “armas”. O técnico espanhol Pepe Guardiola mantém a base da mesma equipa que venceu na época passada, enquanto o seu compatriota Unai Emery parte do “zero” no Arsenal, após a saída de Arsene Wenger. Curiosamente as duas equipas defrontam-se na primeira jornada.

Ambos têm uma “armada” espanhola por detrás deles. Nos bastidores, Pepe Guardiola é apoiado por um grande contingente espanhol, nenhum talvez mais importante que os assistentes Mikel Arteta e Rodolfo Borrell após a perda do assistente de longa data Domenec Torrent. Outros técnicos espanhóis como Xabier Mancisidor e Lorenzo Buenaventura treinam, respectivamente, os guarda-redes e o fitness, enquanto Carles Planchart lida com a análise de desempenho e Manel Estiarte é fundamental para Guardiola tentar encontrar formas inovadoras de motivar seus jogadores.

Já Unai Emery mudou quase tudo no Arsenal. Alexandre Lacazette e Laurent Koscielny mantiveram-se no Emirates Stadium para apoiar a equipa espanhola de Unai composta pelo seu assistente Juan Carlos Carcedo, com quem trabalhou no Almeria, Valência, Spartak Moscovo, Sevilha e Paris Saint-Germain, bem como no, Pablo Villanueva. O director de alto desempenho Darren Burgess e Julen Masach, encarregados de força e condicionamento, também vão participar da equipa técnica ao lado de Emery.

No segundo classificado da época passada, o Manchester United de José Mourinho não tem o assistente de longa data e amigo pessoal Rui Faria que tem a ambição de ser treinador principal. Em contrapartida a equipa técnica inclui o ex-centro campista do United Michael Carrick que resolveu arrumar as botas como jogador. Da equipa maravilha de Mourinho, sobressai agora o ex-guarda redes internacional português Silvino Louro que deverá ser o mais próximo aliado de Mourinho no seu papel de técnico da equipa principal, mas é mais conhecido pelo treino em campo do que pela sua influência nos dias de jogos, onde Carrick deverá sobressair.

A horas de encerrar a época de transferências, o problema do United continua a ser a falta de reforços, em especial, para a defesa. A frustrante pré-época mostrou as fragilidades que à última hora estão a tentar ser resolvidas, mas a verdade é que Mourinho parece em posição muito complicada neste início da Premier League, até porque é contestado internamente, segundo a imprensa britânica.

A vida também não parece fácil para o Chelsea, que subsituiu um técnico italiano por outro italiano. Maurizio Sarri perdeu grande parte das “tropas” italianas de Conte partindo com o ex-chefe dos blues, mas reforçou o contingente italiano ao incluir como seu assistente Gianfranco Zola, uma lenda do clube e manter Carlo Cudicini, um ex-guarda-redes do Chelsea, também como assistente provavelmente como treinador dos guarda-redes.

Quanto à equipa, as últimas horas do período de  transferências podem trazer grandes novidades, pois alguns dos principais jogadores do Chelsea como Hazard e Williams estão sob forte pressão para mudarem de ares, e desconhecem-se negociações para a vinda de novos jogadores, embora tudo esteja em aberto.

Em Liverpool, a questão que se coloca é apenas: será este finalmente o nosso ano? O técnico alemão Jurgen Klopp transformou a equipa que se encontra agora muitos furos acima e, como resultado, o Merseyside finalmente parece poder pensar em acabar com a “seca” de 29 anos pelo título da liga.

Porém apesar de Klopp ter muito pouca preocupação com o plantel, já que não perdeu nenhum dos jogadores principais, enfrenta algumas incógnitas em relação à sua equipa técnica. O assistente de longa data, Zeljko Buvac, deixou o clube e viu o retorno do holandês Pep Lijnders, que chegou após um período sem sucesso na última temporada. Para aumentar a quota alemã, ao lado de Klopp manter-se-á Peter Krawietz, como segundo treinador adjunto tendo seguido o chefe dos Reds para Anfield em 2015.

Por fim no lote das principais equipas está o Tottenham Hotspur, que apresenta o mesmo grupo à volta de Mauricio Pochettino já na sua quinta temporada no clube.

Na linha lateral, Pochettino é auxiliado pelo espanhol Jesus Perez, que tem estado com o argentino desde os seus dias no Southampton e no Espanyol, e o argentino Miguel D’Agostino que segue Pochettino desde os tempos no Espanyol – da mesma forma que o técnico de guarda-redes, o espanhol Toni Jimenez.

Esta equipa técnica tem provado ser altamente benéfica para os Spurs, que apesar de serem constantemente superados pelos seus rivais, continuam a tirar o melhor proveito do seu plantel. Se será o suficiente para acabar com a “seca” do principal troféu que se estende por mais de uma década, isso está para se ver…

 

Everton pode ser a revelação

 A grande revelação para lutar por um lugar na Champions, poderá estar na segunda equipa de Liverpool – o Everton, que foi buscar o português Marco Silva como treinador principal. Em termos de plantel foi uma revolução. Saíram o internacional Wayne Rooney, Ramiro Funes Mori, Jose Baxter, Joel Robles, Conor Grant, Calum Dyson, Sam Byrne, Louis Grey, David Henen, Stephen Duke-McKenna, Tom Scully e entraram duas “estrelas” com provas dadas: os brasileiros Richarlison e Bernard e Lucas Digne. Richarlison, assinado no mês passado ao Watford por 44 milhões de libras, terá influenciado a decisão do internacional Bernard, um extremo que passou as últimas cinco temporadas no Shakhtar Donetsk onde ganhou três títulos da liga ucraniana. O internacional francês Lucas Digne vindo do Barcelona, traz considerável reforço para o papel de lateral esquerdo e decorrem negociações para mais jogadores: André Gomes (Barcelona) e Victor Lindelof, Chris Smalling e Marcos Rojo (Manchester United). Se tudo se confirmar nas próximas horas, há razão para optimismo em Goodison Park.

 

Liga começa hoje

A Premier League inicia-se na próxima madrugada em Macau com o Manchester United-Leicester City, mas o jogo grande da jornada é no Domingo (23h em Macau) com o Arsenal-Manchester City. No sábado o Newcastle United defronta o Tottenham, o Bournemouth dá as boas vindas ao recém promovido Cardiff City, e ainda o Fulham-Crystal Palace, o Huddersfield Town-Chelsea e o Watford com o Brigton Albion. No Domingo o renovado Everton estreia-se em casa do Wolverhampton, o Liverpool recebe o West Ham United e o Southampton joga com o Burnley.