Modric e Kane são duas das estrelas mais cintilantes da segunda meia-final
Modric e Kane são duas das estrelas mais cintilantes da segunda meia-final

A selecção da Croácia sabe que só falta um degrau para chegar ao patamar da glória e não deixa dúvidas a ninguém de que irá lutar por esse objectivo, mesmo sabendo que, do outro lado, está a Inglaterra, ansiosa por repetir o êxito de 1966

 

Costa Santos Sr*

 

O Estádio Luzhniki, em Moscovo, acolhe na próxima madrugada (02:00 em Macau) um “duelo” que tanto poderá ser um excelente jogo, como uma enfadonha partida de futebol ainda que inserida nas meias-finais de um Campeonato do Mundo.

Para este Croácia-Inglaterra, encontro inesperado das meias-finais, está “na crista da onda” o entusiasmo de um povo que revê a sua curta história nos feitos da selecção nacional, na “subida a pulso” no “ranking” da FIFA e, claro, na demonstração de capacidade para chegar à fase de “luxo”, ao lote dos “quatro melhores” do mundo. E se o percurso feito até agora está espelhado na vitória sobre a Argentina, tão clara pelos números (3-0) como merecida pela qualidade do seu futebol, e no facto de ter terminado o seu grupo (D) com vitórias nos jogos disputados, já no “mata-mata” ficou-se por empates nos dois jogos (1-1 frente à Dinamarca e 2-2 ante a Rússia), acabando as grandes penalidades por funcionarem como factor de desempate após prolongamento para garantir o passaporte para continuar “a viagem”. Mas, naturalmente, chegados a esta fase, todos os sonhos geram forças, a ambição aumenta a capacidade individual e colectiva e a vontade apura os níveis de concentração necessários.

Zlatko Daltic, um técnico que se estreia nestas andanças (recorde-se que a Croácia fez o seu “baptismo” num Mundial em 1998 e logo com um surpreendente 3º lugar!) sabe muito bem o valor dos homens que comanda, desde a segurança que lhe dá um guarda-redes como Subasic (a actuar no Mónaco, treinado por Leonardo Jardim) a Modric, passando por Rakitic ou Perisic. A força colectiva dos croatas e os automatismos criados ao longo dos anos, e que não mudam mesmo com a entrada de novos elementos, são “armas” com as quais os ingleses terão de contar.

 

Ingleses de volta à alta esfera

Do outro lado, estará a Inglaterra, que já “saboreou” um título mundial em 1966 (de má memória para os portugueses, que perderam com os ingleses na semi-final por 1-2) na altura tão comentado pelos erros arbitrais) e pretende, com um novo feito, reforçar a força do seu futebol, sendo que a sua liga é considerada a melhor do mundo.

Gareth Southgate, o homem que despontou na selecção de sub-21, é um defensor do sistema 3X5X2 que usou por diversas vezes na fase de qualificação e que, para sua defesa, resultou em poucos golos sofridos (3), mas não será crível que deite mão a tal estratégia frente à Croácia. Até porque, na fase de grupos, os três golos sofridos (contra a Tunísia, Panamá e Bélgica) colocaram sob discussão a “fiabilidade do sistema”.

Porém, é inquestionável que a Inglaterra tem um lote de jogadores que aliam a experiência à juventude (dos convocados apenas três estão na casa dos 30 anos!) e existem “pilares” que dão garantias suficientes para a eficácia de qualquer sistema que queira usar. Se Pickford brilhou no confronto com a Suécia, garantindo a inviolabilidade da sua baliza, Kane, que se “arrisca” a ser o goleador deste Mundial, dá garantias de eficácia para o golo. Além disso, no restante plantel disponível, encontramos mais gente capaz de tecer as “malhas” que poderão manietar os adversários, desde Eric Dier a Dele Alli a meio-campo, passando pelo flanco direito onde Henderson desequilibra, sempre apoiado por Danny Rose.

Estão identificados os “trunfos” de um e outro lado. Veremos quem os saberá jogar melhor…

 

*Jornalista profissional especialista em desporto