A Federação Francesa de Futebol e a Liga da França inauguraram uma sede conjunta na China, numa tentativa de impulsionar a sua imagem e aproveitar a “bonança” na modalidade no gigante asiático

 

Através das instalações recém-construídas em Pequim, a Federação Francesa de Futebol e a Liga da França pretendem reforçar a notoriedade do futebol gaulês, ajudar os atletas do país na adaptação à China e formar treinadores e jogadores.

“A primeiro missão é exportar o ‘know-how’ francês, no que diz respeito à formação, levando em conta que a França é líder de exportações de atletas no mundo”, sublinhou o director assistente, Victorino Malero, em declarações à agência AFP.

Segundo Malero, “a ideia é acompanhar as estruturas chinesas, como escolas públicas, federação e clubes, para permitir que eles formem os melhores jogadores”.

Com 1,3 mil milhões de habitantes, a China ocupa apenas a 86ª posição no ranking da FIFA, no entanto, numa iniciativa do próprio Presidente do país, Xi Jinping, estabeleceu o objectivo de se transformar numa potência mundial até 2050. Para concretizar esse ambicioso plano, a Associação de Futebol da China (AFC) quer construir 50.000 academias de futebol, até 2025, anunciou ontem o vice-presidente do organismo, Wang Dengfeng, mais do que duplicando a meta inicial, de 20.000 academias, até 2020. Citado pela imprensa estatal, Wang afirmou que cada escola estará apta a treinar, em média, mil jovens jogadores. A decisão “será benéfica para o desenvolvimento integral do futebol na China, a formação dos jogadores chineses e elevação do nível da selecção nacional chinesa”, referiu a AFC.

Frisando que países como a Alemanha, Espanha e Itália “instalaram-se na China”, Raymond Domenech, ex-técnico da selecção francesa e presidente do sindicato de treinadores, lamentou que a França tenha chegado “um pouco atrasada”.

“A China quer organizar um Campeonato do Mundo. Por isso, precisa de uma equipa que dirija o espectáculo e ajude na formação para deixar o país competitivo em 15 ou 20 anos”, acrescentou Raymond Domenech.

O novo escritório, em Pequim, conta com um empregado francês e vai contratar dois chineses em breve. Os funcionários locais irão encarregar-se de divulgar o futebol francês na China.

Os avançados Antoine Griezmann, Karim Benzema e Olivier Giroud são seguidos com interesse pelos adeptos chineses, apesar de espanhóis e alemães continuarem a ser mais populares. De resto, a Liga Francesa ainda tem pouco impacto na China, bem menor que a “Premier League”, “La Liga”, “Serie A” e “Bundesliga”, campeonatos que são transmitido gratuitamente pelas televisões públicas.

Por outro lado, as empresas chinesas têm investido muito no futebol europeu. Vários clubes foram comprados por chineses: Auxerre, Sochaux, Aston Villa, West Bromwich, Espanyol, Granada e até o gigante Inter de Milão estão nas mãos dos orientais. Além dessa lista, o grupo empresarial chinês Wanda adquiriu uma participação de 20% no Atlético de Madrid.

Estes investimentos não preocupam a nova presidenta da Liga Espanhola, Nathalie Boy. “Vivemos numa sociedade mundial, e estamos felizes por ver que as nossas equipas são atractivas fora do nosso território”, frisou.

Por sua vez, o Ministro do Desporto francês, Patrick Kanner, garante que “a França não teme a presença da China em nenhum desporto, nem no sector económico”. “A chegada da China à economia francesa indica um possível desenvolvimento”, concluiu o ministro.

 

JTM com agências internacionais