Gilmar Tadeu assumiu o comando técnico do FC Lviv, clube da 1ª Divisão da Ucrânia
Gilmar Tadeu assumiu o comando técnico do FC Lviv, clube da 1ª Divisão da Ucrânia

O treinador brasileiro Gilmar Tadeu entrou no Chao Pak Kei já com a época a decorrer e “revolucionou” o clube, em especial através dos seus métodos de treino. Apesar de não ter orientado a equipa na final da Taça, diante do Ching Fung, foi um dos principais responsáveis pelo triunfo na competição. Agora está envolvido num projecto “ambicioso” na Ucrânia

 

Vítor Rebelo*

 

Gilmar Tadeu deu nas vistas no pouco tempo, cerca de seis meses, em que esteve no futebol de Macau, à frente do Chao Pak Kei (CPK), onde entrou para substituir um dos adjuntos de Ignacio Hui, o também brasileiro Fernando Sales, mas cedo mostrou qualidades para ter outro tipo de responsabilidades na equipa, acabando por ser o treinador principal.

Apesar do clube dirigido por Stephen Chow ter apostado forte na questão do título na temporada que terminou recentemente, as ambições cedo começaram a diluir-se, com uma derrota pesada (4-1), à terceira jornada, no confronto com o grande rival ao título, o Benfica, o CPK acabou por fazer uma época positiva, alcançando o segundo lugar na Liga de Elite e conquistando a Taça de Macau, numa final em que bateu o Ching Fung por 5-1.

O trabalho de Gilmar Tadeu, por aquilo que principalmente se foi ouvindo dos jogadores, teve grande influência na melhoria da equipa e na qualidade do seu futebol, utilizando métodos de treino pouco habituais no futebol de Macau, como por exemplo sessões bi-diárias. A equipa reforçada no ataque com as entradas dos brasileiros Danilo Lins e Denilson, acabou por fazer uma segunda volta melhor do que a primeira, não perdendo nenhum jogo e empatando apenas por duas vezes, face ao Benfica e ao Sporting.

Quando se esperava que o professor, como era conhecido no seio do clube e do próprio futebol da RAEM, pudesse terminar a temporada, orientando por isso a equipa também na Taça, o treinador informou os dirigentes do CPK que tinha sido convidado para um projecto ambicioso na Ucrânia e saiu, quase de um momento para o outro.

“Preciso de seguir a minha carreira como profissional. São valores que temos de agarrar e é uma oportunidade de crescimento que eu não podia perder. Deixei este projecto do Chao Pak Kei a meio, porque apareceu o Lviv. Foi uma outra porta que Deus me abriu”, começou por dizer Gilmar Tadeu ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, ele que é também cidadão da Ucrânia, por via do casamento com uma ucraniana.

 

Futebol de Macau tem muito a trabalhar

O técnico considera que “o futebol de Macau tem ainda muito que trabalhar para a desejada evolução”, esperando regressar um dia e “encontrar o futebol noutro nível, mais elevado.”

Gilmar Tadeu

Gilmar Tadeu reconhece que, apesar das limitações, aprendeu bastante. “Aprendemos sempre alguma coisa em qualquer lado onde estamos a exercer a nossa profissão e Macau não foi excepção. Respeito as limitações, a cultura do país (China) e do território, mas o futebol tem de melhorar bastante. Julgo que contribuí, no caso concreto do Chao Pak Kei, para algumas melhorias. E é caso para dizer como era o Chao Pak Kei e como ficou, depois do tempo em que lá estive. Espero ter contribuído para o desenvolvimento. Fiz muitos amigos em Macau”, refere o treinador brasileiro de 47 anos, detentor de licença A da UEFA, para quem “a vitória na Taça, com cinco golos na final, o que prova a qualidade da equipa, foi mais do que merecida, por aquilo que o Chao Pak Kei fez ao longo da temporada e principalmente depois de ter falhado o título para o Benfica, não podia perder essa oportunidade de conquistar a Taça”.

Sobre a eleição de Ignacio Hui como melhor treinador da Liga, Gilmar Tadeu não teceu grandes comentários, dizendo apenas que “quando alguém, pessoalmente, ganha uma eleição, como foi o caso do Ignacio, é todo o “staff” que está a ser distinguido, todo um trabalho em conjunto”.

Um dos que mais de perto trabalhou com Gilmar Tadeu, para além naturalmente dos jogadores, foi o preparador físico Paulo Conde, considerado como o “braço-direito” do técnico.

“Foi uma experiência muito positiva trabalhar com o professor Gilmar Tadeu, que se enquadrou no sistema de jogo dos jogadores do Chao Pak Kei, isto é, não são jogadores agressivos do ponto de vista do jogo em si, mas sim com qualidades técnicas e posicionamento táctico. O trabalho que ele apresentou foi precisamente de encontro ao DNA dos jogadores. Assim ficou mais fácil o trabalho para técnicos e atletas. Foi sem dúvida o melhor treinador que passou pelo Chao Pak Kei e deixou a sua marca, que resultou na vitória na Taça, ganha com todo o mérito e justiça. Para onde o Gilmar Tadeu levar este tipo de trabalho vai ter sucesso seguramente”, sublinhou Paulo Conde, antigo jogador em várias equipas do território e já há alguns anos a integrar o corpo técnico do CPK.

O médio Bruno Figueiredo também deu a sua opinião sobre o técnico que saiu, salientando que “fez um excelente trabalho, colocando em prática, com a sua filosofia, um crescimento que já estávamos a ter, mas preparando muito melhor”. “Nota-se que sabe o que faz, sabe o que fala, graças à sua experiência. Se chegar um novo treinador, acredito que tem simplesmente de dar continuidade. Temos uma base de jogo, só precisamos de um treinador que nos mostre outros caminhos, o que o Gilmar Tadeu fez muito bem, ao conseguir colocar na prática, em campo, no dia-a-dia, o trabalho que vínhamos desenvolvendo”.

 

Regresso à Ucrânia com estreia vitoriosa

Gilmar Tadeu abraçou então o novo projecto do FC Lviv, depois de já ter trabalhado (e estudado), durante vários anos, numa outra equipa da Ucrânia, o Metalurh Zaporizhya, para além de ter estado ligado a outros projectos de responsabilidade na organização das camadas jovens. “Há por isso toda uma história por trás”, salienta Gilmar Tadeu.

É portanto um regresso ao país (fala fluentemente russo) e segundo o treinador, nascido em São Paulo, o clube onde agora está a trabalhar “tem um projecto ambicioso, pela mão de um empresário ucraniano que esteve no Brasil e levou para o Lviv sete jogadores brasileiros”. “O trabalho tem sido árduo, bem diferente do que fizemos em Macau”.

O clube da I Divisão da Ucrânia estreou-se no campeonato 2018/2019 com vitória fora de casa (2-0), diante do Arsenal de Kiev, cabendo-lhe agora defrontar, depois de amanhã, um dos principais candidatos ao título, o Dínamo de Kiev.

O actual campeão é o Shakhtar Donetsk, orientado pelo português Paulo Fonseca, que também começou bem a temporada, vencendo no terreno do Desna por 2-0.

 

* Jornalista