Soares bisou em Chaves
Soares bisou em Chaves

Sem tirar o pé do acelerador, os portistas passaram o Marão para cilindrar um Chaves “perdido” em campo, sem ideias e sem futebol. Em Alvalade, depois de tantas perdidas, os golos surgiram ao cair do pano

 

Costa Santos Sr*

 

Se o FC Porto foi a Chaves fazer um “ensaio geral” a pensar no Liverpool, há que dizer que correu na perfeição. Mostrou ter a lição bem estudada, movimentos sincronizados e a velocidade de execução necessária para anular o adversário.

O Chaves que vinha evidenciando um poder colectivo assente numa defesa sólida e um meio-campo eficaz, não teve arte para discutir o jogo primeiro e, depois, o resultado. Não conseguiu, umas vezes por culpa própria, com falhas de marcações, deficiente posicionamento e por conceder espaço e tempo aos adversários, mas também por muita culpa dos portistas. Com muita velocidade na execução e perfeita movimentação colectiva, o FC Porto obrigou o adversário a jogar muito atrás, conseguindo mesmo assim espaços para as tabelinhas, desmarcações e “diagonais” que descompensavam a defensa flaviense.

Com dois golos sofridos até à meia hora (Soares bisou aos 15 e 28’) estava definido o vencedor, fruto da real superioridade, do domínio territorial e, essencialmente, da melhor capacidade de organização colectiva com “notas artísticas”.

No segundo tempo, mesmo com as mudanças operadas por Sérgio Conceição, o FC Porto não tirou o “pé da tábua”, não se conformando com a vantagem. Queria mais e lutou por mais. Resultado: mais dois golos – Marega aos 57’ e Sérgio Oliveira aos 90 – e a confirmação de uma exibição de luxo.

 

Muito sofrimento em Alvalade

Aquele que poderia ser um jogo “acessível” para os “leões” esquecerem o Estoril, acabou por se transformar em setenta e muitos minutos de nervos e oportunidades perdidas de forma inexplicável. Esse desperdício criou um nervoso miudinho nos donos da casa e aumentou o moral de um Feirense que não hesitou em montar guarda reforçada à baliza de Caio e povoar o seu meio-campo, jogando quase sempre com 10 homens atrás da linha da bola.

Essa estratégia, porém, não evitou que os “leões” desenvolvessem o seu futebol, evitando a pressão alta dos “fogaceiros” e criando espaço para os remates. Na primeira parte, uma mão não chega para apontar os tais lances de “golo feito”, perdidos por Doumbia, Montero ou Bruno Fernandes. Mas, só ganha quem marca e a estratégia do Feirense apontava, a olhos vistos, para evitar esse momento.

Se na primeira metade, o Feirense nunca colocou Rui Patrício em apuros, já no segundo tempo o guarda-redes leonino foi obrigado a uma estirada para desviar um remate traiçoeiro de Edson Farias (aos 72’), que ainda levou a bola ao poste. Este lance não travou o Sporting e o Feirense não conseguiu evitar o golo: aos 78’, na sequência de um canto e de uma “tabelinha” com a cara de Coates, William Carvalho conseguiu a “chave” para abrir a baliza que Caio guardava com total eficácia. Mas, neste lance, ficou mal na fotografia. E o golo da confirmação acabaria por surgir aos 90+2’, por Montero, num lance algo confuso.

Uma vitória justa mas arrancada a ferros por claros pecados leoninos.

 

Aves goleia em Belém

Surpreendente – ou talvez não – foi o resultado alcançado pelo Desportivo das Aves no Restelo: venceu por 5-2! Um sinal claro da capacidade de José Mota e a confirmação da fragilidade azul, em toda a linha.

No Bessa, valeu o golo de Fábio Espinha para garantir a vantagem das panteras sobre o Vitória de Guimarães. A escassez da vantagem “mostra” que foi um jogo muito disputado e quase sempre equilibrado. O golo fez a diferença…

 

*Jornalista profissional especialista em desporto