Portugal goleou o Uzbequistão, por 5-0, na segunda jornada do Grupo K do Mundial de futebol, num dia histórico para Cristiano Ronaldo, o único a marcar em seis fases finais e agora o melhor marcador luso na competição. No Estádio NRG, em Houston, Ronaldo marcou por duas vezes e voltou a inscrever o seu nome na lista de recordes, com Nuno Mendes, Rafael Leão e um autogolo de Nematov a fixarem o resultado final.
Na sua sexta presença em fases finais de Campeonatos do Mundo, Ronaldo tornou-se no primeiro da história a marcar em seis edições e com os dois golos conseguidos chegou aos 10 em Mundiais, ultrapassando na liderança Eusébio, que tinha nove, todos conseguidos na edição de 1966.
Com este triunfo, depois do empate na estreia com a República Democrática do Congo (1-1), Portugal soma quatro pontos e está em boa posição para conseguir o apuramento para os 16 avos de final. A formação das ‘quinas’ é segunda do Grupo K, atrás da Colômbia, que venceu a República Democrática do Congo por 1-0, com um golo de Daniel Muñoz aos 76 minutos, e tem o pleno de seis pontos, tendo já assegurado um lugar na fase seguinte, juntando-se a México, EUA, Alemanha, França, Noruega e Argentina. O Uzbequistão continua a zero e está perto de ser eliminado.
Depois da estreia menos conseguida, o seleccionador Roberto Martínez fez duas alterações no ‘onze’, com o defesa Rúben Dias e o avançado João Félix a entrarem para os lugares do lesionado Tomás Araújo e de Bernardo Silva.
Com o vermelho a dominar as bancadas perante algumas ‘manchas’ de camisolas brancas do Uzbequistão, Portugal entrou na partida a assumir a iniciativa, como era esperado. A primeira oportunidade surgiu logo aos dois minutos, com Bruno Fernandes a receber um passe de João Neves, a tirar um defesa do caminho, mas o remate tabelou num defesa contrário e saiu por cima.
Pouco depois, Ronaldo esteve perto do golo, chegando atrasado a um cruzamento da esquerda de Nuno Mendes, mas o capitão, aos seis, abriu mesmo o marcador e entrou na história dos Mundiais. Depois de uma boa jogada pela direita, João Cancelo ganhou a linha de fundo e cruzou para a área, com Ronaldo a surgir solto na área e a rematar de pé direito para o fundo das redes.
A equipa do Uzbequistão, no esquema esperado de cinco defesas, não conseguia sair do seu meio-campo e nunca mostrou argumentos para discutir o jogo, com a formação das ‘quinas’ a meter velocidade na partida e a reagir bem à perda de bola, chegando com naturalidade ao segundo golo. Num livre directo à entrada da área, aos 17 minutos, quando todos esperavam o remate de Ronaldo, Portugal surpreende e foi Nuno Mendes a atirar forte e rasteiro, num lance em que o guarda-redes Nematov podia ter feito melhor.
Depois da pausa para hidratação, a selecção uzbeque surgiu mais subida no relvado e, aos 29 minutos, assustou a formação lusa. Cancelo perdeu a bola em zona proibida e ficou a pedir falta, com Ganiev a rematar de longe para um golo de belo efeito, num lance revertido após intervenção do vídeo-árbitro, por falta sobre o lateral português.
Aproveitando a subida de linhas do adversário, Portugal ampliou a vantagem, aos 39 minutos, com Bruno Fernandes a conduzir e a colocar em Ronaldo, com o avançado, descaído para a direita, a rematar colocado para o seu segundo na tarde. Antes do intervalo, o capitão esteve perto do ‘hat-trick’, ao desviar um cruzamento de Cancelo, mas Khusanov cortou perto da linha de golo.
Para a segunda parte, Martínez começou a gerir o esforço dos jogadores e deixou João Cancelo e Pedro Neto nos balneários, lançando Nélson Semedo e Francisco Conceição nos seus lugares, e, logo no recomeço, João Félix rematou com perigo, mas a bola passou por cima.
Depois de um par de iniciativas tímidas do Uzbequistão, a equipa das ‘quinas’, num livre ensaiado, voltou a criar perigo, com Ronaldo a surgir na área a rematar para defesa de defesa de Nematov.
Na sequência do canto, aos 60 minutos, Portugal acabou por chegar ao quarto golo, num lance confuso, em que o defesa Khusanov desvia a bola, com o guarda-redes uzbeque a ser o último a tocar em direcção à sua baliza.
