epa09777571 Players of Chelsea celebrate the 2-0 goal during the UEFA Champions League round of 16, first leg soccer match between Chelsea FC and Lille OSC (LOSC) in London, Britain, 22 February 2022.  EPA/Andy Rain
epa09777571 Players of Chelsea celebrate the 2-0 goal during the UEFA Champions League round of 16, first leg soccer match between Chelsea FC and Lille OSC (LOSC) in London, Britain, 22 February 2022. EPA/Andy Rain

Dois jogos que nada decidiram, mas o detentor do troféu, o Chelsea, leva vantagem, vencendo um Lille sem grande chama. No “Estadio de la Cerámica” de Villarreal, a Juve mostrou como anda mal…

 

COSTA SANTOS SR*

 

Pensava-se que alguma coisa poderia ficar decidido na primeira “dose dupla” destes oitavos de final da Liga dos Campeões. Mas não, mesmo tendo em conta que a vitória do Chelsea, em Stanford Bridge, frente ao Lille, foi um resultado justo e importante, só que não decidiu nada, isto é, há uma segunda mão e subestimar a força dos franceses poderá ser um erro de palmatória. Já em La Cerâmica, o Villarreal não conseguiu melhor do que uma igualdade a um golo, frente à Juventus.

Mas…

Em Londres, no palco do Chelsea, a equipa da casa foi melhor, mais apostada no ataque e, se marcou logo aos oito minutos por intermédio de Havertz, pode dizer-se que o mesmíssimo jogador, logo aos cinco, teve uma perdida escandalosa, quando Kanté lhe colocou a bola na frente, apenas com Léo Jardim, o guarda redes francês, como único obstáculo a transpor. O desvio levou a bola para as alturas…

Percebeu-se bem que o português José Fonte, a capitanear a equipa de Lille e a actuar na sua normal posição de central, não tinha, a seu lado, gente capaz de dar resposta à melhor dinâmica ofensiva dos “ingleses” e o sistema levado a jogo por Unai Emery, um 3x5x2, “perdia-se” em confusos posicionamentos e, por isso, os primeiros 20 minutos foram de claro domínio “britânico”, muito embora, como “lucro”, o parco golo de Havertz.

Verdade que, aos poucos, mesmo sem ter profundidade no seu futebol, os “franceses” foram equilibrando o jogo, colocando-o mais a meio campo, longe da sua área, mas, igualmente, longe da área adversária. E foi o Chelsea que melhor “se adaptou” ao estilo que era necessário: troca de bola no seu meio campo, linhas adversárias a subirem no terreno e o contra-ataque, veloz e muito bem ensaiado, a funcionar e a causar pânico nas linhas forasteiras. O segundo golo – de Pulisic, aos 63’ – foi desenhado, exactamente, num lance de contra-ataque e quando a destreza se alia à velocidade, nada a fazer.

Não se pode garantir que resta vantagem seja já o “passaporte para os quartos”, mas é, sem dúvida, uma “passada larga” para essa meta. A menos que – e em futebol tudo é possível – no dia 16 do próximo mês, no estádio Pierre Maurroy, o Chelsea pense que serão “favas contadas” …

 

A Juve enganou-se

Aquele golo de Vlahovic, aos 32’’ de jogo, foi, seguramente, o grande culpado de um jogo onde, depois do golo, só se viu engenho e arte nos donos da casa.

Já agora dizer que Vlahovic, contratado há pouco tempo e fazendo o primeiro golo na Liga dos Campeões, também se “equivocou”, isto é, tudo lhe deve ter parecido demasiado fácil e, depois, tudo foi “demasiado difícil”.

Claro que o Villarreal sentiu o golo, percebeu que” tudo poderia estar hipotecado” àquela perdida de bola, “tonta”, no meio campo e a incapacidade de reacção defensiva e, por isso, só teve a “alternativa” que costuma utilizar quando disputa os jogos de La Liga: velocidade, garra, raça e quem tiver pernas que respondesse.

A Juve, se teve pernas, não teve talento. Refugiou-se no meio campo, procurou defender a vantagem e a responder sem grande convicção (fez, apenas, dois remates enquadrados), mas, aos 66’, não conseguiu evitar que Parejo (aliás, o melhor jogador em campo) restabelecesse a igualdade e relançasse o jogo.

Penso que a Juventus se enganou. Melhor, se inebriou com o golo marcado, tão sem “saber como e muito menos justificado”, e, acredite-se, passou a defender a vantagem, como se ela fosse sólida e assente em domínio territorial. Nada mais enganoso. E, agora, se os predicados técnicos e tácticos forem, “apenas”, os que se viram em La Cerâmica, Massimiliano Allegri é capaz de ficar triste…

 

*Jornalista especializado em Desporto