As substituições na Juventus foram justificadas por uma “dor no ligamento colateral medial do joelho”, mas os clínicos italianos nada informaram e Cristiano Ronaldo irá a jogo frente à Lituânia
Costa Santos Sr*
Por mais que se queira ignorar, há, na verdade, muito olhares “em cima” de Cristiano Ronaldo sobre aquilo que possa (ou não) fazer ao serviço da selecção nacional portuguesa nos jogos com a Lituânia (03:45 de sexta-feira em Macau) e Luxemburgo (22:00 de domingo em Macau).
Aliás, essa expectativa está meio ultrapassada, já que os italianos estavam convencidos que a avaliação médica da selecção iria considerar Ronaldo como indisponível, principalmente pelas declarações de Maurizio Sarri, treinador da Juventus, justificando as razões que motivaram a substituição do jogador português, logo aos 55’ de jogo: “Ronaldo tem uma dor no ligamento colateral medial do joelho, dor essa que o incomoda e é limitativa do seu rendimento”. Daí esperarem Ronaldo “de volta”.
Em simultâneo, surgiu uma “onda” de críticas quanto às capacidades actuais de Cristiano Ronaldo, desde Fabio Capello a Gary Lineker – o primeiro foi treinador do Real Madrid e da Juventus, entre outros clubes e, o segundo, ex-jogador – passando pelo ex-internacional italiano Cassano e por Zaccheroni, treinador ainda no “activo”. Mas, o departamento médico da Federação Portuguesa de futebol, para além de não ter qualquer informação médica da Juventus, escrita ou via telefone, e face à disponibilidade do atleta, informou o seleccionador que Cristiano Ronaldo estava “apto” para continuar na convocatória e em condições de ser utilizado caso, naturalmente, a equipa técnica assim o entenda. E para confirmar tudo, Ronaldo treinou sem limitações e, seguramente, irá a jogo.
É sabida a força psicológica que Ronaldo incute no grupo, a sua importância no balneário, bem como a seriedade e competência do departamento clinico da FPF e, acima de tudo, o rigor com que o seleccionador nacional trata destes casos, nunca permitindo que subsistam dúvidas sobre a forma como sustenta as suas decisões. Aliás, o departamento médico da Juventus, a haver alguma lesão impeditiva de levar Ronaldo a jogo, deveria ter informado a FPF e, como dissemos, não o fez por nenhum modo. Logo, as declarações de Sarri, ou foram levadas ao extremo por quem as divulgou ou não passam de afirmações “fora do contexto”.
Porém, o modo como Ronaldo abandonou o campo e, posteriormente, a sua saída do Estádio, serviu às mil maravilhas para alimentar o estilo e modo da imprensa italiana para tratar do caso. Que – podemos acrescentar – passou “ao lado” do jogador português e, segundo é hábito, a sua “reacção” será dentro do campo, mostrando as qualidades que todos lhe reconhecem. Por isso, a outra “meia expectativa” só logo à noite (madrugada, em Macau) se ficará a saber e se a resposta assenta em mais uma exibição à altura de Cristiano, condimentando uma vitória das cores portuguesas.
*Jornalista profissional especializado em desporto