Martínez apostou depois em Trincão no lugar de João Félix e, mais tarde, Bernardo Silva rendeu João Neves, pouco depois de Ronaldo beneficiar de um erro do guarda-redes para rematar com perigo, com Shomurodov, na outra área, a surgir também em boa posição, mas a disparar por alto. Na última substituição, colocou Rafael Leão no lugar de Vitinha e foi o jogador do AC Milan, aos 87 minutos, que fixou o resultado final. Boa combinação pela direita, com Nélson Semedo a cruzar e Leão a aproveitar uma bola solta na área, para rematar forte e colocado para selar a goleada de ‘mão cheia’.
Cristiano Ronaldo garante foco nos objectivos colectivos
O capitão da selecção portuguesa assumiu a satisfação por ter marcado dois golos na goleada sobre o Uzbequistão, mas assegurou que coloca os objectivos colectivos acima dos individuais. “Muito feliz, mas o mais importante é o trabalho que a equipa fez, a confiança que tivemos. Levámos muita porrada durante a semana, sabíamos que iria acontecer. A equipa trabalhou bastante bem, melhorámos bastante, há males que vêm por bem, como se costuma dizer”, afirmou Cristiano Ronaldo. “Quanto aos recordes, é sempre bonito batê-los, mas quero é ajudar a selecção a alcançar os seus objectivos. Com quatro pontos, acho que passamos e estou muito feliz”, vincou. Questionado sobre as críticas de que foi alvo após o primeiro jogo no Mundial, e sobre o seu festejo ‘I’m back’ depois de marcar ontem, Ronaldo jogou ao ataque: “É só para não se esquecerem. [Foi a melhor resposta às críticas?] Sempre. São 23 anos assim”. “Eu sabia que Deus ajuda quem trabalha e que os meus companheiros iram ajudar-me também. Foi uma semana difícil, uma semana negra. Parecia que eu já estava retirado do futebol, mas aguentei-me, como aguento sempre, porque acredito mais no trabalho do que noutra coisa. Foi difícil, tenho de confessar, mas estamos de volta”, sublinhou.
PR e PM ‘aplaudem’ vitória lusa
O Presidente da República saudou, no Porto, a selecção portuguesa pela vitória contra o Uzbequistão. António José Seguro, que fez uma pausa na sua participação nos festejos do São João, para assistir, na Casa do Roseiral, na companhia do presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, ao jogo da equipa das ‘quinas’, deu os parabéns à selecção, assim que chegou à Alfandega do Porto, onde foi jantar e assistir ao espectáculo de fogo-de-artifício à meia-noite. Seguro vai estar nas bancadas do estádio Hard Rock, em Miami, na Florida, para assistir ao último jogo de Portugal na fase de grupos, diante da Colômbia, no domingo, às 00:30 (07:30 em Macau). Já o Primeiro-Ministro de Portugal assumiu a felicidade e orgulho com o desempenho da selecção na segunda jornada do Mundial. “Estamos perante um grupo magnífico, um conjunto de jogadores que demonstra muito espírito de equipa. Temos todas as razões para apoiar e vibrar e motivos para estarmos orgulhosos destes heróis do mar”, frisou Luís Montenegro, em declarações aos jornalistas, na zona mista do Estádio NRG, em Houston, destacando ainda o forte apoio popular que a equipa das ‘quinas’ tem recebido em solo norte-americano.
Gana de Queiroz frustra Inglaterra
O treinador português Carlos Queiroz ‘teceu’ uma ‘teia’ defensiva que ‘emperrou’ a poderosa Inglaterra, conseguindo um ‘nulo’ no Grupo L, em Foxborough, que deixa o Gana muito perto dos 16 avos de final do Mundial de futebol, depois de já ter batido o Panamá por 1-0 na estreia. Os africanos pouco atacaram, ainda que tenham criado uma grande oportunidade, enquanto os ingleses andaram quase sempre pelo meio-campo contrário, mas só estiveram uma vez verdadeiramente perto de marcar, numa tripla ocasião, aos 86 minutos. A Inglaterra e o Gana passaram a somar quatro pontos, enquanto a Croácia contabilizou os primeiros três, ao vencer o Panamá por 1-0, graças a um golo do suplente Ante Budimir, que entrou ao intervalo e decidiu o jogo aos 54 minutos. Os vice-campeões de 2018 e terceiros de 2022 voltaram assim à corrida pelos 16 avos de final, eliminando o Panamá, quinta selecção a cair, depois de Haiti (Grupo C), Turquia (D), Tunísia (F) e Jordânia (J).
JTM com Lusa



