Ainda há cerca de um mês, Luís Filipe Vieira tinha dado um voto de confiança a Rui Vitória, garantindo que seria treinador do Benfica “até ao final da época”, mas o futebol é assim: depois de uma série de vitórias sem brilho, chegou a derrota de Portimão e o fosso de sete pontos para o líder, FC Porto, ditou o resto. Agora, resta saber quem será o senhor que se segue

 

Costa Santos Sr*

 

A derrota m Portimão com a consequente descida para o quarto lugar da classificação, provocou a “bomba relógio” que “vitimou Rui Vitória! Talvez não se esperasse que à primeira escorregadela, depois da garantia presidencial – há pouco mais de um mês – sobre a continuidade do treinador que, em pouco mais de três anos, ajudara o Benfica a conquistar seis troféus, lhe fosse “indicada” a porta de saída. Mas, aconteceu. A exibição no Municipal de Portimão foi demasiado pobre, principalmente se tivermos em conta a “cotação” das figuras encarnadas que entraram em jogo, mas acabou por ser similar às anteriores: desligada, longe do futebol colectivo, da capacidade de Jonas, Pizzi, Rúben Dias, Jardel etc. Isto com a agravante dos golos que ditaram a derrota terem sido da autoria dos dois centrais (Rúben Dias e Jardel), resultantes de erros de comunicação.

No entanto, essas infelicidades não justificam tudo. Mesmo a perder por 2-0 ao intervalo, o Benfica tem capacidade e talento suficientes para virar o resultado. Não o conseguiu fazer, muito por culpa de uma estratégia que subestimou o adversário e de uma crise de confiança que grassa no onze e é bem visível a “olho nu”. Depois, a expulsão de Jonas fez o “resto”, tirando a determinação – se é que existia – fundamental para chegar ao golo.

As vitórias de FC Porto, Sporting e Sporting de Braga, “empurraram” as “águias” para o 4º lugar, a sete pontos dos “dragões”, a dois dos “leões” e a um dos “guerreiros”. Com mais de meio calendário para cumprir, esta diferença pontual não é, nem pouco mais ou menos, inultrapassável, porém, a consciência do mau futebol produzido pela equipa, apesar das tais magras vitórias alcançadas, terá feito soar as sirenes para a substituição imediata.

Agora, também surgiu à tona da crise que “este” Benfica, demasiado preocupado com outros (graves) problemas, esqueceu-se do plano “B” e não tinha feito o “trabalho de casa” quanto ao nome a apresentar para suceder a Rui Vitória. Por isso, muitos nomes têm sido atirados para o ar, motivando respostas dos “visados” e até o repúdio dos clubes a que estão vinculados. Concretamente: José Mourinho foi abordado e recusou; Paulo Fonseca, técnico do Shakhtar e com mais um ano de contrato, fez saber que estava indisponível; e Luís Castro, técnico do Vitória de Guimarães (com quem os encarnados vão jogar duas vezes em três dias) não só declarou que “nada do que se diz o tira do foco Guimarães” como os seus dirigentes lembraram ao Benfica o “regulamento da Liga” que penaliza o aliciamento de técnicos.

Na imprensa, também se falou nos nomes de Marco Silva, Vítor Pereira, para além, naturalmente, de Jorge Jesus. Neste caso, levantou-se uma “onda” de contestação “interna”, com muitos adeptos – e alguns dirigentes – a usarem as redes sociais para manifestar a sua indignação quanto à possibilidade de Jesus regressar à Luz, pelo que, politicamente, Luís Filipe Vieira terá “deixado cair” para já essa hipótese. Percebe-se também a enorme fragilidade de Luís Filipe Vieira e a sua incapacidade imediata para resolver o bicudo problema.

A chamada de Bruno Lage, até agora técnico da equipa B, foi a solução encontrada, embora com a “chancela” de “interinidade”, para o compromisso imediato, frente ao Rio Ave.

Se tivermos em conta que o Benfica jogará nos Açores no próximo dia 11, viajará para Guimarães para dois jogos com os “fundadores” (no dia 15 para os quartos-de-final da Taça de Portugal e no dia 18 para a Liga), antes de defrontar o FC Porto (no dia 22, na “final four” da Taça da Liga), Luís Filipe Vieira, sem soluções “na manga”, poderá ter dado um salto no escuro que não será fácil de explicar. É que não haverá nenhum treinador “do top” – como quer Vieira – disponível para se aventurar num calendário com estas exigências (com todos os jogos fora da Luz!) sem ter o imprescindível tempo para conhecer os jogadores e colocar o seu cunho na dinâmica que queira implementar na equipa.

 

Marítimo regressa às vitórias

O Marítimo triunfou por 2-1 na recepção ao Portimonense, na abertura da 16ª jornada da I Liga portuguesa de futebol, quebrando uma série de 11 jogos seguidos sem vencer e abandonando a zona de despromoção da prova. Os golos de Edgar Costa, aos 43 minutos, e Jorge Correa, aos 84, permitiram à equipa madeirense subir para o 15.º lugar, o primeiro acima da zona de despromoção, com 14 pontos. O Portimonense, que reduziu aos 90+2 minutos, através de uma grande penalidade por Paulinho, manteve-se na sétima posição, com 23, terminando um ciclo de três vitórias consecutivas, a última das quais na recepção ao Benfica, por 2-0.

 

*Jornalista profissional especialista em desporto